13 dezembro 2013

Azul é a cor mais Quente

La Vie d’Adele – Abdellatif Kechiche – 2013 (Cinemas)
Eu sempre penso na cultura francesa como a maior inimiga da cultura norte-americana, e vice-versa. Alguns fatos corroboram para essa opinião, mas é no cinema o maior termômetro dessa disputa silenciosa. O cinema francês é autoral, realista, verborrágico e crítico, enquanto o estadunidense é industrial, ficcional, corporal e leve, os que fogem do estilo de Hollywood são inspirados pelo cinema da terra da bastilha: Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Terrence Malick, entre outros, com exceção de um nome.
Steven Spielberg
É dele a chancela desse filme francês vencedor da palma de ouro desse ano.
A vida de Adele do titulo original, é baseado no quadrinho Azul é a cor mais Quente de Julie Maroh, já lançado no Brasil. Discorre sobre a vida da adolescente Adele (Adèle Exarchopoulos) e sua descoberta da sexualidade. O filme é apresentado como tendo 2 volumes e possui quase 3 horas de duração, o que acaba perdendo o foco na discussão central e se alongando desnecessariamente.

O trio principal, Adele, Abdellatif Kechiche e Léa Seydoux são os talentos, apesar das brigas, insinuações de maus tratos, e posteriores desmentidos, a sinergia desses três é o ponto alto da película. A entrega das personagens dificulta o público separar o real do fictício, principalmente nas cenas de sexo – as garotas usaram vaginas postiças para dar mais realidade às tomadas – e isso demonstra a paixão pelo cinema deles, é uma produção que abusa do real para explorar nossa percepção da narrativa.

2 comentários:

Kamila disse...

Gostei do seu texto, que me confirma a impressão que eu tinha sobre "Azul é a cor mais quente". Este me parece ser um filme que suscita sensações no espectador. Estou muito curiosa para assistir a esta obra.

Alex Gonçalves disse...

Gostei muito de "Azul é a Cor mais Quente". Realmente, é difícil distinguir em certa etapa da história o que soa ficcional e real. Acredito que isso vem muito da direção de Kechiche, pois ele cria um nível de aproximação quase insuportável. Imagino que foi um trabalho muito duro para as atrizes, que a todo o momento lidam com a proximidade da câmera que capta cada traço de suas faces. Não gosto somente de alguns descuidos narrativos da segunda etapa da história. Alguns acontecimentos transcorrem de modo muito atropelado. Vale a pena dar uma espiada nos quadrinhos da Julie Maroh. Embora a história seja inferior àquela do filme, os traços da artista são belos.