24 julho 2009

Embaixadores do Cinema

O jornalista (diplomado) e blogueiro do Blog do Gutemberg veio com a idéia de fazer uma lista de países com cultura cinematográfica e seu maior representante. Alguns nomes foram consenso, outros não. Chegado a um acordo, eis a lista:Ingmar Bergman – Suécia
A imagem que temos da Suécia é de um país muito frio e com a maioria da população com ótima renda. Problemas financeiros não existe, mas sim crises existenciais, por isso os filmes psicanalíticos, íntimos, claustrofóbicos de Ingmar Bergman. Com vasta experiência teatral, ele levou ao cinema temas como desejo, morte e religiosidade. Essa tríade forjou toda sua imagética, dando sentido a essência de sua obra cinematográfica.Pedro Almodóvar – Espanha
Pensar na Espanha é sentir a força do desejo e da tragédia, das cores fortes e estonteantes e do ritmo da música flamenga. E é nessa mistura que temos o cinema de Pedro Almodóvar, seus filmes são quase bizarros, mas sensíveis e com finais inesperados.Steven Spielberg – EUA
Dos Estados Unidos temos a sensação que o povo norte americano tem em alta o lazer, o entretenimento, sem isso, para eles, não se vive. O lazer é fundamental. E quem traz esse recorte fílmico muito bem é Steven Spielberg. Com sensibilidade aguçada, com olhar quase infantil para as coisas adultas, ele impressiona com sua imagem cinematográfica. Um olhar muito do povo norte americano.Alfred Hitchcock – Inglaterra
A Inglaterra do Big Bang, dos segredos da espionagem transfere para os filmes de Alfred Hitchcock aquela sensação de mistério, do inusitado e, o fundamental, de uma trilha sonora de suspense cortante onde o próprio cineasta aparece rapidamente em cena para lembrar ao espectador que “tô de olho, fique atento”.Jean-Luc Godard – França
Da França tem o libertário, vanguardístico e subversivo Jean-Luc Godard que buscou em suas películas um ritmo descontínuo, registrando idéias ao invés de histórias, quebrando tabus da época, reflexo das mudanças do século XX. Um autor fundamental.Akira Kurosawa – Japão
Perfeccionista e minucioso, a linguagem cinematográfica de Akira Kurosawa está profundamente interligada ao sentimento humano. O ser humano frente às escolhas éticas e morais. A reflexão. Clássico na forma e romântico na essência. Transborda sentimentos de um Japão que não existe, mas que está guardando no íntimo de seu povo.Win Wenders – Alemanha
Depois da Segunda Guerra e da tragédia do Nazismo e do Muro de Berlim a Alemanha deixou sua população meio que desorientada, desconectada, desprovida de um sentimento de união. E é esse pensamento que perpassa a obra de Win Wenders que gosta de explorar cidades, mas sente necessidade de abandonar para refugiar nas paisagens que a civilização abandonou. São paisagens desertas da América, da Austrália e de outros países, onde ele sobrevoa nas asas do desejo. Federico Fellini – Itália
A Itália é a terra dos sonhos oníricos, dos encontros amorosos, a cidade fantasiosa de Federico Fellini que tem em seu lema “sonhar é viver”. E através de seus sonhos filmados que conhecemos essa combinação de memória, sonhos, fantasias e desenhos numa visão profunda da sociedade, na doce vida de um povo sofrido, mas nunca desesperançado. Assim é a visão fellinesca de viver, de olhar o mundo através dos sonhos.Manoel de Oliveira – Portugal
Uma nação de fortes e firmes tradições teria que ser representada por um nome centenário. Manoel de Oliveira, 100 anos de uma vida dedicada à sétima arte. Nas suas películas o ar é carregado de tradição, de cultura, de sensibilidade.Fernando Meirelles – Brasil
Um arquiteto é o nome escolhido para nos representar. Nesse país tão misógino, tão rico culturalmente, tão cheio de diversidade, nada como um profissional de outra área para ser embaixador de uma arte tão completa. Além disso, Fernando Meirelles é especial para esse blog, não só como cineasta, mas como ser - humano, portanto ele é o cara.

9 comentários:

•. Cℓєвєя! . - disse...

Òtimo top ... realmente são os grandes nomes, ainda assim temos nomes menores do cinema mundial, que deixamos passar.

Ramon disse...

Ótimo!
Posts assim fazer a diferença numa blogsfera tão saturada de superficialidades e inutilidades. Este é um material que terá sempre seu espaço na internet.
Muito legal, mesmo!

E grande Meirelles!

Abs!

jeff disse...

Achei a ideia fantástica, mas o post foi bastante deprimente pra mim. hehe Eu tenho dois grandes pecados: Fellini e Godard! É, nunca assisti nada deles.
Não sou muito chegado em Manoel de Oliveira e meu cineasta americano preferido não é Spielberg, mas suas escolhas são indiscutíveis, fazem todo o sentido.
E eu gosto do Meirelles, bastante, mas terei que discordar dessa escolha. Levando em conta que o cara só fez Domésticas, CdD e Menino Maluquinho 2 - além dos curtas - em língua portuguesa, Glauber Rocha ou, do cinema recente, Walter Salles seriam nomes mais apropriados. Talvez só eu ache isso, mas tudo bem. hehe

[]s!

Museu do Cinema disse...

Porra Ramon! Valeu cara, vc é de casa!

Jeff, nada que uma visitinha de cinéfila na locadora não resolva. La Doce Vita e Acossado é a minha indicação, e ai o pecado se apaga.

Quanto ao Spielberg foi uma discussão aqui tb, entre eu e o Gutemberg, não achava o nome ideal, mas ele me convenceu, não existe nome mais forte e mais denso para representar um cinema tão forte (de quantidade) e tão denso (qualidade).

Meirelles foi consenso acredita? Era meu nome, mas tinha esse "pecado" de não falar no baiano Glauber, que até Scorsese paga pau, mas o próprio Gutemberg, que é um dos caras que mais tem material do cineasta, achou que como representante tinha que ser Meirelles mesmo, o cara q fez o Maluquinho, o belissimo filme das empregadas, e a obra-prima CdD.

Mas além das qualidades indiscutiveis, Fernando é o cara desse blog, e ai caro Jeff, é pessoal mesmo!

Quanto ao Walter Salles, felizmente não tem espaço nesse blog a demagogos.

Vinícius P. disse...

Ótimo post, inclusive pelo resultado visual incrível!

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, parabéns pela postagem, o resultado ficou muito interessante. Não sei se seria capaz de bolar algo parecido, pois julgando pela minha bagagem ainda não estou envolto ao cinema de todas as nacionalidades. Só venho assistindo filmes de outros países por causa da Internet, onde você encontra (quase) tudo. O destaque fica para o Almodóvar representando a Espanha.

Caio disse...

Post maravilhoso! Só que não gosto muito do Kurosawa, prefiro o Kobayashi. Mas enfim, "embaixador" mesmo tinha que ser ele.

Museu do Cinema disse...

Valeu pessoal!

Ygor Moretti Fiorante disse...

otimo post mesmo parabens!!!