A escolha de Fincher pode parecer precoce, mas vendo sua filmografia mais atentamente podemos notar algo de extraordinário nesse norte-americano nascido em 1962 em Denver, no Colorado. O cineasta começou dirigindo filmes comerciais para Nike, Coca-Cola, Budweiser, Heineken, Pepsi, Levi`s e AT&T. Fã de Butch Cassidy & The Sundance Kid (1969), Fincher também dirigiu vários vídeo clipes para artistas como Michael Jackson, Madonna (no famoso “Vogue”), Sting, Rolling Stones, Aerosmith, George Michael e The Wallflowers. Mais sua primeira experiência foi na televisão, com o diretor John Korty – responsável por vários filmes para TV, no telefilme Twice Upon a Time (1983) como diretor de efeitos fotográficos.Depois, David Fincher trabalhou para a ILM (Industrial Light & Magic), a conhecida produtora de efeitos especiais de George Lucas, ajudando em obras como Star Wars e Indiana Jones, e de lá saiu para dirigir comerciais e vídeo clipe. A propaganda foi à influência mais pesada na carreira do diretor, seus filmes têm o visual e a agilidade da publicidade, sem falar na sua produtora, a Propaganda Films, uma referência aos filmes dos anos 40 responsáveis por difundir uma idéia, em especial a da guerra e dos inimigos alemães, leia mais aqui.
Seu estilo inovador é encarado (e há uma grande discussão sobre isso), como um neo-noir (o que eu concordo inteiramente), mas outros o consideram um diretor de filmes com estilo publicitário. Mas vejamos, segundo o cineasta Paul Schrader, no livro “Notes on Film Noir” (1972), “um filme noir usa técnicas que enfatiza perda, nostalgia, lacunas e insegurança”, e mais tomadas com cenas noturnas e roteiros onde o suspense prevaleça. Veremos nessa retrospectiva que os filmes de Fincher, Se7en (1995), Vidas em Jogo (1997), Clube da Luta (1999) e Quarto do Pânico (2002), tem muitos elementos de filme noir. Falaremos também do malfadado Alien³ (1992), seu primeiro e negativo filme de longa-metragem, de Zodíaco (2007), O Curioso Caso de Benjamim Button (2008), e A Rede Social (2010).
Referências ao estilo “propaganda” também se encontra em seus filmes, cortes rápidos, fotografia publicitária, efeitos digitais perfeitos e inovadores, trilhas incidentais e planos abertos e fechados em seqüências são já marcas registradas de se trabalho.
David Fincher mudou um pouco o conceito de cinema noir, dando-lhe uma cara atualizada. Usou novos elementos para dar mais dramaticidade a trama, o cineasta conseguiu ultrapassar a barreira de que filmes noir seriam filmes de época, passados nas décadas de 40, 50, 60 e 70. Vidas em Jogo (1997), um suspense de cores escuras, consegue ser atual, conservando a aura noir de um Pacto de Sangue (1944). Nada mais apropriado, já que Fincher é mesmo um inovador e adepto das novas descobertas e tecnologias, como a Fluid Tracking Camera, uma câmera que desliza sobre trilhos “macios”, uma câmera que não faz movimentos bruscos. Essa câmera pode chegar em qualquer lugar, uma inovação na era digital em movimentos de câmera cujos pioneiros foram David Fincher e Kevin Haug (talvez inspirados pelos avanços anteriores de Max Ophuls e Stanley Kubrick).
O cineasta pode ser visto como ator em dois filmes de amigos seu, Quero Ser John Malkovich (1999), de Spike Jonze e Full Frontal (2002), de Steven Soderbergh.
24 comentários:
A escolha não é precoce, Cassiano! David Fincher é um dos melhores cineastas desse "boom" dos anos 90, que inclui M. Night Shyamalan, Michael Mann, Spike Jonze, Sam Mendes e... Paul Thomas Anderson, vai. Nada comparado ao "boom" dos 70, que trouxe Spielberg, Scorsese, Coppola, De Palma, Lucas, etc... mas é um cenário otimista.
