30 Junho 2009

The Godfather Family Album

The Godfather Family Album – Duncan Paul e Steve Schapiro – 2009 (Livro)

Em 1972 o fotografo Steve Schapiro estava num lugar onde pouquíssimas pessoas queriam estar. 37 anos depois, o mundo inteiro pagaria para estar nesse mesmo lugar. E hoje nós, simples mortais, podemos ter o prazer de compartilhar (em fotografias) desse momento único na vida de Steve. Acaba de ser lançado, em edição limitada de 1000 exemplares, o livro The Godfather Family Album, da editora Taschen, que reúne as fotografias feitas da trilogia mais famosa do mundo.

O luxuoso livro custa à bagatela de 582 dólares, e já pode ser encomendado na Amazon. Aos poucos algumas fotos estão sendo liberadas pela internet, para aguçar ainda mais os cinéfilos. São, em geral momentos dos bastidores, mas também tem imagens das inesquecíveis e permanentes cenas.

Algumas fotografias são inéditas e pela primeira vez disponibilizadas ao público, ressaltando a imortalidade dessa obra-prima balzaquiana. O Museu do Cinema traz, em primeira mão, algumas dessas relíquias. Um espetáculo da vida.

27 Junho 2009

Há Tanto Tempo que te Amo

Il y a Longtemps que Je T’aime – Philippe Claudel – 2008 (Cinemas)

A pior prisão é a morte do seu filho. E dessa prisão não se sai nunca. Esse é o sentimento de Juliette, e é caracterizado em cada centímetro de expressão do seu rosto. Juliette passou 15 anos na prisão, e agora, em liberdade, recebe o apoio da irmã Léa (Elsa Zylberstein), que tenta ressocializá-la no convívio com sua família.

O tema da reinserção social é uma linha que a película do diretor, mais conhecido como escritor, Philippe Claudel, segue. Porém não é a única linha. Paralelamente, o tema da maternidade passa como uma nuvem de dúvida no espectador. Claudel, um estreante por trás das câmeras, define desde o inicio o foco de seu filme, o rosto da atriz Kristin Scott Thomas, explorado nos materiais promocionais também. Essa escolha é fundamental para manter o mistério da trama e avançar com as duas linhas até seu final, quando se encontram num desfecho sensacional, tanto do ponto de vista da interpretação de Kristin, como pela película.

A atriz inglesa Kristin Scott Thomas, uma das musas desse blog, interpreta uma parisiense sem dificuldades, já que foi casada com um médico francês e mora em Paris desde os 19 anos. É sobre suas costas que o filme cresce e se apóia. Suas expressões são captadas por diversos close-up’s durante as quase 2 horas de projeção. É o papel de sua carreira e ela prova todo seu talento.

Há Tanto Tempo que te Amo é melhor ser visto sem muita informação, ele vai trabalhando o psicológico do espectador a todo o momento, criando não só um clima de mistério, mas uma dúvida permanente e vigiada através dos atos e poucas informações que o diretor vai soltando durante o filme.

26 Junho 2009

Jogo Entre Ladrões

Thick as Thieves – Mimi Leder – 2009 (DVD)

A lição a ser aprendida com o pássaro que entra no museu é que, por melhor que planeje, deve estar pronto para improvisar, pois, eu garanto, algo var dar errado.

Eu gosto de filmes de roubo, mas ao contrário da personagem de Antonio Banderas, eu não vejo apenas filmes de roubo. Jogo Entre Ladrões é mais um do gênero. E quando digo mais um a intenção é mesmo jogar no balaio. É uma boa diversão pra quem gosta desse tipo de película e só.

O filme já nasceu em dúvida, é conhecido como Thick as Thieves, que é também o nome de outro filme de roubo com Alec Baldwin, e The Code, que é o nome de outros milhões de filmes. A criatividade não começou bem.

Porém Jogo Entre Ladrões, um título até razoável nacional, tem um trunfo menosprezado pela diretora-hollywood, é a química entre Banderas e a australiana (outra) Radha Mitchell. Ela ta maravilhosamente sexy e charmosa no filme, vivendo uma advogada protegida pela personagem de Morgan Freeman, e por quem o ladrão vivido pelo astro espanhol se apaixona. A sensualidade quando os dois estão juntos é algo que não se vê no cinema norte-americano há alguns anos já. A Mimi não viu.A diretora nova iorquina Mimi Leder é o que podemos chamar de funcionária padrão. Ela é a queridinha dos grandes estúdios e dos produtores gananciosos. Uma coisa é certa o fracasso de um filme dela, não é sua culpa. O contrário também é verdadeiro.

Radha Mitchell é, de longe, a melhor coisa do filme. Interpretando uma russa, ela ta no papel que mais evidencia seu talento e principalmente sua beleza. Lembro dela em Melinda e Melinda (2004), de Woody Allen, mas sua química com o chato Will Ferrell atrapalhou. Em Jogo Entre Ladrões ela mostra que pode se tornar uma sexy symbol de Hollywood.
A trilha sonora é bem produzida. Atli Örvarsson é o responsável pela trilha incidental, Not Gonna Get Us, da dupla lésbica-não-lésbica, t.A.T.u, faz o momento romântico da dupla.

