19 julho 2007

Martin Scorsese

Martin Scorsese

Ninguém pode saber ou mesmo adivinhar qual filme inspirará um diretor, escritor, ator, novelista, pintor. Eles têm que descobrir isso por si mesmos”.

O ator imóvel olha fixamente. A câmera o pega de longe, de corpo inteiro e, de repente, parte em sua direção rapidamente parando exatamente na sua nuca. O gênio dos trilhos, herança de sua paixão pelo cinema musical, e do slow motion. Scorsese é uma espécie de Truffaut norte-americano, adorado pela crítica e pelo público, com a mesma intensidade. Martin é um dos responsáveis pela grande virada do cinema de Hollywood na década de 70, juntamente a Steven Spielberg, Brian De Palma, Francis Ford Coppola, George Lucas e John Cassavetes, no meio independente.

Inspirado pela pintura barroca de Caravaggio e pela música dos Rolling Stones, esse cinéfilo descendente de italianos ministrou uma aula sobre cinema no 60º Festival de Cannes, em um auditório onde se via Quentin Tarantino, um fã confesso do estilo do diretor. Para Scorsese, nascido em um bairro de imigrantes italianos de Nova York, a paixão pelo cinema nasceu naturalmente: "Primeiro me senti atraído por alguns filmes, quase sempre pelos atores. Depois, veio uma obsessão por colecionar, primeiro esses filmes, depois qualquer filme, e depois os cartazes". Ele também lembrou seus estudos de cinema em Nova York, embora com uma mensagem muito clara: "Só se pode aprender a fazer cinema fazendo, dirigindo essencialmente, mas também trabalhando em outros ofícios", entre eles montagem, que aprendeu em seu começo.Após suas primeiras obras, o diretor conseguiu que seus pais pensassem que se dedicar ao cinema não era uma idéia tão louca, "porque havia gente que tinha gostado" de seus filmes. A carreira teve seu início fazendo filmes B na produtora de Roger Corman, em que aprendeu algo essencial: "Disciplina, ir ali e fazer meu trabalho, embora não tivesse vontade, sobretudo pelas manhãs".

É notória sua preferência por escalar atores amigos, primeiro foi Harvey Keitel, atualmente é Leonardo Di Caprio, mas sua parceria mais comentada e bem sucedida foi mesmo com Robert De Niro. Apresentados pelo cineasta Brian de Palma durante uma ceia de Natal, Scorsese não nega sua proximidade ao ator: "Ambos éramos de origem italiana e desde o princípio nos sentimos muito à vontade".

A violência que caracteriza muitos de seus filmes vem do fato de ele ter crescido em uma região muito violenta de Nova York. Scorsese foi um dos convidados de honra neste ano em Cannes. Lá foi apresentado seu projeto da World Cinema Foundation para proteger o patrimônio cinematográfico ameaçado por falta de fundos para conservá-lo. Uma iniciativa que demonstra sua preocupação com o futuro do cinema.

Como parte dessa retrospectiva, o próximo post trará um dos primeiros curtas-metragem do diretor, The Big Shave (1967), um filme de um pouco mais de 5 minutos que traz uma fobia masculina muito comum.

É com muita honra que Martin Scorsese entra para nossa galeria. A partir de hoje faremos uma espetacular revisita a todos os seus filmes já lançados em DVD no Brasil. Quem Bate a minha porta? (1967), Caminhos Perigosos (1973), Alice não mora mais aqui (1974), Taxi Driver (1976), New York, New York (1977), A Última Valsa (1978), Touro Indomável (1980), O Rei da Comédia (1983), Depois de Horas (1985), A Cor do Dinheiro (1986), A Última Tentação de Cristo (1988), Contos de Nova Iorque (1989), Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991), A Época da Inocência (1993), Cassino (1995), Kundun (1997), Vivendo no Limite (1999), Gangues de Nova Iorque (2002), O Aviador (2004), Bob Dylan – No Direction Home (2005), Os Infiltrados (2006), A Ilha do Medo (2010), A Invenção de Hugo Cabret (2011), O Lobo de Wall Street (2014) e Silêncio (2016). Contarei com a ajuda de vários amigos cinéfilos blogueiros também apaixonados por esse maravilhoso cineasta. Convido a todos a entrarem no fascinante mundo do cinema de Martin Scorsese.

Adicionado em 12/12/2007. (Veja também aqui o filme feito pelo cineasta para o espumante Freixenet. Alias, cinema e vinhos é uma combinação ótima).

14 comentários:

Otavio Almeida disse...

Sem palavras! Seja bem vindo de volta, Cassiano!

Vc sabe que adoro Martin Scorsese! Inclusive de seus últimos trabalhos. Já falamos tanto sobre isso...