E espero ansiosamente por ZODÍACO!
Abs!
Considero David Fincher um dos melhores cineastas do momento que trabalham com filmes de suspense, além de ser um dos mais ousados. Mesmo que tenha feito o mais fraco dos “Alien’s” e dado um rumo patético ao interessante “Vidas em Jogo”, ele sabe como poucos criar um angustiante clima de tensão e surpresas. O novo “Zodíaco” tem tudo para ser o novo “Seven” de Fincher.
No final de semana comento se algum filme do cineasta por postado por aqui. Abraços!
Sim Otávio, sinto que vc tem um receio em gostar do P. T. Anderson, vá em frente, ele é gênio mesmo.
Quanto a comparação dos "boom's" como vc citou, achei interessante, poderiamos brincar com eles:
COPPOLA - SAM MENDES
SPIELBERG - SHYAMALAN
SCORSESE - TARANTINO
DE PALMA - FINCHER
LUCAS - P. T. ANDERSON
Valeu Alex, mas Vidas em Jogo tem um final maravilhoso!
É sim, esse cineasta é muito bom! ZODÍACO tem tudo pra ser um dos filmes do ano!
Mas acho que P.T. Anderson não tem nada a ver com o George Lucas (tá mais pra Kubrick), e o Tarantino tá mais para De Palma...
abração!
É... deixei o Tarantino de fora. Esqueci:-0
E é uma lista que "salva" a Hollywood dos próximos anos.
Mas e nessa década? Só vejo a maturidade de Clint Eastwood... talvez Peter Jackson e Sam Raimi (e pq não Zack Snyder?) entre os novos "caras" do entretenimento. Outros nomes? Stephen Daldry, George Clooney...
Abs!
Otavio, Sofia Coppola é a revelação da década!
Túlio, Tarantino é Scorsese total! Nada a ver com De Palma! O P. T. Anderson não tem nada a ver mesmo com o Lucas, mas foram os que sobraram...
Otávio, dessa sua lista só tiro o Eastwood...O Clooney é uma esperança!
Túlio, cineasta revelação! SOFIA! concordo!
Ugh!
Eu acho que sim Otávio, eu gosto do estilo dela, mesmo assim, se não gostasse teria que dá minha mão a palmatória, ela consegue ter estilo próprio, revelação sem dúvida.
Mas por exemplo, da sua lista não gosto do Sam Raimi e do Peter Jackson, mas tenho que concordar que são dois nomes de peso e referenciais no cinema norte-americano, mas odeio o estilo e os filmes dos dois.
Um dos meus diretores preferidos, aguardo com muita ansiedade "Zodíaco". Dele ainda não vi "Vidas em Jogo", mas os outros são ótimos (também não gostei muito de "Alien 3", mas ainda assim é um bom filme). Seus melhores são "Seven" e "Clube da Luta", não consigo me decidir entre algum dos dois.
Abraço!
Eu gosto muito de Vidas em Jogo Vinicius, claro que Clube da Luta é barbada, mas acho que Vidas em Jogo é o Jackie Brown de Fincher.
De Palma lembra mais a grande fase de Oliver Stone (“Platoon” lembra um pouco de “Pecados de Guerra”).
E particularmente, achei que Fincher tinha muitas artimanhas para entregar um desfecho brilhante em "Vidas em Jogo", mas optou pelo pior caminho. De qualquer maneira, o filme tem Deborah Kara Unger roubando todas as atenções, o que torna as coisas simplesmente melhores rsrsrsrs...
Que coincidencia vc postar sobre esse cineasta, vi o trailer de "Zodiac" hj no cinema, e parece que a coisa vai ser boa..Espero que sim, pois desde "Clube da Luta" ele nao fez nada relevante que comprove o grande talento que vi nele desde o inicio(odeio "o quarto do panico")
Adoro "Seven".