22 Junho 2009

The Seven Year Itch

Momento Mágico: O Pecado Mora ao Lado (Billy Wilder)

“O Journal American, devidamente informado pelos assessores de imprensa do filme, havia anunciado: ‘É um espetáculo gratuito. A filmagem na rua é aberta ao público, apesar de os trajes de Miss Monroe serem, segundo dizem, bem reveladores.’ À meia-noite, 1.500 espectadores estão na rua, excitadíssimos. A iluminação foi disposta em marquises de prédios. Projetores colossais banham a esquina. Curiosos sobem nos telhados. Fotógrafos espalham-se judiciosamente por todo o lugar. Billy Wilder, com o chapéu de lado, o cigarro dependurado, dá instruções, com certa impaciência. Marilyn está atrasada. Wilder se queixa...A cereja do bolo é que Wilder não pôs filme nas câmeras. Trata-se de um espetáculo publicitário. A cena de verdade seria filmada no estúdio”. (Extraído do livro Marilyn e JFK de François Forestier).

Inauguro com essa foto e esse texto uma nova sessão do blog, que poderá ser conferida ai do lado. Momento mágico é, como o nome define, fotos que representam momentos inesquecíveis, lapidados em mármore permanentemente nas mentes cinéfilas espalhadas pelo mundo. Cinematografia de Milton Krasner.

17 Junho 2009

STONES/SCORSESE

Impossível ouvir os primeiros acordes da guitarra de Keith Richards em Gimme Shelter e não ser imediatamente levado as imagens de Martin Scorsese. É como ouvir as ondas do mar.

Tudo começou em Caminhos Perigosos (1973) com ‘Jumpin’ Jack Flash. Desde lá são quatro filmes e quatorze músicas, com Gimme Shelter aparecendo quatro vezes, só em Cassino (1995) em duas versões, uma delas ao vivo.

A amizade e a parceria ficaram tão próximas que rendeu um filme/show, Shine a Light (2008), dirigido por Scorsese e com performances dos The Rolling Stones e convidados. Veja a lista completa e ouça algumas canções:

Caminhos Perigosos (1973)
- ‘Jumpin’ Jack Flash, ouça aqui.
- Tell Me, ouça aqui.

Os Bons Companheiros (1990)
- Gimme Shelter, ouça aqui.
- Monkey Man.
- Memo from Turner.

Cassino (1995)
- Long long while.
- (I can´t get no) Satisfaction, ouça aqui.
- Heart of Stone, ouça aqui.
- Sweet Virginia, ouça aqui.
- Can´t you Hear me Knocking.
- Gimme Shelter (live)
- Gimme Shelter.

Os Infiltrados (2006)
- Gimme Shelter;
- Let it Loose.

16 Junho 2009

A Vida dos Outros

Das Leben der Anderen – Florian Henckel Von Donnersmarck – 2006 (DVD)

Um prisioneiro inocente vai ficando mais irritado e nervoso com o passar do tempo, enquanto que um culpado vai ficando mais frio e calmo, ou começa a chorar. Ele sabe que está ali por uma razão, e a melhor maneira de estabelecer uma sentença é nunca interromper o interrogatório.

O filme é dividido em duas partes. Na primeira sob a perspectiva de Wiesler (Ulrich Mühe), um investigador bastante requisitado pela Stasi, a polícia secreta da antiga Berlim Oriental. Eles tentam controlar os cidadãos colocando escutas e perseguindo supostos traidores do regime socialista. Respeitado e sério, Wiesler passa a monitorar o dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua namorada, a atriz Christa-Maria (Martina Gedeck).A segunda parte é sob a perspectiva de Dreyman, e essa mudança de panorama é o grande trunfo de A Vida dos Outros, película alemã vencedora do Oscar de 2007. É também a estréia na direção do diretor germânico Florian Henckel, que soube explorar todas as atrocidades cometidas pelo comunismo.

A Vida dos Outros é pontuado ricamente pelo dedilhado de Gabriel Yared, que recebeu uma cópia em francês do roteiro especialmente para produzir seus acordes musicais. Na cena em que Dreyman toca no piano a Sonata para um Homem Bom, Florian pediu a Yared uma composição que, em dois minutos, fizesse-nos esquecer as barbáries nazistas.

Sabe o que Lênin falou sobre Appassionata de Beethoven. “Se eu continuar ouvindo isso, eu não vou terminar a revolução”. Pode uma pessoa que ouve essa música, realmente a ouve, ser uma pessoa ruim?

12 Junho 2009

10 Junho 2009

Angel

Angel – François Ozón – 2007 (DVD)

Quem conhece um pouco da filmografia do cineasta François Ozón sabe que se trata de um cinéfilo. Em suas obras estão homenagens ao cinema musical hollywoodiano, 8 Mulheres (2002), e aos dramas psicológicos franceses, com Sob a Areia (2000). Porém enganam-se quem pensa que seu fascínio o cega. Ozón consegue enxergar onde está a beleza e onde está o defeito, um autor humanista.

