07 janeiro 2017

Melhores 2016

"O cinema é um modo Divino de se contar a vida". Já dizia o genial Federico Fellini. Esse ano, cada um à sua maneira, tivemos 5 cineastas que fizeram dessa sentença fellinianesca um filme que contou a vida de forma Divina.

Primeiro temos os já consagrados Pedro Almódovar e Quentin Tarantino, dois habitues de premiações, e não por acaso, membros da Sala Vip do Museu. Temos um estreante na Sala Vip, Paolo Sorrentino ganhou sua titularidade esse ano, mas já um ganhador dos Melhores por A Grande Beleza. E por último, mas não menos importantes, e vocês vão ver, dois candidatos a adentrar nas nossas famosas retrospectivas, Denis Villeneuve e Kleber Mendonça Filho.

Em 5º podemos enumerar Julieta, de Pedro Almodóvar como o filme de bela história com um diretor que sabe nos entreter. No 4º, Os Oito Odiados de Quentin Tarantino com diálogos que só ele sabe fazer e um clima característico de seu cinema. O 3º é um filme sobre alienígenas que invadem a terra, mas apesar de trama B, o filme é simplesmente genial. A Chegada. Já o 2º resolveu, completamente errado, politizar e angariar mais espectadores com a polêmica, mas Aquarius, definitivamente, não nasceu para isso, longe das polêmicas, é um relicário delicioso de nostalgia com uma mão firme de cineasta-quase-estreante-que-parece-veterano.

O melhor filme de 2016 é uma canção de amor. Juventude é uma junção de imagens perfeitas, trilha sonora arrebatadora, e uma história maravilhosa. Aliás, como os outros 5, mas o que faz desse ítalo-americano o melhor chama-se Paolo Sorrentino. Ele é um dos gênios do cinema. Estamos vivenciando isso, e é uma honra.

A personalidade do ano, como gosto de chamar, a figura central da imagem, ficou com a sensacional atriz Amy Adams. Em 2002 ela se apresentou timidamente como Brenda em Prenda-me se for Capaz de Steven Spielberg, esse ano ela roubou qualquer cena em que participou.

Um leitor mais atento percebeu que cometi um pequeno deslize acima. Eu cito "outros 5" junto com Juventude, ficou faltando um. Esse não é um filme, mas podemos dizer que sim, ele é uma série, mas não é um seguimento. San Junipero pode, e DEVE, fazer parte dessa lista. Dirigido pelo desconhecido Owen Harris e criado e roteirizado por Charlie Brooker, San Junipero faz parte da séria Black Mirror e é uma história maravilhosa, dirigida com um toque dos anos 80 digna de grandes nomes. 

Um comentário:

Alex Gonçalves disse...

Não poderia concordar mais com as breves palavras sobre "Aquarius". É bem aquele caso em que um filme é muito maior do que a persona pública de quem o criou. Já com os demais títulos, tenho muitos problemas, especialmente "Arrival" e "Julieta", este um Almodóvar que me soou em total descompasso com um texto com a discrição do tom de crônica que ele nem sempre domina.

E que apreço tenho por Amy Adams, mas não considerei 2016 um grande ano para ela - sabiamente, o senhor deve ter ignorado "Batman Vs. Superman". Pra mim, foi o ano de Isabelle Huppert e Sonia Braga.