07 janeiro 2015

Melhores 2014

Julianne Moore pode um dia interpretar a presidente Dilma, sem sotaque, gaguejando e nem assim acharemos caricatural ou estranho, lhes garanto. Julianne já fez uma atriz pornô, uma sapatona (desculpe, lésbica), uma interesseira arrependida, uma candidata a vice pirada, até Jodie Foster ela deu vida. Senhores, Julianne é maior que Meryl! Em Mapa para as Estrelas (2014), o filme doidão de David Cronenberg, ela enlouquece, a gente.

O ano de 2013 terminou com uma promessa, Ninfomaníaca (2013), o filme com cenas pornográficas do cineasta Lars Von Trier. E a promessa viria a ser realmente uma coisa boa em 2014. Além das pornografias, a película traz um estudo complexo sobre sexualidade, culpa, religião e arte.

O ano também trouxe um antigo cineasta numa boa forma que mais ninguém esperava. Martin Scorsese voltou a ser o velho Scorsa de Caminhos Perigosos (1973) Os Bons Companheiros (1990) e menos de Os Infiltrados (2006) e A Invenção de Hugo Cabret (2011) com o maravilhoso e hilário O Lobo de Wall Street (2013). Acabou sendo o filme mais pirateado do ano, nada mal para um senhor de 72 anos.

David Fincher mostra cada vez mais ser um dos gênios da sétima arte moderna. Pegou um livro de uma escritora nova e crítica de TV e transformou-o em um espetáculo cinematográfico. Garota Exemplar (2014) consegue virar menção num currículo de obras-primas.

O Capital Humano (2014) é um filme virtuoso, bem filmado, bem interpretado, um roteiro simples, direto e excelente, e ainda por cima é italiano!

Porém quem fez a coisa certa mesmo em 2014 foi à cineasta neozelandesa Jane Campion. Presidindo o júri de Cannes ela outorgou a palma de ouro pro turco Sono de Inverno (2014), um filme cheio de diálogos, lento, com algumas poucas locações externas, e islâmico muçulmano. No dia de hoje em que extremistas islâmicos mataram 12 pessoas que trabalhavam num jornal que publicava charges satíricas sobre religiões, esse filme torna-se obrigatório para os poucos humanistas que ainda restam.

4 comentários:

Kamila disse...

Me arrependo muito de não ter visto "Garota Exemplar" na grande tela.

Júnior Borges disse...

Esse blog sempre me ensinou um pouco a mais de cinema, somo tudo o que vejo a tudo o que leio acerca dos filmes a que credito o mínimo de qualidade, e aos diretores que julgo competentes.

Só acho triste o fato de 2014 ter sido tão parado, tanto para o cinema em larga escala (fato que deve se tornar mais comum ano após ano), e do blog não ter criticado obras que se valeram de críticas positivas para atingir um status que por vezes não lhe era cabível.
Ora, se o título do blog é "Museu do Cinema", resgatar obras memoráveis não me parece implausível. Ademais, todo e qualquer elogio a quem sabe ser sucinto nas suas críticas (bem se vê que não é o meu caso).

Que em 2015 o MDC esteja mais presente, a qualidade aqui reina.

Museu do Cinema disse...

Muito obrigado Júnior, realmente vc tá coberto de razão, e assumo minha preguiça para resgatar obras que condizem mais com o nome desse blog, mas são criticas como a sua que fazem que levemos isso adiante.

Alex Gonçalves disse...

Concordo com o Júnior quanto a ausência do Museu do Cinema em 2014. Força, camarada! Reserve duas horinhas para o espaço de duas em duas semanas que já será um belo presente. Quanto aos destaques , concordo totalmente sobre "O Lobo de Wall Street" (esse é o Scorsa que eu cresci admirando!) e, claro, os dois volumes de "Ninfomaníaca", ainda mais certeiros na versão do diretor. Julianne Moore? Só gostaria que a sua consagração não rolasse com um filme tão televisivo e desonesto quanto "Still Alice".