Angel é uma ode ao cinema de época inglês que invadiu Hollywood na década de 90. Num primeiro momento funciona como crítica, o diretor usa sua personagem principal para satirizar o gênero – onde as heroínas são todas boazinhas. Angel Deverell (Romola Garai) quebra o protocolo mostrando-se uma mimada e intragável inglesinha do início do século XX. A partir de sua ascensão, Angel se torna uma romancista de sucesso, vamos percebendo qualidades em sua personalidade, e certa ingenuidade.

A película se assemelha bastante em sua narrativa a Barry Lyndon (1975) de Stanley Kubrick, principalmente na questão das personagens principais. São duas obras obscuras do gênero, mas que estão no topo da lista dos melhores.

É o primeiro filme falado em inglês do cineasta francês. Foi baseado no livro homônimo da escritora inglesa Elizabeth Taylor – homônima da famosa atriz norte-americana – um romance satírico que fez muito sucesso no país britânico.

Além do belo roteiro do próprio Ozón, o filme conta com uma rica direção de fotografia de Denis Lenoir carregada de cores fortes em fundos claros. Algumas imagens são sobrepostas numa clara homenagem aos filmes estadunidenses na época de ouro de sua indústria cinematográfica. Podemos vê-la nas viagens pelo mundo do casal e nas andanças de carruagem.

O elenco ainda é recheado de nomes de qualidade, Sam Neill faz o editor de Angel, Charlotte Rampling a esposa do editor, e Michael Fassbender, que estará em Inglourious Basterds, como marido da escritora.

08 Junho 2009

December

Feliz Natal – Selton Mello – 2008 (DVD)

A estréia na direção de longas do ator Selton Mello foi cercada pela polêmica que gerou o manifesto contra a “nudez gratuita” do ator Pedro Cardoso. Tudo por causa de uma cena em que sua namorada, a atriz Graziella Moretto, aparece em nu frontal. Pedro acusou o jovem e iniciante cineasta de exibir sessões privadas do filme a amigos com o intuito de mostrar a atriz pelada. Ciúmes a parte, Feliz Natal é uma bela película que mostra maturidade e uma boa dose de influência do cinema independente norte-americano.

Apesar do ator, e agora diretor, afirmar que sua maior ascendência foi sobre a filmografia de John Cassavetes, fica claro sua intenção em se aproximar de Quentin Tarantino na realidade dos diálogos. Muitas vezes perdido é verdade.

Feliz Natal é um drama emocional e que busca interagir com o psicológico dos espectadores, para isso muitas vezes a câmera busca um close muito perto dos atores. Caio (Leonardo Medeiros) retorna ao convívio familiar depois de excessos da juventude que o afastou do pai, Lúcio Mauro, e da mãe, Darlene Glória. Sua volta se dá no Natal na casa de seu irmão, Paulo Guarnieri.

Segundo Selton, a data emblemática foi uma forma de focar o filme para uma época do ano em que ficamos mais sensíveis. E esse é o grande trunfo da película, além do desenvolvimento psicológico das personagens principais.

04 Junho 2009

David Carradine

"Se não pode ser poeta, seja o poema".
E assim se foi David Carradine, depois de receber o toque dos 5 pontos que Explodem o Coração.
8/12/36 - 4/06/09.

03 Junho 2009

Anjos e Demônios

Angels & Demons – Ron Howard – 2009 (Cinemas)

Abram as portas, e contem ao mundo a verdade.

Somos seres curiosos. Alguns estabelecimentos de ensino e “professores”, assim como muitas pessoas ou instituições más intencionadas, tentam podar essa característica inerente a todos nós. Essa curiosidade é que nos faz seguir, andar para frente e buscar respostas. E é esse o objetivo das obras de Dan Brown.

Após 3 anos da estréia mundial de O Código Da Vinci (2006), a sua tão esperada seqüência ganha as telonas, Anjos e Demônios é na verdade a primeira aventura da mais nova personagem inesquecível da história do cinema, Robert Langdon, só que os produtores acharam melhor transformá-la em continuação.
A película segue o mesmo caminho traçado anteriormente. Ação + Aula de história. Com uma diferença, foi reduzido o tempo de explicações do rico conteúdo do livro em favor de um ritmo apressado. Anjos e Demônios se torna uma espécie de 007 sob o manto do catolicismo.

Temos agora dois elementos de estudo, CERN e os Illuminati, tudo cercado pela igreja e o Vaticano que, absurdamente, não autorizou as filmagens do longa dentro de seus muros.

O filme acerta em retirar explicações demoradas sobre o instituto de ciência que reproduz o Bing-bang, e a seita expulsa do catolicismo. O livro existe para isso. Porém deixa o espectador com gostinho de quero mais para explorar os conhecimentos de Tom Hanks, quero dizer Robert Langdon. Agora só em setembro com o lançamento de The Lost Symbol, o próximo livro de Dan Brown a virar filme.