31 março 2016

Juventude

Eu vi um filme seu. Aquele em que você é o pai que não conhece o filho, e o conhece numa lanchonete quando ele já tinha 14 anos. Tem um diálogo que gosto muito, quando seu filho diz: "Porque você não foi um pai para mim?" E você responde: "Não me achava capaz". Naquele momento entendi algo muito importante. Ninguém no mundo se sente capaz. Então não há razão para se preocupar.

Youth - Paolo Sorrentino - 2015 (Nos Melhores Cinemas do País)

Aposentado, o Maestro Fred Ballinger (Sir Michael Caine, soberbo) passa seus dias num spa na Suíça observando e conhecendo hóspedes e evitando qualquer tipo de trabalho. Até que um insistente produtor da Rainha da Inglaterra lhe convida para reger uma orquestra e a renomada soprano Sumi Jo no aniversário do Príncipe Philip, seu marido, um apaixonado pela obra do legendário músico, e ocasião também onde lhe dará a ordem de cavalheiro da coroa britânica.

O produtor do palácio de Buckingham só não sabe que o Maestro não trabalha mais por uma simples razão! Uma simples canção! Uma simples composição! Simple Song!

Paolo Sorrentino tem um ídolo. Quase uma obsessão chamada Federico Fellini, que qualquer bom dicionário mostrará que trata-se do sobrenome do cinema. Fellini morreu em 1993, mas por isso muitas pessoas o consideram imortal. O cinema de Fellini continua vivo nas obras de Sorrentino. Suas imagens, sua forma de conduzir, seus planos elegantes, suas imagens bizarras, seus "Felliniescos" e seu desenvolvimento para revelar uma história é toda devotada no surreal e genial cineasta italiano. Ver as obras de Sorrentino é muito mais que voltar ao passado, é saber, ter a certeza que os grandes continuam e continuará nos conduzindo por sonhos maravilhosos capazes de deixar qualquer coração cinéfilo permanentemente feliz.

Fellini tinha um jeito peculiar de fazer seus filmes, eles simplesmente brotavam de seus sonhos e eram desenhados logo ao acordar, num primeiro esboço. Paolo Sorrentino parece sonhar acordado. A cena em que o maestro Fred Ballinger rege uma orquestras de vacas ao som da trilha mágica, impecável e histórica de David Lang, parece ter saído de uma reencarnação espírita.

Juventude é uma odisseia, uma tecelagem de emoções que nos leva ao que parece ser o santo graal da vida, a busca eterna, como a própria personagem de Harvey Keitel (não menos soberbo), o cineasta Mick Boyle, em determinado momento profetiza: "Dizem que as emoções são supervalorizadas, mas isso é besteira. Emoções são tudo o que nós temos".

3 comentários:

Kamila disse...

Vou ser bem sincera quando digo que nunca assisti nada de Paolo Sorrentino. Sei que tem 'A Grande Beleza' no Netflix e vou tentar corrigir, em breve, essa lacuna que tenho, como cinéfila. :)

Museu do Cinema disse...

Kamila, em breve falarei mais sobre o maravilhoso cinema de Paolo Sorrentino!

cleber eldridge disse...

Gostei de todos os filmes do Sorrentino, mas esse ele se superou e não no lado bom ... achei lento, chato, enfadonho e nem mesmo o elenco salva o filme, uma pena.

https://filmefalado.wordpress.com/