02 setembro 2016

Aquarius

Aquarius - Kleber Mendonça Filho - 2016 (Cinemas)

No aniversário de 70 anos, enquanto ouve discursos exaltando sua idade, qualidades e momentos passados, Tia Lucia olha os móveis de sua casa e relembra as cenas de sexo que ali foram feitas com o amor de sua vida, um homem casado.

Na resenha de O Som ao Redor (2012) profetizei, sem falsas modéstias, que Kleber Mendonça era um grande nome do cinema nacional: "mostra uma caligrafia de cinéfilo..., é uma estréia digna de grandes nomes, e o cinema brasileiro anseia por eles".

Aquarius possui, tecnicamente falando, grandes qualidades, mas, sem duvidas, a melhor delas é o roteiro escrito pelo cineasta, a realidade dos diálogos, a interpretação visceral graças a essas falas, a divisão em capítulos "participantes" (sensacional), e a amarração da história são dignas de Quentin Tarantino, especialista no ramo.

Difícil encontrar alguém nesse filme fora do tom. Não sei se houve preparação de elenco, ensaios, ou outras técnicas, o que fica são interpretações extremamente convincentes e adequadas, de Sonia Braga ao filho do ex-vizinho da protagonista que se encontram na praia, passando por um sempre competente Irandhir Santos, habitué das películas do diretor e ao, vejam vocês, Humberto Carrão, ex-malhação. Todos, sem exceções, merecem menção equiparada a Sonia, a eterna Dama do Lotação (1978).

Porém Kleber peca em alguns momentos da edição, parecendo que foi finalizado às pressas, e na repetição, principalmente em arranjar motivos para a protagonista não aceitar sair e vender seu apartamento. É como um professor que repete achando que os alunos não entenderam e acabam se alongando desnecessariamente. Precisa confiar mais na inteligência do brasileiro!

Um comentário:

Kamila disse...

Assisti a "Aquarius" no final de semana passado. Não assisti a "O Som ao Redor", então minha primeira impressão do cinema de Kleber Mendonça Filho foi bastante positiva. O diretor fez um filme, de certa maneira, econômico em palavras, mas forte em imagens e na atuação de Sônia Braga. Se eu pudesse resumir o filme em uma frase seria "uma bela obra sobre resistir".