31 julho 2012

Terrence Malick


Uma lagoa recebe os primeiros raios de sol de uma manhã ainda nublada. Cercada de árvores a água lentamente reflete a natureza que a cerca, e dança devagar ao som dos pássaros. Uma voz cansada, ritmada e afirmativa é ouvida em off: “Em que momento passamos a dar mais valor ao mundano?”. A voz se cala enquanto a paisagem muda para um cavalo negro galopando num campo verde, a câmera lenta segue os passos do animal tirando-lhe a pressa. Novamente a voz: “Quando nos tornamos cínicos e frios para toda essa poesia?

Aos 36 anos Terrence Malick tinha o mundo do cinema aos seus pés; Foi laureado em 1979 com a palma de ouro do festival de cannes como melhor diretor por seu segundo filme, Dias de Paraíso (1978) – sendo que o primeiro foi totalmente independente. E estava contratado pela Paramount para dirigir um filme grandioso sobre a vida que se chamava Q.

Foi nesse momento que Malick se isolou, sumiu, abandonou o cinema e se refugiou em Paris, recluso.

Nascido em 30 de novembro de 1943 em Waco, Texas, EUA. Malick trabalhou como ajudadante de fazendeiro até graduar-se em filosofia em Harvard. Após um curto periodo em Oxford voltou aos estados unidos para lecionar no conceituado M.I.T e escrever artigos como jornalista freelance para Life, Newsweek e The New Yorker. Em 1969 foi aceito na primeira classe do American Film Institute, financiando seus estudos reescrevendo roteiros de filme como Dirty Harry (1971) e Drive, He Said (1971) dirigido por Jack Nicholson. Após se graduar, Terrence Malick ganhou seu primeiro crédito como roteirista pelo filme Meu Nome é Jim Kane (1972) com Paul Newman e Lee Marvin.

Um ano depois o cineasta fez seu début com Terra de Ninguém (1973), um projeto independente, experimental pelo qual Terry rejeitou as ofertas dos grandes estúdios.

32 anos se passaram e Terrence Malick viu seu projeto denominado Q, derivado de Qasida, vencer o festival que havia mudado sua vida.

Farão parte dessa revisita a filmografia do cineasta todos seus filmes, Terra de Ninguém (1973), Dias de Paraíso (1978) Além da Linha Vermelha (1998), O Novo Mundo (2005) e A Árvore da Vida (2011).

Durante uma entrevista, o veterano ator Christopher Plummer revelou que nunca voltaria a trabalhar com Malick porque o cineasta tem problema em seguir roteiros – é notória a história de que Adrian Brody fora contratado para protagonizar Além da Linha Vermelha (1998) e mal se vê no filme. Plummer tem quase 200 filmes em sua filmografia, deve ter sido dirigido por mais de 100 diretores diferentes que seguem roteiros. Sem consultas eu não consigo relembrar um que seja digno de menção aqui.

4 comentários:

Kamila disse...

O Malick é um cineasta hippie, idealista, que valoriza longas tomadas poéticas e cheia de simbolismos. Acho que ele merece respeito porque faz os filmes que acredita, do jeito que acredita, sem fazer concessões à indústria cinematográfica. Profissionais como ele são raros no cinema...

Museu do Cinema disse...

Gostei do hippie Kamila, apesar desse termos ser muito aberto. Mas acrescentaria o talento que possui.

Alex Gonçalves disse...

Sei que Terrence Malick realiza seus filmes sem um roteiro previamente concluído, mas não sabia dessa queixa do Christopher Plummer sobre o cineasta e muito menos essa curiosidade sobre a presença de Adrian Brody em "Além da Linha Vermelha" (filme que ainda não vi, apesar de tê-lo no acervo). O que mais me intriga é o motivo de Malick ser um sujeito tão recluso. Sabe-se que ele detesta a imprensa, mas haveria alguma razão pessoal para ele viver tão isolado do mundo?

De qualquer forma, fico feliz que atualmente ele esteja envolvido em nada menos do que quatro projetos. É uma grande mudança para um realizador que já ficou nada menos do que vinte anos sem filmar.

Alex Gonçalves
http://blogcineresenhas.wordpress.com/

Museu do Cinema disse...

Não acho que ele viva ou tenha vivido isolado do mundo, acredito que como muitas outras pessoas, inclusive Woody Allen, ele deseja ser mais low-profile, o que está conseguindo agora.