08 outubro 2007

Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson

Vindo da geração do vídeo-cassete, P. T. Anderson é da nova safra de cineastas norte-americanos que além de terem estilo próprio, compõem um seleto grupo de cinéfilos que herdaram, dos grandes gênios do cinema de Hollywood, a batente para levar em frente à indústria do ponto de vista artístico.

Anderson produz com suas películas imagens onde a luz, os enquadramentos e a tonalidade da fotografia são constantemente mudados seguindo o modelo definido no roteiro, técnica que adquiriu em casa, vendo VHS de gênios como Robert Altman e Sidney Lumet, principalmente Rede de Intrigas (1976), seu filme preferido. Dono de uma estética invejável e um verdadeiro coreógrafo de cenas, Paul Thomas Anderson tem a sensibilidade de um Nanni Moretti e a força de um Martin Scorsese, de quem herdou o gosto pelo uso das fontes de luzes em suas películas e os closes rápidos.

Sua câmera percorre a cena de forma ensaiada e pré-determinada, Anderson sabe o que mostrar de cada tomada e principalmente como mostrar, uma marca registrada em sua filmografia. Takes longos, aberturas da Íris da câmera no efeito in e out e longas cenas sem cortes, bem ao estilo Brian De Palma, fazem dele um diretor singular. O uso das músicas em seus filmes, além de freqüentes, são editadas de acordo com a cena. Amigo de Quentin Tarantino e fã de Scorsese, Jonathan Demme e discípulo de Altman, PTA é o dono da cadeira número 15 da Sala Vip do Museu do Cinema, e terá suas obras revisitadas nos próximos dias numa retrospectiva que tentará dissecar seus filmes; Jogada de Risco (1996), Boogie Nights (1997), magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002), Sangue Negro (2007) com sua avant-première no original There Will Be Blood (2007), e O Mestre (2012).

Sua herança artística veio do pai, Ernie Anderson, mais conhecido nos Estados Unidos como Ghoulardi, um show de terror que passava na TV na década de 60, e hoje nome da produtora de PTA. Ernie participou do primeiro filme do filho, Jogada de Risco (1996), morrendo um ano depois de complicações de um câncer. No próximo post, um inacreditável "comercial" do homem do colchão, Mattress Man Commercial (2003). Um curta feito após o filme Embriagado de Amor (2002) com Phillip Seymour Hoffman dando uma de dublê.

16 comentários:

Vulgo Dudu disse...

Falou tudo! Onde eu assino?

PT é um dos grandes talentos que ainda vai nos presentear com excelentes filmes. Eu lembro quando vi "Boogie Nights". Fiquei maravilhado! Uma temática inovadora, direção segura e excelentes atuações. Foi quando o Marky Mark percebeu que aposentar o microfone era uma boa idéia.

Abs.

Ramon Scheidemantel disse...

Opa... mravilha!
Vamos aguardar a revisão, então.
Sinceramente, nunca prestei muita atenção em suas obras. Porém adorei Boggie Nights e de uma forma diferente também gostei de Magnólia.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Dudu, realmente o Marky Mark recebeu um professor em tanto ali, tb acredito que PTA será um grande nome do futuro, e já o é no presente, Boogie Nights e Magnólia numa mesma lista é sacanagem.

Ramon, acho então que você vai adorar a revisita, tentei mesmo tirar todas as referências, e são muitas, de todos os filmes dele.

Kamila disse...

Cassiano, não sou a maior fã do PT Anderson. Gosto muito de "Magnolia" e de "Boogie Nights", mas acho "Embriagado de Amor" péssimo.

Mesmo assim, espero com ansiedade seu novo trabalho, o "There Will Be Blood", cujo trailer é muito bom mesmo.

E também será um prazer ler a retrospectiva da obra desse diretor e roteirista, o mais novo integrante da seleta Sala Vip do Museu do Cinema.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, sabe que eu pensava como vc? Não tinha gostado muito do Embriagado de Amor, mas já era fã de PTA desde Boogie Nights, tinha visto Jogada de Risco antes de ir ao cinema ver Boogie.

Magnólia então nem se fala, e ai veio Embriagado, não gostei desde o inicio, Adam Sandler!? Vi e não gostei, achei estranho e louco.

Ai veio novamente Magnólia e percebi que o filme é perfeito, ele não tem defeitos, é um trabalho de um gênio detalhista e perfeccionista, resolvi novamente rever Embriagado, e olha Kamila, ele tá longe dos outros três, mas é um bom filme, é uma história de amor simples, mas humana.

É mesmo dificil, talvez Lynchiniana demais, mas vale dá uma segunda chance.

Romeika disse...

Dele vi "Boogie Nights" e "Magnólia", dois filmes que gostei, principalmente o segundo, que é ótimo. Mas não o consideraria um dos meus cineastas favoritos.

Museu do Cinema disse...

Romeika, eu acho que 3 filmes é o que contam para se transformar um diretor em cineasta.

Do PTA não perco nada, e sou o primeiro da fila em suas estreias.

Rogerio Scheidemantel disse...

Desses q citasse, só vi o Magnolia e o trailer de There Will be Blood.
Entao pra mim, ele está com 100% de aproveitamento, pois os dois sao otimos.
Legal, vai ser bom conhecer um pouco dele, principalmente pelas comparaçoes com DePalma.

Museu do Cinema disse...

Rogério, onde vc estava q não viu Boogie Nights?

Bom, a comparação com DePalma é nas longas tomadas sem cortes, e para ai, apesar de DePalma ser gênio também!

Kamila disse...

Cassiano, vou tentar dar uma segunda chance ao "Embriagado de Amor".

Museu do Cinema disse...

Vale a pena Kamila, a já que gostou dos filmes anteriores, algo saiu errado nesse.

Rogerio Scheidemantel disse...

Putz, pois eh, lacuna cinéfila gigantesca. Mas pretendo acabar com ela qualquer hora.

Se ficar nas tomadas longas, pra mim já é suficiente, pois sou maluco por essa técnica.
Ainda ontem revi umas tres vezes a cena de "Untouchables" da morte do Malone, uma das minhas cenas preferidas do cinema.

Otavio Almeida disse...

Cassiano, o que eu posso te dizer é que seu texto está magnífico. Ah! E que o trailer de THERE WILL BE BLOOD impressiona. Prometo analisar o novo filme do diretor com total atenção e carinho.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Rogério, aquela cena impressiona realmente, a câmera por vezes interpreta o assassino, genial, boa lembrança.

Otávio, obrigado, eu tb acho que There Will be Blood será um filmão.

Vamos aguardar.

Vinícius P. disse...

Sem dúvida um dos meus cinco diretores preferidos. Desde "Jogada de Risco" (engraçado que vi todos os seus filmes em ordem cronológica, mesmo fazendo isso a partir de 2002) percebi algo diferente em seu estilo, algo que se concretizou em "Boogie Nights". "Magnólia" dispensa comentários (é meu filme favorito em todos os tempos) e "Embriagado de Amor" também é muito bom. Dizem que "There Will Be Blood" é uma obra-prima - tomara!

Museu do Cinema disse...

Legal Vinicius, tb é meu caso, só que vi Jogada de Risco um pouco antes, ainda quando foi lançado em VHS na época.