16 Fevereiro 2012

O Artista

The Artist Michel Hazanavicius 2011 (Cinemas)

"SENSACIONAL
maravilhoso, uma obra de arte
O CINEMA SEMPRE SE REINVENTA
e a tecnologia só está a serviço das boas histórias"

10 Fevereiro 2012

Os Descendentes

The Descendants – Alexander Payne – 2011 (Cinemas)

Meus amigos no continente acham que só porque vivo no Havaí, estou no paraíso. Como férias permanentes. Que ficamos só bebendo maitais, balançando os quadris e pegando ondas. Eles são loucos? Acham que somos imunes à vida? Como é possível achar que nossas famílias erram menos, temos cânceres menos fatais, enxaquecas menos dolorosas? Diabos, não subo numa prancha de surfe há 15 anos.

Essa angústia, denunciada logo no início de Os Descendentes, pela personagem Matthew King de George Clooney, é o prelúdio do filme. E ele é um sentimento moderno, atual da nossa época, e pelo qual todos nós sofremos um pouco. Matt chegou num momento da vida em que toda essa angústia será trocada por outra: como educar as duas filhas com a mulher em coma, e tendo que decidir sobre um negócio bilionário da família.

Baseado no livro de Kaui Hart Hemmings – que faz uma ponta como à assistente do amante da esposa de Clooney pelo telefone, a película procura nas locações da ilha norte-americana centrar o relato, assim como descreve a publicação.

Ao contrário da grande maioria, achei George Clooney caricato e deslocado num tipo de papel que geralmente ele transforma em comédia escrachada, vide seus filmes com os Irmãos Coen. Sua personagem é baseada na interpretação de Marcello Mastroianni em Estamos Todos Bem (1990) de Giuseppe Tornatore.

O grande responsável por Os Descendentes ser um dos melhores filmes do ano é Alexander Payne, um cineasta que possui uma filmografia sem retoques, além de ser um cinéfilo atuante – colaborou junto com Bráulio Mantovani no roteiro do nosso Cidade de Deus (2002). Payne mistura humor com assuntos sérios com a elegância de um lorde inglês. Gostei bastante da atuação de Judy Greer e Robert Foster, um ator que quando dirigido por um craque entrega atuações excepcionais.

02 Fevereiro 2012

Cartazes de Filmes 12+


Assim como Martin Scorsese, sou aficionado por pôster de cinema. Em minha coleção fulgura o original polonês de Profissão: Repórter feito pelo artista Bartlomiej Kuznicki e uma versão de O Poderoso Chefão. Óbvio que esses dois cartazes farão parte de nossa seleção que busquei diversificar, verificar com o conteúdo da obra, e atrelar a uma regra, de já ter sido citado em outras listas de melhores.

1. Violência Gratuita US – O rosto de Naomi Watts chorando e em estado de choque é uma das atrações dessa refilmagem de um clássico alemão. O designer é do artista Akiko Stehrenberger.

2. Profissão: Repórter (Polonês) – Bartlomiej Kuznicki conseguiu passar a sinopse de um filme usando um cartaz. E olha que falamos de uma das maiores películas da humanidade dirigida por Michelangelo Antonioni.

3. A Árvore da Vida – A luz da vida contada através de um pé de bebê sendo segurado por mãos de adulto. Mark Carroll com uma foto produziu um dos cartazes mais lindos do ano.

4. O Demônio das Onze Horas – Esse é o típico pôster que nos leva a ver a obra. Uma cena do filme e pronto, tá feito um grande cartaz.

5. Volver – Penélope Cruz nesse filme está carregada de flores, e nessa foto seu semblante é enigmático, sensacional. Pedro Almodóvar não poderia faltar.

6. A Fita Branca – Mais uma personagem chorando e mais um filme de Michael Heneke, mas o que chama atenção nesse pôster é a fita branca amarrada em seu braço.


7. O Poderoso Chefão – A maior película da humanidade merecia um cartaz a sua altura. A silhueta de Brando com os títeres em cima do nome da obra é clássico.

8. Roma de Fellini – Reza a lenda que Rômulo e Remo, fundadores de Roma, foram jogados, ainda bebês, no rio Tibre, e salvos por uma loba que os amamentou. A loba do mestre Federico Fellini é humana.

9. Tubarão – A ameaçadora mandíbula do animal que deixou amedrontada uma geração inteira é o centro desse pôster de Roger Kastel.

10. A Dama do Lotação – Não poderia deixar de fora um cartaz nacional, e esse com Sônia Braga explodindo sensualidade, assim como no filme, é um clássico.

11. Sob o Domínio do Medo – Qualquer lista de pôster tem que ter a película de Sam Peckinpah nela. A foto de Dustin Hoffman com os óculos quebrado demonstra o que ele irá passar.

