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Mostrando postagens de julho, 2009

Inimigos Públicos

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Public Enemies – Michael Mann – 2009 (Cinemas) - O que lhe tira o sono de noite, Mr. Dillinger? - Café. Michael Mann é uma espécie de Ronaldinho Gaúcho de Hollywood. É um cara talentoso, tem estilo próprio, mas se vende fácil demais. Porém, mesmo vendido é acima da média na mediocridade que impera nos dias atuais. Mann é especialista em sociopatas e psicopatas. Consegue como poucos traduzir todo o mistério que cercam esses marginais. O cineasta estadunidense também adora flertar com as cores, especialmente o azul e o branco, e com a arquitetura. È exímio com as músicas e a escolha do elenco. Inimigos Públicos é Michael Mann em sua melhor forma, equilibrado e correto. Possui de Collateral (2004) a intensidade da ação e o clima de desfecho ruim recorrente, de Fogo contra Fogo (1995) os diálogos e a tabelinha da dupla protagonista abrindo espaço para os coadjuvantes, e captura de O Informante (1999) a densidade do roteiro e dos diálogos. Johnny Depp tem uma atuação impecável em 3 at...

Entre o Bem e o Mal

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Adams æbler - Anders Thomas Jensen – 2005 (DVD) I know your eyes in the morning sun I feel you touch me in the pouring rain Diz-se que a fé remove montanhas. E também que a fé o cega. As religiões as usam como melhor lhes convêm. Entre o Bem e o Mal discute toda a questão da fé a partir do bem e do mal, personificados no vigário Ivan (Mads Mikkelsen – de Casino Royale (2006)) e no neo-nazista Adam (Ulrich Thomsen – de Duplicidade (2009)), respectivamente. Inspirado pela bíblia, em especial ao livro de Jó, o roteiro do diretor Anders Thomas Jensen cria uma comédia de humor negro, bem ao estilo dos Irmãos Coen , evidenciando questões subliminares – Ivan é um anagrama dinamarquês para ingênuo, e Adam é Adão. Com enorme facilidade de situar o espectador, o cineasta dinamarquês opta pela banalização da violência para mostrar a superficialidade de nossas discussões, onde o que mais interessa é a “vitória” do que a riqueza dos argumentos.

Embaixadores do Cinema

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O jornalista (diplomado) e blogueiro do Blog do Gutemberg veio com a idéia de fazer uma lista de países com cultura cinematográfica e seu maior representante. Alguns nomes foram consenso, outros não. Chegado a um acordo, eis a lista: Ingmar Bergman – Suécia A imagem que temos da Suécia é de um país muito frio e com a maioria da população com ótima renda. Problemas financeiros não existe, mas sim crises existenciais, por isso os filmes psicanalíticos, íntimos, claustrofóbicos de Ingmar Bergman . Com vasta experiência teatral, ele levou ao cinema temas como desejo, morte e religiosidade. Essa tríade forjou toda sua imagética, dando sentido a essência de sua obra cinematográfica. Pedro Almodóvar – Espanha Pensar na Espanha é sentir a força do desejo e da tragédia, das cores fortes e estonteantes e do ritmo da música flamenga. E é nessa mistura que temos o cinema de Pedro Almodóvar , seus filmes são quase bizarros, mas sensíveis e com finais inesperados. Steven Spielberg – EUA Dos Est...

Trama Internacional

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The International – Tom Tykwer – 2009 (Cinemas) Essa é a diferença entre a realidade e a ficção. A ficção tem que fazer sentido. Inspirado no caso real do BCCI (Bank of Credit & Commerce International), que escandalizou o mundo nos anos 80 e 90, Trama Internacional não traz nada novo ao gênero, é lento e periférico, e suas cenas de ação se resumem a um tiroteio no Museu Guggenheim. O agente da Interpol Salinger (Clive Owen – que precisa ter uma conversa séria com seu agente) se tornou um obcecado em investigar o IBBC (International Bank of Business and Credit), um instituição envolvida em trafico de armas. Ele conta com a ajuda da promotora nova iorquina Eleanor (Naomi Watts – que precisa demitir seu agente). Se a ficção tem que fazer sentido, como diz a frase acima tirada da película, era melhor que a produção se concentrasse na realidade e no caso em que se inspira. No final das contas, Trama Internacional é só mais um filme de ação bobo e com milhões de cópias nas locadoras, in...

