18 maio 2018

15h17 para Paris

15:17 To Paris - Clint Eastwood - 2018 (Cinemas)

"Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde há ofensa, que eu leve o perdão. Onde há discórdia, que eu leve a união. Onde há dúvida, que eu leve a fé. Onde há erro, que eu leve a verdade. Onde há desespero, que eu leve a esperança. Onde há tristeza, que eu leve a alegria. Onde há trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, Fazei que eu procure mais consolar que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna."

Na oração da paz de São Francisco de Assis ele pede a Deus que o transforme num objeto de sua paz. Essa era a oração que Spencer Stone rezava quando criança, era nela que ele buscava a tranquilidade quando as coisas saiam errado na sua vida.

É baseada neste oração que o cineasta e lenda viva do cinema, Clint Eastwood, dita o ritmo de seu filme sobre os 3 heróis norte-americanos do Trem de Bruxelas para Paris. Clint, aos 87 anos, parece procurar anônimos capazes de atos de heroísmo. Já houveram SniperAmericano (2014) e Sully (2016). Logo ele que muitas vezes foi chamado de anti-herói pela mídia, e que até em sua vida pessoal foi capaz de atos de bravura quando salvou um sujeito que morria engasgado com queijo. O fato é que se tem algum diretor que entende de heroísmo e sempre esteve do lado correto da história, essa pessoa chama-se Clinton Eastwood Jr.

Na pré-produção do filme, o cineasta testou vários atores para interpretar os "meninos", até que, numa das melhores ideias de sua carreira - e olha que foram muitas em quase 40 películas - Eastwood decidiu transformar os heróis em atores. E eles parecem prontos para a coisa (dedo do diretor?). O roteiro foi baseado no livro que eles escreveram.

Mas 15h17 para Paris é muito mais que um filme de super-heróis, ta na moda né, ele se debruça também sobre educação, sobre sentimentalismos, sobre como educamos nossas crianças atualmente. A história se volta à infância dos 3 garotos e vai descrevendo como suas índoles foram formadas. Família presente, educação religiosa, respeito, amizade, disciplina e patriotismo. O que funcionava em 1930, parece, num estalar de algum dedo, não funcionar mais nos dias atuais.

Não temos como não fazer um paralelo com o caso da mãe policial que matou o bandido no dia das mães da escola. A PM Kátia Sastre, é digna de ser comparada a esses rapazes norte-americanos, digna de receber as maiores honrarias que esse país tenha e digna de ser reverenciada como heroína. Pode acreditar que a grande maioria da sociedade pensa assim, mas a voz de alguns poucos imbecis ganharem microfone só mostra o quanto a nossa sociedade está doente e matando seus filhos diariamente.

Pare de ler aqui se ainda não viu o filme e pretende fazê-lo.

Para terminar, não costumo me alongar muito, queria voltar a uma cena do filme que talvez passe despercebida. É quando os 3, Spencer Stone, Alek Skarlatos e Anthony Sadler esperam o trem chegar, e, ao se encaminharem para entrar, uma francesa pede ajuda dos rapazes para levar seu pai para dentro. Solícitos e preocupados, eles levam o senhor com tranquilidade para seu assento. Quando a confusão estoura, Alek, armado da arma do bandido e ensanguentado volta até o vagão onde ajudou os franceses pedindo que não saiam dali, as pessoas se assustam achando que ele é o terrorista, mas a filha do senhor logo fala: - Não, está tudo bem, ele é um bom homem.

2 comentários:

Kamila Azevedo disse...

Mas, gente, em que mundo eu estava quando não vi que Clint Eastwood tinha estreado um novo filme??? Está passando nos cinemas brasileiros, Cassiano? Acho que ainda não chegou na minha cidade.

Museu do Cinema disse...

Sim, aqui em Salvador tiraram nessa ultima semana!