28 Abril 2010

O Filho da Noiva

El Hijo de la Novia – Juan José Campanella – 2001 (DVD)

Rafael Belvedere (Ricardo Darín) é dono de um restaurante em Buenos Aires que herdou dos pais. Estressado com os problemas do dia-a-dia, com a ex-esposa que regula seu horário de ver a filha, e com a atual namorada, Rafael recebe o pedido do pai, Nino (Héctor Alterio), para casar-se com sua mãe, Norma (Norma Aleandro) que sofre com o mal de alzheimer.

Depois de assistir O Segredo do seus Olhos (2009), fui tomado por uma vontade de rever os dois outros famosos filmes do cineasta Juan José Campanella, e tive agradáveis surpresas. O Filho da Noiva é um filme que parece ser dirigido pelo excepcional Roberto Begnini, história de amor carregada de humor, leve mais marcante.

Campanella, que faz uma ponta interpretando o médico que socorre Rafael, é o nome mais em evidência do cinema argentino, não só pelo prêmio da academia esse ano, mas por suas duas películas anteriores. O cineasta escalou Ángel Illarramendi como compositor da trilha sonora, que é um dos destaques do filme, isso sem falar na atuação do trio principal, Darín, Aleandro e Alterio, principalmente Norma que merecia muito mais holofote do que recebeu.

Segue abaixo uma receita de um tiramisu (especialidade do Sr. Nino Belvedere), obviamente usando o melhor mascarpone que existe.

INGREDIENTES:
500g de queijo mascarpone; 250ml de café sem açúcar; 125g de açúcar; 4 gemas; 2 claras, 1cx de biscoito champagne e ½ dose de rum.

PREPARO:
Bater as gemas com o açúcar na batedeira até obter um creme esbranquiçado. Em outra vasilha bata as claras em neve. Misture o mascarpone com o creme das gemas e açúcar. Por último, adicione as claras em neve e incorpore levemente com ajuda do batedor. Misture o café com o rum. Molhe os biscoitos nessa mistura e coloque numa vasilha. Cubra com uma camada de aproximadamente 2cm de creme de mascarpone. Repita a operação e finalize com o creme. Leve para gelar e na hora de servir polvilhe cacau em pó peneirado.

Ah, antes que me perguntem não faço a menor idéia de quem é Dick Watson, mas se você ficar assistindo ao filme após os créditos finais você poderá saber quem é.

22 Abril 2010

magnólia facts

“Se fosse num filme, eu não acreditaria”. Eis a frase de Paul Thomas Anderson na obra-prima magnólia. Dia após dia ela torna-se cada vez mais clichê. Com essa intenção, inauguro hoje uma nova sessão no blog chamada magnólia facts. Aqui buscaremos notícias, ou as notícias buscarão filmes onde possamos traçar um paralelo da vida real à sétima arte.

Para começar uma notícia quentíssima, de Salvador, publicada no jornal Correio da Bahia de 22 de abril de 2010. Chicleteiro e líder do tráfico no Calabar é preso na Micareta de Feira. A informação diz que o traficante foi preso pela polícia no carnaval fora de época de Feira de Santana, cidade vizinha a Salvador. Chama atenção a frase do preso “Estava lá de boa quando teve uma confusão perto de mim e os policiais fizeram a batida. Fui ver o chiclete e dancei”.

No filme O Segredo dos Seus Olhos (2009), Sandoval, o ajudante do oficial de justiça Benjamím, diz a seguinte frase: “As pessoas podem mudar tudo: de cara, de casa, de família, namorada, religião, de Deus. Mas há uma coisa que não se pode mudar. Não se pode trocar de paixão”. Sandoval fala isso porque acha que o estuprador que procuram é apaixonado pelo Racing, time de futebol argentino, e para capturar o assassino eles devem procurá-lo no estádio, no jogo do time.

