11 abril 2015

Sniper Americano

American Sniper – Clint Eastwood – 2014 

Ouvimos o som do gatilho sendo preparado. O atirador está há cerca de 1.000 metros de seu alvo. Frio e objetivo ele aponta seu rifle enquanto corrige a mira. A câmera focaliza seu rosto e seus olhos, precisamente eles.

A cena acima é de Clint Eastwood. Dirigido por Sergio Leone em Três Homens em Conflito (1966). O que muda dela para a outra de Eastwood, dessa vez dirigindo Bradley Cooper, é que o alvo é uma criança. Para quem aprendeu com os Mestres não era de se esperar nada menor.

Eu preciso de você… que seja humano novamente. Eu preciso de você aqui.

Eu sempre me situo a margem do Oscar. E, esse ano, não foi diferente. Os principais candidatos, Boyhood (2014) e Birdman (2014) são filmes menores. O primeiro tem como grande mote o tempo de filmagem – foram 16 anos – e só, já o segundo, para quem assistiu Holy Motors (2012) não enxerga nada novo.

Sniper Americano era o melhor do Oscar. Não por ser propagandista estadunidense, mas justamente por ser (sim, não errei). O sentimento negativo em relação aos EUA se tornou tão contundente que precisou Clint Eastwood levantar-se da cadeira e pegar sua câmera. Clint mostra que numa guerra não existem mocinhos nem bandidos, heróis ou vilões. A guerra é o fracasso da racionalidade humana, é quando a violência vence a palavra. Chris Kyle (Bradley Cooper), o sniper (atirador) mais letal da história, só é retratado como herói quando volta em definitivo da guerra. Uma cena em especial deixa isso claro quando Chris encontra um veterano numa oficina com seu filho.

A interpretação de Bradley é perfeita, ele retrata todas as angustias de um homem considerado herói, mas que teve que cometer atos nada heroicos. A frase que ele diz para o psicólogo moldura bem sua personalidade: “Quando eu encontrar meu Criador, responderei por cada um de meus disparos”.

Ao final o octogenário, elegante e inteligente Sr. Eastwood nos brinda com uma obra-prima, uma música do genial maestro Ennio Morricone, retirada do filme Ringo não Discute...Mata (1965).

3 comentários:

Kamila disse...

Concordo com você, Cassiano! "Sniper Americano" foi um dos meus favoritos da última leva do Oscar. Incrível a maneira como Clint Eastwood nos passou a história de Chris Kyle, construindo o caráter dele logo na primeira cena. O pensamento de Kyle era muito bem condicionado, sem questionar ordens. E ele é o produto/reflexo dos valores que estão impregnados nos Estados Unidos de hoje. Um grande filme, uma atuação sensacional de Bradley Cooper.

Júnior Borges disse...

Cara, volta!

Não deixa o blog morrer não, pode ser?!

;)

sofia martínez disse...

É muito boa história, embora excessivamente patriótico. Em geral o trabalho de Bradley Cooper é excelente, a sinopse do American Sniper encontrou na seleção de filmes da HBO e eu achei muito bem sucedido por isso decidiu verificá-la e, em minha opinião, acho que Eastwood e Cooper conseguiram reflectir bem sobre tela atirador personalidade começando com o seu profundo sentimento de patriotismo, e não podemos negar que Bradley Cooper faz um excelente papel como Kyle. A caracterização é muito bom e sua semelhança com o real é incrível. O filme é longo, mas são 132 minutos vale a pena.