La Dolce Vita

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Momento Mágico: La Dolce Vita (Frederico Fellini) A cena foi rodada em março, quando a temperatura é muito fria. De acordo com Fellini, a atriz Anita Ekberg ficou na água fria por horas, sem reclamar, mas o astro Marcello Mastroianni precisou de roupas de banho por baixo do costume, e uma garrafa de vodka, que o fez ficar bêbado no final da gravação. Cinematografia de Otello Martelli .

Ladrões de Bicicleta

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Ladri di Biciclette – Vittorio De Sica – 1948 (DVD) Ou a encontra logo ou não vai achá-la mais. Nas ruas empoeiradas de Roma homens se aglomeram diante de um prédio velho, numa praça deserta e ainda cheirando às bombas da II Guerra. A abertura de uma porta lateral atrai a atenção e a correria dos transeuntes. A aglomeração agora se dá nas escadas do edifício, fica claro que aquelas pessoas buscam uma oportunidade de emprego. A questão é quem dali sairá com a vaga? A câmera do mestre De Sica aponta para dois deles, mas rapidamente ela se distancia daquela confusão, num plano aberto, bem europeu, e vai achar o protagonista. Quieto, cabisbaixo, sentado no meio fio, acordado pelo som do seu nome: Antonio Ricci. Ladrões de Bicicleta é uma obra-prima presente em qualquer lista que se preza dos grandes clássicos do cinema mundial. È um marco do neo-realismo italiano do século XX, é uma ode ao humanismo, e um trabalho irretocável cravado eternamente em mármore. Filmado em locações externas n...

Une Famille Brésilienne

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Linha de Passe – Walter Salles e Daniela Thomas – 2008 (DVD) Não gosto do Walter Salles , acho ele um diretor medíocre (de mediano), amparado na fortuna do pai e no talento da Daniela Thomas . Também não gostei nem um pouco de sua entrevista a uma emissora russa onde ele “promove” o governo dizendo que no Brasil, de 6 anos pra cá, não há mais pobre. Nada contra sua ideologia política, afinal a maioria da população concorda com ele. O problema ai é a mentira, porque todo brasileiro sabe que ele mente. Se ele foi sarcástico, só denota sua falta de educação. Dito isso me sinto livre pra discorrer sobre Linha de Passe , seu mais novo filme ao lado novamente de Daniela Thomas . Como o nome diz, a analogia com o futebol foi reproduzida para evidenciar o ritmo do filme, as histórias dos 4 filhos de Cleuza (Sandra Corveloni) são contadas como numa linha de passe, ou seja, recebe-se a bola, dá uma caminhada, e toca pro lado pra depois receber novamente. No cartaz da película, a frase: A VIDA É ...

Pôster da Semana

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Premiado como melhor filme pelo público do Festival de Cannes de 2008, Captain Abu Raed narra à história do solitário porteiro do aeroporto internacional de Amã, o Abu Raed do título. Seu maior sonho é conhecer o mundo, mas nunca saiu do aeroporto. Sua vida se transforma ao encontrar no lixo um quepe de capitão e passar a usá-lo, com isso ele chama a atenção de um menino da sua vizinhança. Quando percebe um grupo de crianças passa a segui-lo acreditando que ele é piloto de uma companhia aérea. Feliz por ter companhia e atenção, ele conta aos garotos histórias fantásticas pelo mundo, inspirando-os a acreditar em seus próprios desejos. Paralelamente, o filme mostra a amizade de Abu com Nour, uma piloto de verdade, que divide com ele suas frustrações da vida moderna em Amã.

A Espiã

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Zwartboek – Paul Verhoeven – 2006 (DVD) Uma excursão visita um kibutz israelense. Uma turista reencontra uma amiga dando aula às crianças no local. A guia da excursão avisa que aquela parada será de apenas 15 minutos. Um tempo longuíssimo para as duas. Ao partir o marido da turista pergunta de onde ela conhece a amiga, e ela responde, da guerra. Após 26 anos, o cineasta holandês Paul Verhoeven volta a filmar em sua língua natal. Olhando, investigadamente, sua filmografia, percebe-se um aguçado senso de estética cinematográfica, seja filmando um policial, RoboCop (1987), seja numa ficção, O Vingador do Futuro (1990), ou até no erótico, Showgirls (1995) e, vá lá, Instinto Selvagem (1992). O fato é que Verhoeven controla esteticamente muitos gêneros, e é isso que ele demonstra mais uma vez em A Espiã . A película segue a vida de Rachel Stein (Carice van Houten) uma judia holandesa obrigada a mudar de nome e vida por causa do nazismo. Já loira e transformada em Ellis, ela passa a ajud...