15 Abril 2010

Seleção Oficial Cannes 2010

Another Year, de Mike Leigh (Reino Unido) – Drama do famoso cineasta inglês com o parceiro Jim Broadbent;

Biutiful, de Alejandro Gonzalez Inarritu (Espanha/ México) – Drama psicológico com Javier Bardem;

Burnt by the Sun 2, de Nikita Mikhalkov (Alemanha/ França/ Rússia) – Filme do ator e diretor russo Nikita Mikhalkov;

Certified Copy, de Abbas Kiarostami (França/ Itália/ Irã) – Drama com Juliette Binoche;
Fair Game, de Doug Liman (EUA) – Thriller com Sean Penn e Naomi Watts sobre ex-agente da CIA;

Hors-la-loi, de Rachid Bouchareb (França/ Bélgica/ Argéria) – Drama de guerra argeriense;

The Housemaid, de Im Sang-soo (Coréia do Sul) – Thriller dramático e psicológico sul-coreano;

La nostra vita, de Daniele Luchetti (Itália/ França) – Comédia italiana com Raoul Bova, de Baaria;

La Princesse de Montpensier, de Bertrand Tavernier (França) – Filme de época com Lambert Wilson;

Of Gods and Men, de Xavier Beauvois (França) – Lambert Wilson novamente, dessa vez num filme de guerra;

Outrage, de Takeshi Kitano (Japão) – Policial japonês do queridinho de Cannes, Takeshi Kitano;

Poetry, de Lee Chang-dong (Coréia do Sul) – Drama sul-coreano que fala sobre a doença de Alzheimer;
A Screaming Man, de Mahamat-Saleh Haroun (França/ Bélgica/ Chade) – Drama belga;

Tournee, de Mathieu Amalric (França) – Comédia dirigida pelo excelente ator francês de O Escafandro e a Borboleta;
Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives, de Apichatpong Weerasethakul (Espanha/ Tailândia/ Alemanha/ Reino Unido/ França) – Filme tailandês;

You, My Joy, de Sergey Loznitsa (Ucrânia/ Alemanha) – Filme ucraniano.

12 Abril 2010

Propaganda: Burger King

Para divulgar os novos horários de abertura das lojas da rede norte-america de fast-food Burger King, a agência de publicidade Tonic homenageou os grandes vilões dos filmes de terror hollywoodiano, Jason Voorhees (Sexta-feira 13), Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo), Chucky (Brinquedo Assassino) e Ghostface (Pânico).

08 Abril 2010

O Segredo de Seus Olhos

El Secreto de sus Ojos – Juan José Campanella – 2009 (Cinemas)

T E M O

Os olhos falam. Os olhos falam demais, melhor que se calem. Às vezes é melhor não olhar.

Baseado no livro La Pregunta de Sus Ojos de Eduardo Sacheri, a película peca um pouco no roteiro e direção, com algumas falhas gritantes que comentarei abaixo para quem viu, mesmo assim consegue ser um excelente filme, prender nossa atenção do inicio ao fim e ser um exemplo de história bem contada.

Juan José Campanella, diretor, produtor e editor da película, flerta novamente com o noir, como já havia feito no filme exportação Conspiração Sedutora (1997) com Aitana Sanchez Gijon, Denis Leary e Terence Stamp. Dessa vez ele situa o filme na sua Argentina, talvez o país que mais curta o gênero/movimento depois dos franceses. Campanella é o cineasta de mais sucesso entre nossos hermanos atualmente. O Filho da Noiva (2001) e Clube da Lua (2004) criaram bastante burburinho por aqui. O Segredo de Seus Olhos é a maior bilheteria da história do cinema argentino.

As pessoas podem mudar tudo: de cara, de casa, de família, namorada, religião, de Deus. Mas há uma coisa que não se pode mudar. Não se pode trocar de paixão.

Benjamín Espósito (Ricardo Darín – colaborador de longa data do cineasta) acaba de se aposentar como oficial de justiça e deseja escrever um romance. Para isso, ele retoma um caso de estupro que investigou há 25 anos juntamente com seu colega Sandoval (Guillermo Francella) e a juíza Irene Menéndez Hastings (a atriz e cantora portenha Soledad Villamil).

A trilha sonora merece destaque, muito bem feita pelos argentinos Federico Jusid e Emilio Kauderer. Agora vamos as falhas.

A primeira falha gritante é obviamente a ótima cena do plano sequência. É impossível encontrar alguém por foto no meio de um estádio entupido de gente, pode até ser feito, com uma fila após o jogo, porém nunca como foi mostrado. O outro erro é a direção pesada do cineasta para mostrar o romance dos protagonistas. Na primeira tomada já observa que existe um interesse entre os dois, o que só deveria ser percebido mais a frente, um pena, pois poderia criar uma história de amor ainda muito mais bonita.