12. Malèna – Um cartaz com Monica Bellucci sendo a atração não poderia deixar de ser mencionado pelo Museu, ainda mais em filme de Giuseppe Tornatore.

27 Janeiro 2012

Precisamos Falar Sobre Kevin

We Need to Talk About Kevin – Lynne Ramsay – 2011 (Cinemas)

Porque eu não entendi o contexto? Eu sou o contexto!

Quando eu comentei que Tilda Swinton não merecia ganhar o Oscar por sua interpretação em Conduta de Risco (2007), quase fui apedrejado. Exageros a parte, Precisamos Falar Sobre Kevin é a prova cabal. Aqui Tilda tem a melhor interpretação de sua carreira, uma espécie de Meryl Streep alternativa.

Travo um debate fervoroso sempre que comentam que o excelente Traffic (2001) não traz nenhuma solução para o combate as drogas. Como não? Ele é a resposta definitiva para enfrentar o problema, é só rever a cena final. Precisamos Falar Sobre Kevin, na minha opinião, contém a resposta para pararmos de criar psicopatas, é só observar a cena final.

A cineasta inglesa Lynne Ramsay constrói ou seria melhor desconstrói a história do casal Eva (Swinton) e Franklin (John C. Reilly). No inicio ficamos sabendo que alguma tragédia aconteceu, e no decorrer do filme vamos “investigando” através de curtos flashbacks. É o segundo filme da diretora, antes veio o pouco visto O Romance de Morvern Callar (2002), mas ela mostra uma competência e segurança que é bom ficarmos de olho nela.

25 Janeiro 2012

Poesia

Shi – Lee Chang-dong – 2010 (DVD)

“A poesia é nossa resposta para o que não compreendemos, é nossa forma de buscar alguma beleza quando as coisas ao nosso redor estão feias, complicadas”.

Se o significado de poesia se traduz pela frase acima, dita pelo cineasta sul coreano Lee Chang-dong, o título do filme então é mais do que acertado. Mija (a excelente Jeong-hie Yun), a simpática senhora da foto, recebe o diagnóstico de Alzheimer e a sugestão de escrever poesias para amenizar os efeitos da doença, enquanto tenta escrever poemas – ela sente muitas dificuldades, aparecem problemas com o neto que ela cria.

Poesia é um filme humanista, muitas vezes seco, mas filmado ancorado na realidade dos eventos que acontecem na vida da protagonista. E pensar na dificuldade que o diretor, que foi ministro da cultura do seu país, teve em produzir o filme, levando-o a cogitar desistir da carreira se o filme desse prejuízo.

19 Janeiro 2012

A Separação

Jodaeiye Nader az Simin – Asghar Farhadi – 2011 (Amanhã nos melhores cinemas)

Minha única crítica ao filme é quanto a sua teoria simplista para os acontecimentos narrados derivado do pedido de separação do casal Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moaadi). Ela quer deixar o Irã, mas o marido desiste porque o pai sofre de Alzheimer. Simin então pede o divórcio, e a filha adolescente do casal, Termeh (Sarina Farhadi – filha do diretor) escolhe ficar com o pai.

A Separação é uma película que tem seu ponto alto nos diálogos, ganhou o Urso de ouro no Festival de Berlim, e venceu o Globo de Ouro de filme estrangeiro, chamando a atenção para o Irã, cuja relação com os Estados Unidos estão estremecidas por suspeitas de fabricação de bombas atômicas e sanções econômicas.

Os cineastas iranianos, que convivem com o pesadelo de serem presos dependendo do conteúdo de suas obras, estão preocupados com essa exposição, já que tudo só é feito a partir da aprovação do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica. A Separação sofreu com essa censura quando teve as filmagens interrompidas pelo ministro, devido a um discurso de Asghar Farhadi num festival de cinema sobre a repreensão cultural do país.

Farhadi já demonstrou seu receio não cumprimentando a cantora Madonna na entrega do prêmio da imprensa estrangeira de Hollywood. O Islã proíbe contato entre homens e mulheres que não sejam casados. Agora é aguardar seu comportamento no Oscar.

07 Janeiro 2012

Melhores 2011

Enfim chegou o dia de escolhermos os melhores filmes do ano que passou. Um ano sem muitas surpresas é verdade, mas que deixou, a meu ver, um legado sem precedentes para a história do cinema. Dito isso, vamos às escolhas:

Em março Juliette Binoche aportou nos cinemas com o drama criativo Cópia Fiel (2010), uma belíssima história de amor filmada de uma maneira original e inovadora.

Logo em janeiro fomos surpreendidos por mais uma obra-prima dos irmãos Coen. Usufruindo do período mais sensacional de suas carreiras, Bravura Indômita (2010) é um filmão que soube envelhecer, aliás como a maioria dos filmes dos cineastas.

