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Mostrando postagens de julho, 2010

O Deserto Vermelho

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Il Deserto Rosso – Michelangelo Antonioni – 1964 (DVD) - Porque a fumaça é amarela? - Porque é tóxica. - Então se um passarinho voar nela morre? - Mas os passarinhos já sabem e não passam mais nela. O diálogo entre mãe e filho do final do filme é revelador da alma de O Deserto Vermelho , sugestivo e sensível. Giuliana (Monica Vitti – o enigma em forma de mulher) é uma mulher neurótica casada com o engenheiro industrial Ugo (Carlo Chionetti). Após sofrer um estranho acidente, ela está às voltas em abrir uma loja. Numa visita a fábrica onde o marido trabalha, ela conhece Corrado (Richard Harris), e se sente atraída por ele. O primeiro trabalho de fotografia colorida de Michelangelo Antonioni é também o marco inicial de uma de suas principais características, o uso da cor para expressar sentimentos das personagens, e não à toa o filme usa-o até no título. O Deserto Vermelho é amarelo (perigo), verde (renovação), bege/rosa (calma, tranqüilidade), branco (artificial, mentiroso), cinza (ex...

Parábola do Mês

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A menina morava numa ilha. Ficar entre os adultos a aborrecia e dava medo. Os rapazes da sua idade não a agradavam por isso estava sempre só. Entre as gaivotas e os coelhos selvagens. Tinha descoberto uma pequena praia afastada onde o mar era transparente e a areia rosa. Adorava o lugar. A natureza tinha cores lindas e nada fazia barulho. Ia embora ao pôr do sol. Certa manhã surgiu um veleiro. Os barcos que passavam por lá eram geralmente diferentes. Este era mesmo um veleiro! Dos que atravessavam os mares e tempestades do mundo todo, e talvez fora do mundo. Visto de longe fazia efeito, de perto parecia misterioso. Não se via ninguém a bordo. Ficou perto por pouco tempo e logo começou a virar, se afastando, silenciosamente, como havia chegado. A menina estava habituada aos caprichos dos homens, nem ligou. Mas apenas chegou à margem, eis que... Um mistério, sim, dois não. Quem cantava? A praia estava deserta. Mas a voz estava ali. Ora perto, ora longe. Houve um momento que pareceu vir d...

O Eclipse

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L’eclisse – Michelangelo Antonioni – 1962 (DVD) Gostaria de não amá-lo ou amá-lo muito melhor. Para Antonioni, que estava obcecado filmando um documentário sobre o eclipse do sol em Florença, existe um significado importante nesse acontecimento da natureza: “Tudo o que consigo pensar é que, durante o eclipse, provavelmente até os sentimentos ficarão parados”. E, de algum modo, o filme surgiu daí. Alguma certeza deve porém existir, se não a de amar bem, ao menos a de não amar. Depois de 3 anos de relacionamento, Vittoria (a eterna musa de Michelangelo Antonioni , Monica Vitti) e Riccardo (Francisco Rabal) decidem terminar a relação, apesar dele ainda querer alguma coisa, o esgotamento emocional da relação deixam os dois exaustos e o ponto final é a única solução. Vittoria parte atrás da mãe, uma investidora compulsiva, na bolsa de valores, lá não conseguem conversar direito, e ela acaba conhecendo o corretor Piero (Alain Delon) e surge um interesse romântico. O dinheiro é o elemento ext...

A Noite

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La Notte – Michelangelo Antonioni – 1961 (DVD) - Aonde vai? Espere um pouco. Vamos conversar. Conte-me algo. - Mais tarde venho cobri-la e contar uma linda fábula. - Finja que já estou na cama. - Mais tarde... Contarei a história de um eremita. Intelectual, é claro. Por anos ele se alimentou de orvalhos, e na cidade deram-lhe vinho, e ele tornou-se um alcoólatra. Os créditos iniciais são mostrados através de um elevador que parte de fora de um grande edifício de Milão. O vidro e o concreto rodeiam a cidade abaixo, é a deixa do cineasta para mostrar que a arquitetura interferirá na sua história. Finalmente Antonioni havia alcançado um lugar de respeito dentro da indústria de cinema italiana. Em A Noite ele pôde filmar em Milão e com atores conhecidos e respeitados internacionalmente, o italiano Marcello Mastroianni, que havia finalizado La Doce Vita (1960) de Federico Fellini , e a francesa Jeanne Moreau que tinha concluído com Louis Malle , Os Amantes (1959). A história se passa em ...

A Aventura

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L’avventura – Michelangelo Antonioni – 1960 (DVD) Claudia experimenta anéis. Tirando e colocando no dedo ela estica o braço para vê-lo numa perspectiva maior. Em seu colo repousa uma caixa que parece estar cheia deles. Ela os olha, mas de repente joga a caixa em cima da cama. Entediada, se levanta sem ter noção de onde ir. Ouve um barulho que a deixa curiosa. Vai até a janela, mas parece não ver direito o que é. Curiosa e rapidamente sai do quarto em direção a outro aposento com uma imensa varanda ao fundo. Ao passar pela porta, sutil e suavemente, deixa a mão se apoiar em sua extremidade. A câmera paralisa e Claudia vai até o fim da varanda ver o que a chamara a atenção. Nós, espectadores, ficamos com a visão da câmera, e quer saber? Vale muito mais a pena. Para a British Film Institute é o segundo melhor filme da humanidade, atrás de Cidadão Kane (1941). Foi escolhido também pela prestigiosa revista Sight and Sound uma das vinte melhores películas do mundo. É considerado a primeir...