17 janeiro 2018

O Destino de uma Nação

Darkest Hour - Joe Wright - 2017 (Cinemas)

Após discutir com um amigo parlamentar sobre a escolha do novo primeiro ministro, o Rei George VI (Ben Mendelsohn - extraordinário no papel) recebe no palácio o novo chefe da nação inglesa. Um pouco antes da hora marcada, Winston Churchill (Gary Oldman) é anunciado para o Monarca. A figura do político logo se sobressai e o Rei tenta marcar uma reunião semanal com seu novo primeiro ministro como é praxe. Às 16hs então? Não. A essa hora estou dormindo. George, encabulado, pergunta: E pode? Não, mas é necessário. Responde Churchill.

A figura roliça, sempre com um charuto, poucos e ralos cabelos, branco, parecido com um bebê, rabugento, piadista, que acorda tomando um uísque, almoça com champagne e janta com um vinho não atrai a mínima confiança sobre sua pessoa, muitas vezes parece bêbado, e, em certos momentos, perdido, mas, arrisco-me a dizer, é o maior estadista que o mundo já conheceu.

Há uma máxima entre o funcionalismo público, principalmente o brasileiro, que é necessário tomar medidas que não agradam o povo. Essa é uma das maiores falácias do sistema político. Tratar os verdadeiros donos do poder como crianças é uma forma de manipulá-las e criar um Estado gigante que lhes tira a liberdade. Churchill era um conservador, aquele político que olha o passado e procura conservar o que esse trouxe de sucesso e melhoria à sociedade como um todo. O que tiver que mudar, mudará a partir dessa análise.

E isso foi essencial para o império britânico, enquanto a Europa se rendia a Hitler. Alguns em batalhas sangrentas, outros negociando tratados, e ainda outros sendo traídos, como foi o caso da Rússia de Stalin. Na Inglaterra, assustados com o poderio bélico dos nazistas, alguns poucos achavam que o melhor era a negociação. Churchill foi fundamental, mesmo quando tudo mostrava o contrário, em conservar a história britânica de não tolerar invasões, visto na 1ª guerra mundial. Dois filmes obrigatórios que corroboram isso é Círculo de Fogo (2001) e Dunkirk (2017), esse último é quase uma parte dentro do filme. Os ingleses venceram os alemães com a determinante participação dos civis como desenhou Winston Churchill.

Para finalizar é injuntivo, obrigatório, tecer alguns comentários sobre Gary Oldman e Kristin Scott Thomas. Oldman é a personificação de Churchill, além da maquiagem perfeita, sua voz, e maneirismos trazem ao filme uma reconstituição de época que nenhum cenário seria capaz de fornecer. Thomas é a antagonista à altura, apesar das poucas cenas, é impossível não enxergar no conservador a figura de Clementine que dá pito, reclama das bebidas e acarinha o marido com dedicação. Muitos atos do primeiro ministro são visíveis à esposa, mesmo ela não estando presente na cena.  

2 comentários:

Kamila Azevedo disse...

Ainda não assisti a "O Destino de uma Nação", mas quero ver o filme justamente por causa da atuação de Gary Oldman. Além disso, Churchill é uma figura admirável.

Kamila Azevedo disse...

Assisti nesta semana, Cassiano! O filme tem um teor histórico e anticlimático que muito me interessa. Achei uma obra correta, com uma atuação correta de Gary Oldman, mas que parecia uma subtrama de "Dunkirk".