18 janeiro 2013

Django Livre


Django Unchained – Quentin Tarantino – 2012 (Cinemas)

Broomhilda (Kerry Washington) é o nome de uma personagem na mais popular de todas as lendas alemãs. Broomhilda foi uma princesa. Ela era filha de Wotan (Leonardo DiCaprio), o Deus de todos os Deuses. De qualquer forma, o pai dela está muito bravo com ela. Então, ele a coloca no topo de uma montanha, e coloca um dragão cuspidor de fogo (Samuel L. Jackson) lá para guardar a montanha, e ele a cerca em um circulo de fogo do inferno. E lá, Bromhilda deve permanecer, a menos que um herói surja, corajoso o suficiente para salvá-la. Surge então Sigfried (Jamie Foxx), ele escala a montanha porque não tem medo dela. Ele mata o dragão porque não tem medo dele. Ele atravessa o fogo do inferno porque Broomhilda vale à pena.

Quando Calvin Candie (Leo) explica, com um crânio a sua frente, os três buraquinhos que diferenciam a subserviência dos negros ao dos brancos. Quentin Tarantino cai na armadilha que lhe tornou gênio, a dos diálogos que entraram na história do cinema. Falamos respectivamente do diálogo do siciliano de Amor a Queima Roupa (1993), escrito pelo cineasta, e a conversa sobre ratos de Bastardos Inglórios (2009). Por alguma razão ela não funcionou aqui.
Tarantino segue com seu obstinado sonho de refazer – criar um material mais divertido – a história. Se em Bastardos ele mostrou que Hitler foi morto dentro do cinema por uma cinéfila por natureza vingadora. Em Django ele cria um justiceiro negro, bom no gatilho, para matar os escravocratas do sul dos Estados Unidos.

Na trilha sonora o diretor mantem a parceria com Luis Bacalov e Ennio Morricone, esse reeditado com músicas feitas para outros filmes. Ficou engraçado captar o momento em que Quentin usa as músicas do Maestro, é quase infalível.

Algumas curiosidades:

♣ Jamie Foxx usou seu próprio cavalo, Cheetah, no filme. Na cena final ele demonstra seu adestramento.

♣ O título e algumas passagens da película foram inspiradas em Django (1960), um western spaguetti com Franco Nero.

♣ Tarantino revelou que as personagens de Jamie Foxx e Kerry Washington foram escritas para serem tetravós da personagem John Shaft do filme Shaft. Uma referência a isso é o nome da personagem de Kerry, Broomhilda Von Shaft.

♣ Na cena em que DiCaprio confronta Christoph Waltz e Foxx ele realmente machuca a mão batendo na mesa. Leo continua representando e Tarantino resolveu usar a cena.

♣ A roupa azul de Django é baseada na famosa pintura “The Blue Boy”. Essa pintura já havia inspirado F. W. Murnau em uma película homônima. Murnau é conhecido como o criador da técnica de câmera “unchained”.

♣ Franco Nero faz uma participação especial no filme usando luvas, uma referência ao original Django onde a sua personagem, no final, tem a mão esmagada por mexicanos por ter se tornado ladrão.

♣ Nero interpreta um homem no bar da personagem de DiCaprio que pergunta o nome da personagem de Foxx que explica: “o D é mudo”, ao que ele responde: “Eu sei”.

2 comentários:

Kamila disse...

Assisti a "Django Livre" hoje e acho que a maior armadilha de Tarantino foi cair no excesso. Excesso de duração, excesso de violência, excesso de amor... Uma pena!

rafael assis disse...

Quentin é excesso! me cite um filme dele que não há exageros? Ele é extraordinário! Django sabe ser engraçado, violento, romântico e vingativo. um filme excelente!