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Mostrando postagens de janeiro, 2010

Invictus

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Invictus – Clint Eastwood – 2009 (Cinemas) William Ernest Henley foi um poeta britânico do século 19. Filho de um vendedor de livros aos 18 anos teve que sustentar a mãe e seus irmãos mais novos, após a morte do pai. Dois anos antes ele escreveu um poema que o marcou para sempre. O nome do poema era Invictus (do latim invencível), e ele foi escrito na cama do hospital onde se encontrava internado para ter a perna amputada. Invictus é o novo filme do cineasta Clint Eastwood , que tem se tornado um especialista em contar histórias reais carregadas de dramaticidade, mas coberta com o verniz de sua educação, sua personalidade ilibada e, principalmente, pelas escolhas que fez na vida. Clint se tornou hoje em Hollywood um ícone de elegância nos gestos e nas palavras. Um homem carregado de cultura, mas forte de modéstia. Um diretor que usa o quase sussurro para dirigir. E assim são seus filmes mais recentes. Prestes a completar 80 anos, Clint Eastwood nos traz a história de Nelson Mandela, ...

Amor sem Escalas

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Up in the Air – Jason Reitman – 2009 (Cinemas) Vamos ser práticos. Ponto negativo: Previsibilidade. Ponto positivo: Anna Kendrick. Imagine por um segundo que você está carregando uma mochila. Coloque nela todos os DVDs de filmes que você já viu na vida. Agora tire todos os fracos e que não lhe trouxeram nada de interessante. Sente a alça pesando sobre seus ombros? Up in the Air é um filme do gênero Cameron Crowe . Talvez o mais correto seria ele fazer esse filme, Jason, por mais esforçado que seja, nunca vai estar no primeiro escalão hollywoodiano. Porém Jason é honesto, apesar de que aqui ele se leva a sério demais, ao contrário de Juno (2007) e Obrigado por Fumar (2005). Jason se levou a sério demais por mexer no excelente livro que deu origem ao filme, que mostra o protagonista pegando um câncer, fatalidade que se mostra encaminhada pela vida que ele leva. Jason resolveu apagar isso no seu roteiro e quebrou a finalidade. Enquanto isso, a película se transforma em veículo para Geo...

O Desprezo

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Le Mépris – Jean-Luc Godard – 1963 (DVD) - Sempre que ouço a palavra cultura, eu pego meu talão de cheques. (Jeremy Prokosch – o produtor) - Alguns anos atrás, alguns terríveis anos atrás, os nazistas usavam um revólver ao invés do talão de cheques. (Fritz Lang – o diretor) Ao fundo se enxerga a silhueta de uma mulher lendo um livro e sendo acompanhada, no seu lado esquerdo, por uma equipe de filmagem no trilho. Os créditos iniciais começam a surgir e são narrados pela inconfundível voz do diretor Jean-Luc Godard . Com essa introdução original Godard nos avisa que seu filme não vai seguir o protocolo. Normal, vindo de um dos criadores da nouvelle vague . Inspirado na novela Il Disprezzo do escritor romano Alberto Moravia , O Desprezo foi aclamado pela crítica e considerado um dos grandes filmes do genial e provocativo cineasta. A película traz uma participação inusitada e especialíssima, a do diretor alemão Fritz Lang , interpretando a si mesmo. Carregado do universo do cinema, rod...

Vício Frenético

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Bad Lieutenant: Porto of Call New Orleans – Werner Herzog – 2009 (Cinemas) Não vou assistir Avatar . É a minha decisão. A menos que apareça uma cópia pirata em minhas mãos, emprestada obviamente, não verei a maior bilheteria da humanidade e um filme que mudará a estética do cinema. Apesar de tudo isso, e das informações maravilhosas de pessoas que respeito me dizem, minha decisão é que não vou colaborar com 1 centavo, nada, para fazer desse filme o que ele já é. Avatar não é cinema. Custou 300 milhões de dólares. E teve o retorno dessa quantia em 2 semanas de exibição. Falam que Avatar tem um apelo mais do que bem vindo de ecologia. Ora, se ele é um dos filmes mais caros já produzido, como pode ser ecologicamente correto? Façam o que falo, mas não façam o que faço? Comecei a falar de Avatar para justificar minha ida aos cinemas para ver Vício Frenético . Sim, se trata de uma refilmagem, apesar do diretor querer bater em quem diz isso – declara que a questão do nome foi coisa de produ...