Novembro trouxe um garotinho que só queria ser amado pelo pai, e por isso acabou sendo taxado de problemático, mas não espere lágrimas desse drama. O Garoto da Bicicleta (2011) dos irmãos Dardenne, conquistou Cannes e o mundo, e o Museu também.

Já em dezembro, com o ano já para terminar, eis que surge um dos cineastas favoritos desse blog com um filme que agora é também um dos meus favoritos em sua filmografia, A Pele que Habito (2011) recebeu críticas frias em Cannes, mas bastou chegar ao Brasil para reconhecermos que Pedro Almódovar está cada vez melhor.

E no mês que era do desgosto, agosto, surge um espetáculo, uma oração, uma explicação para o que é o cinema, uma ode à vida, a natureza, ao homem. Em agosto o mundo conheceu A Árvore da Vida (2011), e um cineasta que era recluso até agora (tenho razões para acreditar nisso e que voltarei a falar em breve). É ele o homem do cinema do ano, 2011 é todo dele. O gênio de QI elevado, Terrence Malick.

Menções: Pensei em colocar Cisne Negro (2010), é um ótimo filme, mas que não soube envelhecer, ao contrário de Poesia (2010) que provavelmente irei me arrepender de não encaixá-lo na lista, mas que no momento não significou uma obra tão importante. Veremos em 2012. Feliz ano novo!

04 Janeiro 2012

A Empregada

Hanyo – Sang-soo Im – 2010 (DVD)

Certas atitudes, ações de um indivíduo, geram conseqüências essenciais na vida das pessoas mais próximas. A Empregada versa sobre subserviência, ciúme passional e claro ações que desencadeiam reações trágicas.

Eun-yi (Do-yen-Jeo) é contratada como empregada e babá na casa do milionário Hoon (Jung-Jae Lee) e sua esposa grávida, o clima de sedução fica evidente no primeiro encontro de patrão e empregada.

O cineasta sul coreano Sang-soo Im criou um ritmo perfeito e belas imagens para a excelente trama do original Hanyo (1960) do conterrâneo Ki-young Kim. As tomadas demonstram uma segurança impressionante na escolha do posicionamento da câmera, o que resulta num filme que cria intimidade com o espectador.

Selecionado para o Festival de Cannes, a película recebeu estranhas críticas de polêmico e erótico. Claro que o tema em si já contém certa dose de polêmica e erotismo, mas tudo com o intuito de contar-nos uma história que o diretor transformou em um filmão.

30 Dezembro 2011

Tudo pelo Poder

Ides of March – George Clooney – 2011 (Cinemas)

Todo mundo sabe que político é tudo igual, todo mundo sabe para que servem as alianças de campanhas, todo mundo já cansou de saber que as promessas são sempre as mesmas, e que elas não passam de promessas. Todo mundo sabe que o que é dito em época eleitoreira não significa nada.

Stephen (Ryan Gosling – que parece estar em 9 de 10 filmes lançados) é o responsável por fazer-nos acreditar em políticos todos os anos eleitorais, mesmo sabendo disso tudo.

Eu não sou cristão, eu não sou ateu. Eu não sou judeu, eu não sou muçulmano. Minha religião, aquilo que eu acredito chama-se Constituição dos Estados Unidos da América.

Só tem um porém, Stephen acredita.

George Clooney quer se transformar no novo Clint Eastwood, ator mediano que trabalhou com grandes cineastas e que às vezes se aventura atrás das câmeras e é sempre seguro. Tudo pelo Poder é seu filme que foi além do seguro. É um filmão baseado num livro sobre os bastidores da política norte-americana do partido democrata. É também uma película de um diretor que começa a mostrar-se um mestre na arte.

14 Dezembro 2011

A Pele que Habito

La Piel que Habito – Pedro Almodóvar – 2011 (Cinemas)

EL ARTE ES GARANTIA DE SALUD

Vicente é um jovem espanhol que ajuda sua mãe com as roupas do brechó de sua propriedade. Vicente divide seu tempo entre o trabalho com a mãe, tomar extasy e ir a festas de milionários sem ser convidado, e ainda guarda uma paixão por Cristina, uma funcionária do brechó que é lésbica.

AS COISAS QUE O AMOR DE UM HOMEM LOUCO PODE FAZER

Marca, segundo o dicionário, significa um selo, um carimbo, sinal num objeto que o faz ser reconhecido. A Pele que Habito, adaptação do livro Tarântula de Thierry Jonquet, apesar de não ser um texto original do cineasta, fato raro em sua carreira, contém, em cada frame, a grife que tanto reverenciamos.

Pedro Almodóvar Caballero é um diretor singular. Além de possuir uma caligrafia reconhecida, é dono de um método só seu de contar uma trágica história, e que apesar de trágica, é cheia de arte, amor e beleza, e também, porque não? Humor.

