10 julho 2018

Milada

Milada - David Mrnka - 2017 (Netflix)

O comunismo matou mais de 120 milhões de pessoas no mundo, para se ter uma ideia o nazismo matou cerca de 6 milhões de judeus. E isso em contas posteriores porque é muito difícil obter dados desses regimes, mas hoje, em pleno século 21, convivemos perfeitamente bem com ele, são partidos políticos, um deles inclusive usa o nome, ideologias que seguem o pensamento do doutrinador-fundador Karl Marx, e ícones gráficos como o famoso foice e martelo (imagina ver a suástica - símbolo nazista - nas ruas em camisetas).

Uma das explicações para essa aberração acontecer aqui no Brasil é a ignorância, não temos um Steven Spielberg com A Lista de Schindler (1993) mostrando os campos de concentração e trabalho forçado soviéticos como Kolimá e as gulags. Outra justificativa, e essa mais grave, foi o negacionismo do holodomor (holocausto ucraniano) promovido pelo governo soviético entre os grandes nomes do jornalismo mundial como Walter Duranty (Prêmio Pulitzer/New York Times) e George Bernard Shaw (Prêmio Nobel de Literatura).

Milada vem jogar luz nessa escuridão perigosa que nos encontramos. A escuridão da intolerância, das divergências políticas transformadas em guerra contra um nome fora desse mainstream, dos pensamentos igualitários e totalitários que excluem e difamam quem ousa ir contra.

Até os nazistas permitiam visitas.

A vida de Milada Horáková é um documento político importante para qualquer país que invista na democracia. Começa com a defesa dela pela igualdade entre homens e mulheres, passa então a lutar contra o nazismo que a Tchecoslováquia, sua pátria, abraça, e ela e seu marido são presos. Após a importantíssima vitória dos aliados, se transforma numa influente política defendendo as liberdades e os direitos individuais, é quando o país começa a flertar com o comunismo soviético. Os grandes lideres queriam Milada entre eles, mas logo ela percebeu que suas ideias não eram compatíveis com essa ideologia sanguinária,  ditatorial e absolutista.

Ayelet Zurer, soberba no papel titulo, nos dá a alma de Milada, sua resignação, sua firmeza, seus gestos nos trazem quase um documentário sobre esse período que muitos querem esconder debaixo do tapete.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Parece interessante, Cassiano. Vou adicionar à minha lista do Netflix.