29 janeiro 2013

O Mestre

The Master – Paul Thomas Anderson – 2012 (nos melhores cinemas do país)

Se você descobrir um jeito de viver sem um mestre, qualquer mestre, certifique-se de deixar-nos a par disso, você será o primeiro na história da humanidade.

O PROCESSO

Quando se define o auge da carreira de um cineasta? E esse topo seria sobre o conteúdo ou sobre a forma? Qualquer discussão sobre isso é mera especulação. É só pegarmos a carreira de cineastas excepcionais e tentarmos rotular que a tarefa será ingrata e inapta.

Em O Mestre, sexto filme de Paul Thomas Anderson, são inúmeras cenas onde se pode notar a presença de Michelangelo Antonioni e seu Profissão: Repórter (1975), a começar pela cena que ilustra esse post, mãos abertas sob o mar, igual a Jack Nicholson. Outra que me recordo é quando Freddie vai à casa da namorada Doris, enquanto é entrevistado por Dodd e seu gravador trocando o áudio das cenas.

O PRIMEIRO MESTRE

Desafio você leitor a encontrar um texto sobre o filme em que não cite a brilhante atuação de Joaquim Phoenix e seu inclassificável Freddie Quell. È espetacularmente assustador.

O MESTRE

Vou me posicionar ao contrário da maré. Quem carrega o filme é Philip Seymour Hoffman. O Mestre é um filme polêmico que PTA resolveu amenizar para não causar uma verdadeira perseguição religiosa, e acredite seria uma guerra (lembrem-se que ninguém queria produzir esse filme), entretanto o diretor californiano preferiu jogar nas costas de seu ator que mais confia toda a carga de suas verdadeiras intenções. Lancaster Dodd é sério, bonachão, inteligente, manipulador, seguro, raivoso, planejador, intuitivo, sereno e artístico, enquanto Freddie é só louco.

Baseado no fundador da cientologia L. Ron Hubbard, a personagem de Hoffman cativa todos os tipos de sentimentos em nós. E não poderia ser diferente, afinal um homem como Hubbard que criou uma seita com milhões de seguidores, tem em sua personalidade características tanto que o atraem como o repulsam. E é isso que fazemos o tempo todo na interpretação de Philip Seymour Hoffman.

O LIVRO 2

Filmando pela primeira vez sem seu parceiro Robert Elswit, e usando filme 65mm que há 16 anos não é utilizado, manipulando a mão para combinar com a edição digital, o resultado é soberbo. Juntando a trilha de Jonny Greenwood temos mais uma obra-prima, somando as outras três, Boogie Nights (1997), magnólia (1999) e Sangue Negro (2007). O Mestre é dividido nas interpretações masculinas, e é correto afirmar que é um filme de homens, mas duas pontuações devem ser feitas, ou melhor, serem relembradas. Amy Adams com suas cenas em que tenta controlar a loucura de Freddie e manter seu marido no terreno materialista do casamento enquanto lhe masturba. E Laura Dern numa quase ponta de 2 ou 3 cenas, como uma seguidora estudiosa e colaboradora. É dela a cena que melhor representa a crítica de PTA à cientologia.

4 comentários:

intratecal disse...

PTA não erra... grandes expectativas.

Estou curioso em relação a filmagem em 65mm

Kamila disse...

Grande resenha crítica, Cassiano! Sei que você é suspeito para falar do cinema de Paul Thomas Anderson, mas eu confio na sua chancela para "O Mestre". Estou bem curiosa para assistir a este filme, que parece ser complexo, mas muito, muito bem realizado pelo seu diretor/roteirista com o apoio desse elenco sensacional!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila.

Victor Nassar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.