E eu queria ver aquele doc. sobre o Bob Dylan. Ainda não encontrei. Só pra venda.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Otávio,

E espero que falemos mais sobre Scorsese novamente, andei revendo todos os seus filmes, inclusive Os Infiltrados para fazer essa retrospectiva, ele tem altos e baixos, mas por incrivel que pareça sou mais fã dos baixos do que dos altos.

Se você quiser colaborar Otávio, sendo fã como vc é, por favor junta-se a mim, isso vale a todos, é só escolher o(s) filme(s) que quer resenhar e me dizer.

Marcus Vinícius disse...

Nossa... junto com Kubrick e Kurosawa, Scorsese forma o alto escalão dos meus diretores favoritos. Bah, além dos filmes espetaculares, o cara aprecia e respeita a música a boa música, como se vê em The Last Waltz, No Direction Home e provavelmente, no documentário sobre os Stones. Tio Marty manja do negócio. E muito.

Bem vindo de volta amigo tricolor. Até mais!

Kamila disse...

Cassiano, belíssima maneira de voltar. Uma retrospectiva com um dos maiores nomes do cinema será um prazer de se ler. Mal posso esperar pelos próximos posts.

Museu do Cinema disse...

É isso ai Marcus, vc citou três pesos pesados com certeza, como gremista percebe-se logo que tens bom gosto.

Museu do Cinema disse...

Pois é Kamila, tinha que voltar assim para compensar né?

Felipe Nobrega disse...

Puxa, primeira visita a seu blog e o achei muuutio interessante, li ele completo. o comentário em O Tigre e A Neve é ótimo, entre ouros que você faz.
Um abraço e voltarei mais vezes.
Agora sobre esse post: você não acha que Scorsese meio que se entregou a uma empreitada de "querer por querer" ganhar um Oscar, e todos só pensavam que só faltava isso para ele ser um diretor completo. Pois afinal, faz alguma diferenaça esse prêmio, pensando que ele devria ter ganaho com obras de pesoa efetivamente como: Os Bons Companheiros, Taxi Driver e Touro INdomável?
que vc acha?

Museu do Cinema disse...

Felipe, primeiro obrigado pelos elogios.

Quanto ao Scorsese o meu pensamento é igual ao seu, acho que ele se entregou mesmo a essa obsessão do Oscar, ele é gênio há muito tempo e não foi a estatueta quem me disse isso ou precisou comprovar isso. Vc ainda citou 3 filmes que são obras-primas puras, completaria com Cassino. Um nome como Stanley Kubrick, que tem várias obras-primas e nunca precisou do Oscar.

Mas enfim, foi uma escolha pessoal dele, uma obsessão que ao meu ver começou em 1974 e que espero que tenha se encerrado, de qualquer forma ficam as belas obras-primas que ele nos entregou.

Seja bem vindo Felipe!

Otavio Almeida disse...

Bom, posso escrever sobre OS INFILTRADOS mesmo. Ou A COR DO DINHEIRO. Deixa A COR DO DINHEIRO comigo. Esse é menos falado.

O q acha?

Abs!

Romeika disse...

Cassiano, um excelente post pra marcar a sua volta aqui no Museu do Cinema! Não vi toda a filmografia do Scorsese, mas os filmes dele que já assisti permaneceram na minha memória (com exceção de "O Aviador", que pouco se assemelha ao estilo Scorsese de se fazer cinema, na minha opinião).

Sortudos os que assistiram essa aula de cinema em Cannes!

Museu do Cinema disse...

Ok Otávio, vc manda, mande para mim A Cor do Dinheiro e Os Infiltrados.

A Cor do Dinheiro é um filmão, acho que vou dar alguns pitacos, se não se importar...

Romeika, grato, eu concordo contigo sobre O Aviador. Essa aula de cinema deve ter sido genial mesmo.

Vinícius P. disse...

Scorsese é meu diretor favorito e só tem trabalhos acima da média. Para mim seu melhor é "Touro Indomável", seguido de perto por "Taxi Driver" e "Os Bons Companheiros".

Museu do Cinema disse...

Tb adoro esses três filmes Vinícius!

Roberto Queiroz disse...

Oba, vou passar aqui mais vezes! Scorcese é um mestre, sem dúvida, único num estilo que à primeira vista pode ser simples de fazer, mas não é... Comparar Won-Kar-Wai em alguns filmes a ele (acho exagero, apesar de curtir muito o cineasta asiático). Até hoje, por incrível que pareça para um cinéfilo scorcesiano, não vi Caminhos Perigosos (uma mancha indelével em meu currículo). Mas é questão de tempo e eu encontro ele.

(http://claque-te.blogspot.com): Últimos Dias, de Gus Van Sant.