07 Dezembro 2011

Sem Limites

Limitless – Neil Burger – 2011 (DVD)

80% dos cérebros que comandam hollywood não funcionam. Os 20% restantes se esforçam para tentar evocar algo que traga de novo os bons tempos. A idéia é criar uma droga que faça com que esses executivos de LA trabalhem com todo cérebro.

A pílula NZT é a solução encontrada.

Contando com atores da nova geração, Bradley Cooper interpretando Eddie Morra, e da velha geração, Robert De Niro interpretando Carl Van Loon, um diretor jovem e de talento promissor – vide O Ilusionista (2006), e um roteiro bem elaborado, e sem falhas, têm-se um grupo certo para testar essa nova droga que promete revolucionar o cinema estadunidense.

A pílula NZT avança através do globo ocular a partir da inserção do disco em seu player. Seus efeitos são perceptíveis a partir de 30 segundos após o início do filme.

A experiência poderá trazer efeitos colaterais tais como: repetição do filme e da acertada trilha sonora, vislumbres de achar um dos melhores filmes do ano, e um período de abstinência voluntária.

30 Novembro 2011

O Garoto da Bicicleta

Le Gamin au Vélo – Jean-Pierre e Luc Dardenne – 2011 (Cinemas)

Punir é mais fácil e rápido que ensinar.

Fugindo de dois homens dentro de um prédio, o garoto da bicicleta chega ofegante a uma enfermaria. A atendente lhe pergunta onde está machucado e se bateu a cabeça, é quando entra os dois homens se apresentando. Eles são conselheiros do orfanato que o garoto fugiu. O menino ainda tenta escapar e num ato de desespero se agarra fortemente a uma paciente.

Cyril, o garoto da bicicleta, só queria uma coisa.

Cyril Catoul (Thomas Doret) procura desesperadamente pelo pai que o colocou no orfanato e lhe disse que iria buscá-lo em uma semana, mas o tempo foi passando e nem sinal dele.

O Garoto da Bicicleta é uma história emocionante, e um maravilhoso e edificante filme. Os irmãos belgas Dardenne evitam a manipulação para arrancar nossas lágrimas, para isso eles centralizam a película na criança mostrando tudo sob sua ótica. Cyril só queria uma coisa.

22 Novembro 2011

Um Conto Chinês

Un Cuento Chino – Sebastian Borentzein – 2011 (Cinemas)

Um belo barco de madeira flutua parado nas calmas e esverdeadas águas de um rio. Dentro dele mais um casal se prepara para fazer o pedido tão comum entre pessoas apaixonadas. Tudo seria perfeito se a garota não fosse terrivelmente atropelada por uma vaca que caiu do céu.

A vida não faz sentido, é um grande absurdo.

Roberto (Ricardo Darin) é dono de uma loja de ferragens no subúrbio de Buenos Aires. É daqueles que contam os parafusos para saber se vieram quantos dizem na embalagem, e tem como hobby colecionar contos absurdos de jornais.

Um Conto Chinês é a prova de que o cinema argentino é alicerçado em boas histórias, roteiros estruturados e fortes, diretores e equipes competentes, e no único ator do país, Darin.

20 Outubro 2011

Potiche

Potiche – François Ozón – 2010 (Cinemas)

Com o lançamento de Potiche, o cineasta francês François Ozón tem agora em sua filmografia todas as décadas de destaque da história do cinema revisitadas. Se eu já havia afirmado que Ozón adora transitar em várias gêneros cinematográficos – Potiche é uma comédia estilizada aos anos 50 – isso também pode ser transportado para épocas diferentes.

Suprimindo sua caligrafia e dando tons do ano a que evoca, o diretor resolveu adaptar uma peça de teatro retocando com feminismo atual. A intenção é clara de mostrar como ainda vivemos num mundo machista, apesar das evidentes evoluções.

Potiche, bibelô, vaso ornamental em francês, é como se sente a Sra. Pujol (Catherine Deneuve), herdeira de uma fábrica de guarda-chuvas (má) administrada pelo marido (Fabrice Luchini).

28 Setembro 2011

Parábola do Mês

Toscanini gravou uma canção 65 vezes. Você sabe o que disse quando ele terminou?

Poderia ser melhor. Pense sobre isso. Seu pai tem 27 patentes. Isto significa propriedade. Propriedade de idéias. Você tem que mantê-los.

Você se constrói pelo que você é. Você tem que controlar seu próprio destino. Você não pode dizer: “Eu não posso”. Você diz: “Estou tendo problemas. Eu não terminei ainda.” Você não pode dizer: “Eu não posso”.

* Extraída do filme A Árvore da Vida (2011) de Terrence Malick, interpretada por Brad Pitt.