07 Abril 2010

Cena de Cinema

O Segredo de seus Olhos (El Secreto de sus Ojos – Juan José Campanella – 2009 –Cinemas)

O plano aberto mostra ao longe o estádio de futebol lotado com os refletores ligados. A trilha é de orquestra com coro ritmado. O locutor passa em sua voz a euforia do momento que parece contagiar a todos. O plano chega cada vez mais perto do estádio. O verde límpido do gramado já pode ser visto, quase que sentimos seu cheiro. Descobrimos que o jogo já começou. O plano agora mostra os jogadores de cima, são quase bonecos de videogame. O plano tende a se centralizar no campo. Na trave! A bola some. O plano passa o gramado e invade as arquibancadas do estádio lotado. Muitas mãos. O plano passa a focalizar nosso protagonista, Espósito, meio deslocado no meio da multidão. O plano dá um giro de 90° para mostrar seu amigo e colega Sandoval por entre os torcedores, com uma foto na mão e procurando um rosto na multidão. Parece que acharam uma agulha no palheiro, quase que literalmente. O plano segue, parece ter adotado a visão deles que procuram uma pessoa no meio de milhões. Alarme falso. O plano também se decepciona, e se distraí. Deixa eles irem pelo povo e fica parado em frente a um torcedor. Opa, eles estão voltando, viram algo, mas como? Estão olhando pra nós. Não, não, é para o sujeito que está no primeiro plano. É ele, é ele, é ele. É gol, é gol, é gol! O plano treme, o estádio treme. E o suspeito foge. Corre atrás dele. O plano corre. Steadycam! Escadas, muros, labirinto de concreto. Perdemos. Plano descansa. Opa. Algo aconteceu lá em cima. Steadycam! Sobe as escadas, entra no banheiro. Porta 1, nada, porta 2 nada, porta 3, porta 3, o suspeito. Bum! Pegamos! Que nada. Pelo menos agora o plano pegou ele. Deixa eles para trás, vamos correr atrás do suspeito. Steadycam! É acho que não tem como escapar, vamos olhar em vez de correr atrás. Ele vai saltar um muro grande, vamos acompanhá-lo de perto. Machucou o pé, mas ele não desiste. Vai entrar no campo. Não acredito, em pleno jogo. Steadycam! Entra junto. Vaias do estádio inteiro. Tropeço no jogador. E tem um corpo estendido no chão! Plano-sequência também se estende, parece cansado. Fim.
Veja aqui os bastidores dessa cena e veja como tudo foi feito.

05 Abril 2010

Direito de Amar

A Single Man – Tom Ford – 2009 (Cinemas)

Lista do que esperar de um filme feito pelo renomado estilista norte-americano Tom Ford:
- Figurino impecável
- Beleza estética
- Foco no homossexualismo sem estereotipar
- Foco no homossexualismo sem levantar bandeiras

Uma das melhores direções de fotografia do ano. Uma aula de fotografia cinematográfica feita pelo espanhol Eduard Grau. A Single Man é impecável nos quesitos técnicos, incluindo ai figurinos e direção de arte e cenários numa perfeita reconstituição de época.

Baseado no livro do autor britânico Christopher Isherwood e adaptado para o cinema por David Scearce e pelo próprio Tom Ford, que ainda dirige, produz e bancou do próprio bolso os custos da produção, o filme relata um período da vida do professor universitário George Falconer (Colin Firth) quando recebe a noticia da morte do companheiro Jim (o excelente Matthew Goode) e busca apoio com a amiga Charley (Julianne Moore – sempre ótima), entre flashbacks e mudanças de cronologia, muito bem feitas.

Firth possui aquela atuação impecável, de premiação garantida. Gostaria muito de saber onde andam as pessoas que elogiaram a escolha de Sean Penn em detrimento a Mickey Rourke, porque elas se calaram diante da injustiça ao inglês. Seria então preconceito a Rourke.

Tom Ford surpreende por trás da câmera, seu domínio, sutileza e ângulos demonstram que é um diretor pronto.