Hahaha estou com o Tulio. Adoro a Sofia Coppola. E ver uma mulher nessa lista interminavel de marmanjos eh uma satisfacao. Tomara que ela nao me decepcione no futuro.
Ah, sim! Tem razão, Cassiano! Não gosto dela. Mas tenho que reconhecer o estilo próprio da Sofia. Mas não vejo isso obrigatoriamente como sinônimo de qualidade. Mas não deixa de ser uma revelação (para o bem ou para mal).
Ah! Escrevi lá no blog sobre ANNIE HALL - comédia romântica clássica e reflexiva, que nasceu bem antes de LOST IN TRANSLATION (mas sem fazer comparações, claro). Acredito que vc já viu esse do Woody, né?
Abs!
Cassiano, a escolha de David Fincher não é nada precoce. Ele é o meu cineasta favorito atualmente.
Acho que ele tem um estilo único, uma marca e consegue fazer filmes que captam realmente a essência dos dias em que nós vivemos atualmente.
Vou adorar ler a análise que você vai fazer sobre o trabalho dele.
É Alex, Vidas em Jogo tem a linda Deborah Unger, mas o filme é perfeito.
Romeika, realmente ver uma mulher como a Sofia no meio de um lugar para homens é uma satisfação enorme.
Otávio, conheço sim Annie Hall, gosto muito do Woody Allen.
Kamila, obrigado pelo comentário, como vc vê aqui pelos outros comentários, o Fincher é um cineasta que os cinéfilos são fã, isso é a melhor prova do talento dele, a precocidade de sua escolha é mais pelos poucos filmes ainda (5), do que pelo talento!
Romeika, amo² Sofia Coppola. Tudo o que ela toca, pra mim, vira ouro. MARIA ANTONIETA é o melhor filme do ano, e periga dividir a posição dos melhores da década com outra obra-prima, ENCONTROS E DESENCONTROS.
Bjãozão!
Bom Túlio, ainda não vi Maria Antonieta, tô doido para ver, mas aqui nada ainda, da Sofia prefiro o primeiro e excepcional Virgens Suicidas!
Fã Clube da Sofia Coppola!
Tb prefiro "As Virgens Suicidas" a "Encontros e Desencontros", Cassiano. "Maria Antonieta" fica espremido entre os dois. Dificil julgar. Acho que amo todos os filmes dela hehe
Tulio, que bom que vc tb adorou o filme;)
Bom dia!
Adorei ver o David Fincher dentre outros diretores consagrados no cinema mundial.
Sempre tive um carinho especial por seus filmes.
Vidas em jogo é ótimo, tenho que concordar, mas Clube da luta é completo! Para mim, amante da psicanálise, o filme foi um grito do inconsciente humano. Espetacular. Em geral, sou mais crítica ao roteiro, mas a técnica de filmagem é impressionante também. A trilha sonora...
Quanto à Sofia Coppola, apesar de eu não ser diplomada no assunto, acho que reunir diversas técnicas, misturá-las feito milk-shake não é ter estilo próprio. Os diálogos são confusos, o que não torna os roteiros de todo ruim pois nós seres humanos somos paradoxais, mas não custa nada caprichar!
Mas da galera mais nova, Tarantino é sem dúvida o diretor mais criativo e competente! Não me surpreende que seja um excêntrico!
A proposito, achei o blog por acaso, já está em meus favoritos, conte com minha presença sempre, adorei! Sucesso!
Priscila,
Muito obrigado pelos comentários e pelo favorito.
Vejo que és craque no assunto, concordo com tudo o que disse, ressaltando que acho a Sofia uma grande diretora, mas que ainda não se achou completamente, em estilo e técnica.
Adorei seu comentário " ...o filme foi um grito do inconsciente humano". Acho que é bem por ai mesmo. Ele discute consumismo, individualismo e violência como se fossem questões primordiais numa sociedade alienada.
Seja bem vinda sempre.
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