07 outubro 2006

Dália Negra

The Black Dahlia – Brian De Palma – 2006

“Nada permanece enterrado para sempre. Nada”.

Eu sou um fã confesso de Brian De Palma, é um dos diretores de minha lista para fazer uma revisita em suas obras aqui no blog. De Palma é dos raros diretores, e aqueles que estou buscando colocar nessas retrospectivas que faço, que tem uma marca registrada, um jeito de filmar inigualável e original.
O caso verídico da Dália Negra (leia post abaixo) é colocado de lado pelo cineasta que concentra mais o roteiro no livro de James Ellroy, o mesmo autor do livro que deu origem ao longa Los Angeles – Cidade Proibida (2003). O que significa um filme mais “noir” e menos policial. Os eventos que finalizam a película são criações da mente do escritor, que teve a mãe assassinada num caso semelhante quando era ainda criança e ficou obcecado pelo ocorrido a Elizabeth Short.
Os elementos da filmografia de Brian De Palma, a grife De Palma, estão expressas nos excelentes planos visuais que buscam dar ao expectador o melhor olhar de cada cena, o suspense refinado, as femme fatales e a famosa cena da escadaria, com direito à câmera lenta e som de passos de salto alto, como nos magistrais Os Intocáveis (1987) e O Pagamento Final (1993), são retratados pelo diretor, um confesso voyeur da vida.

O filme parte da amizade que se inicia entre dois policiais que são feitos rivais para uma luta de Box, Dwight Bleichert (Josh Hartnett) e Lee Blanchard (Aaron Eckhart) se reencontram alguns anos depois para trabalhar em alguns casos, entre eles o da Dália Negra, a aspirante à atriz e prostituta, Elizabeth Short (Mia Kirshner), que se envolveu perigosamente e sexualmente com a filha do milionário, empresário e empreiteiro Emmet Linscott (John Kavanagh), a sósia da Dália Negra, Madeleine Linscott (Hilary Swank). Entre a amizade dos dois policiais, uma garota, namorada de Lee que ele salvou de um bandido, Kay Lake (Scarlett Johansson). Assista ao trailer aqui.

18 comentários:

Túlio Moreira disse...

vou ver o filme na segunda e com certeza vou deixar registrada aqui a minha opinião... abs!

Salve Brian De Palma!

Museu do Cinema disse...

Estaremos esperando com certeza, aqui todas as opiniões são bem vindas!

Kamila disse...

Assisti "Dália Negra" hoje. O trailer vende o filme da maneira errada. O filme não fala sobre o assassinato de Elizabeth Short, e sim sobre os efeitos da investigação desse crime nas vidas de dois detetives.

Do ponto de vista estético, o filme é muito bom. A fotografia, a direção de arte, os figurinos são ótimos.

Só acho que o De Palma poderia ter dispensado algumas cenas. O filme, às vezes, parece ser lento.

Museu do Cinema disse...

Discordo Kamila, acho tanto o trailer quanto o filme se afastam bastante do assassinato de Short.

Quanto a lentidão do filme, se explica pelo senso noir que ele quis imprimir na pelicula. Ajuda a contar a história, perceba que nenhuma cena é gratuita e poderia ter sido excluida sem afetar a compreensão da história

Kamila disse...

Realmente, as cenas dispensáveis - se tivessem sido excluídas - não afetariam a nossa compreensão da história. Mas deixariam o filme mais enxuto e coeso.

Museu do Cinema disse...

Falei exatamente o contrário Kamila

Túlio Moreira disse...

Cassiano, comentário que recebi de Filipe Chamy, um cinéfilo de São Paulo:
"Muito bom o texto do Sairaf, o último do blog até agora! Sempre tive gigantesca admiração pelo cinema italiano! Senti apenas falta de nomes como Mario Monicelli e Pietro Germi. E me envergonho ao constatar que vi apenas "Mama Roma" de Pasolini.

Ah, Fellini teve uma grande fase neo-realista antes de sua época autoral mais famosa. Um de seus filmes mais belos, inclusive, é desse estilo: "A estrada da vida". Abraço!"

Acho que isso é um grande incentivo pra vc continuar a escrever no Cinema Kabuki! Vá pensando no post da próxima sexta, hehehe...

abs!

Museu do Cinema disse...

Abs, valeu pelo comentário, agradeça-o.

Anônimo disse...

Só posso dizer que tenho expectativas elevadas, espero não me desiludir.

Museu do Cinema disse...

O fã do Brian De Palma não costuma se desiludir com esse filme. Falo por mim mesmo.

Túlio Moreira disse...

Não achei o filme lento de jeito nenhum! E De Palma realmente voltou à boa forma.. o excelente Femme Fatale e agora esse maravilhoso suspense. Sim, Cassiano, é verdade que ele se afastou um pouco do assassinato de Short (as investigações de Lee em relação ao caso só são reveladas praticamente no final), mas o filme noir é justamente isso: o crime é só o pano de fundo para uma história sobre policiais. Le Dahlia Noir tá aprovadíssimo!

P.S.: publiquei minha crítica e retornei os comentários, fique a vontade para criticar.

Museu do Cinema disse...

Sim Túlio, o espirito Noir é exatamente esse, mas é dificil de agradar a todos.

Eu sou suspeito para falar de De Palma, pois adoro até as bombas dele...

Túlio Moreira disse...

Síndrome de Caim, por exemplo, é ótimo!

Museu do Cinema disse...

Mas Sindrome de Caim não tá nas bombas dele. Pelo menos a "crítica" assim o diz. Para eles filmes como Missão: Marte, Olhos de Serpente e Fogueira das Vaidades são as "bombas" do cineasta.

Túlio Moreira disse...

Cara, Olhos de Serpente é maravilhoso! Aquele plano-seqüência inicial que depois ele retorna mostrando outros ângulos, aquilo é de arrepiar!

Museu do Cinema disse...

Mas os críticos bateram pesado nele.

Túlio Moreira disse...

mas o filme é uma obra-prima! que se fodam os "críticos"...

Museu do Cinema disse...

O bom dos críticos é que eles fazem com que poucas pessoas assistam o filme, fazendo ele transformar-se em cult.