Cena de Cinema

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A Vida é Bela (La Vita è Bella – Roberto Benigni – 1997 – DVD) INTERNA. SALÃO DO GRAND HOTEL. NOITE. O violoncelista da orquestra pede a atenção de todos na festa e anuncia a entrada do bolo etíope. Quatro camareiros negros descem as escadarias do salão do Grand Hotel carregando o bolo colorido com um avestruz, de ovo na boca, adornando a parte de cima. Todos os convidados da festa aplaudem. Um zé ruela faz a saudação nazista. A principessa fica impassível. O bolo é colocado atrás dela e de seu noivo. O relincho de um cavalo corta o som do ambiente, e os aplausos. Guido adentra o recinto com seu inconfundível sorriso. Ele é quem está montado no cavalo. Todos, boquiabertos, não entendem nada. Ainda mais que o cavalo está pintado de verde marcador de texto. Arte de outros zé ruelas. Um champagne prestes a ser estourado é dado a Guido (como se trata de uma fábula que mal há nessa pequena inverdade?) O zé ruela continua na saudação. Guido para com o cavalo em frente à principessa. O champ...

Melhores de 2009

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Não acho que 2009 tenha sido um grande ano para o cinema. Para mim foi, não me lembro de ter visto nenhum filme ruim, ou minha memória anda fraca, ou aprendi a escolher o que ver. Mesmo assim ainda acho que a produção de 2009 deixou a desejar. Claro que muitos filmes não chegaram aqui, culpa das distribuidoras que cada vez mais tentam prever o gosto dos clientes, e culpa dos clientes que cada vez mais estão com gosto duvidoso. 2009 foi o ano das superproduções. Mas enfim, vamos falar de coisa boa. Nessa minha lista dos cinco melhores, quase virou sete, tentei espremer o que de melhor foi feito no cinema em termos de roteiro, interpretação, direção e conseqüentemente, filme. Confesso que deixei dois de fora, porque se tornou tradição escolher apenas cinco, e convidei a melhor atuação do ano para divulgá-los. Agora nos resta escolher o melhor dos cinco. Não tenho como fugir do óbvio, Bastardos Inglórios é o melhor filme do ano, vejo isso não só aqui como na maioria dos blogs co...

A Vida Íntima de Pippa Lee

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The Private Lives of Pippa Lee – Rebecca Miller – 2009 (Cinemas) - Acho que não deve contar isso a ninguém. - Tentarei não contar. - Tentará não contar? - Um dia posso deixar escapar sem querer. - Acho que descobri o que é tão estranho em você. Não consegue mentir, não é? Rebecca Miller é filha do dramaturgo Arthur Miller e esposa de Daniel Day-Lewis, Pippa Lee é seu quarto filme, e foi baseado em livro de sua própria autoria. O grande trunfo do filme é Rebecca, a escritora, e o principal defeito é Rebecca, a diretora. A autora consegue traduzir sentimentos e carrega um grande peso de forma leve e centrada, chegando até a ter traços de Pedro Almodóvar . A cineasta usa do clichê (começar o filme no presente e ir voltando ao passado – de cada 10 filmes em Hollywood, 5 usam esse artifício), e abusa das insinuações que, em determinado momento, por repetir demais, acabam se tornando corriqueiras. O filme, como diz o título, segue a vida de Pippa (Robin Wright Penn – sensacional) uma senho...