30 Maio 2011

Código Desconhecido

Escolinha infantil. Alunos surdos-mudos. Brincadeira de mímica. Medo, ninguém acerta.

Code inconnu: Récit incomplet de divers voyages – Michael Haneke – 2000 (Internet)

Com essa informação pouco esclarecedora, mas que se revelará muito preciosa ao final, o cineasta Michael Haneke nos introduz a um Código Desconhecido, narrativa incompleta de várias viagens, do título original francês. França, aliás, que não está ali como um país qualquer onde a película se passa. O país da igualdade, fraternidade e liberdade de 1789 foi escolhido por atualmente representar a capital da xenofobia contra imigrantes africanos e do Leste Europeu.

Código Desconhecido começou a tomar forma quando a atriz Juliette Binoche escreveu a Haneke mostrando interesse por seus filmes. E ela, interpretando a atriz Anne Laurent, mesmo nome da sua personagem em Caché (2005), é o centro do filme que entrelaça várias histórias com personagens em comum. É a melhor interpretação da sua elogiada e fantástica carreira, a foto que ilustra o post já demonstra isso, é uma situação de pânico ao ver seu filho numa situação perigosa.

Com um excelente roteiro nas mãos, escrito pelo próprio cineasta, e uma atriz acima da média, Michael Haneke abusa dos cortes bruscos e das câmeras estáticas, além claro de criar cenas com a violência crua que somos espectadores diariamente. Numa delas, a mais forte com certeza, a personagem de Binoche leva uma escarrada no rosto de um delinqüente no metrô.

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23 Maio 2011

Violência Gratuita

Funny Games – Michael Haneke – 1997 (VHS)

Anna vai até a porta de entrada e encontra Paul, que se diz amigo da vizinha, a Sra. Berlinger, e que precisa de 4 ovos para ela. Anna prontamente atende o jovem e quer saber para que precisa de 4 ovos, Paul não faz idéia. Ele usa trajes de golfista, inclusive com luvas brancas. Paul agradece e se dirige a porta, enquanto Anna guarda os restantes dos ovos na geladeira e se espanta com o barulho do estranho saindo, vai até a porta e encontra Paul agachado com os ovos no chão quebrados, visivelmente constrangido. Anna tenta consolar e volta à cozinha. Paul se ergue e dá uma olhada na casa. Anna volta trazendo um pano para limpar.

Depois de feito o serviço retornam a cozinha para jogar fora a sujeira. Paul fica a espera de novos 4 ovos, Anna fica constrangida e tenta inventar uma desculpa de que um desfalque de 8 ovos seria problemático para ela e a família, e que ainda poderiam receber convidados, mas Paul fica irredutível e parado na cozinha com a cabeça apontando para a geladeira.

Anna se rende e pega mais 4 ovos, mas dessa vez acha melhor embrulhá-los. Paul, o desastrado, novamente faz mais uma besteira, derruba o telefone sem fio dentro da pia. Anna começa a se estressar e pede que Paul vá embora antes de destruir toda a casa, porém Paul lembra que ela iria embrulhar os ovos.

Anna volta a embrulhá-los e entrega nas mãos de Paul, ele se desculpa mais uma vez e sai. Anna fica aliviada, se encosta no armário e ri. Pega mais uma vez o telefone e o joga dentro da bolsa, de onde tira um cigarro.

Mal sabia ela que o jogo de Michael Haneke só tinha começado...

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12 Maio 2011

O Castelo

Das Schloß – Michael Haneke – 1997 (DVD)

Kafkiano – adj. s.m. Relativo a Franz Kafka, ou à sua obra. Que é relativo a um ambiente confuso, ilógico ou absurdo.

O agrimensor K. foi contratado pelo Conde para prestar seus serviços ao Castelo. Sem conseguir ir ou ao menos se aproximar do Castelo, K. permanece na vila que cerca o Castelo juntamente a outros funcionários.

O livro de Franz Kafka data de 1922 quando a Europa vivia o processo de urbanização e revolução industrial. Baseado nisso é assertivo que a história crítica a crescente burocratização do Estado, culminando no que vivemos hoje. K. (vivido pelo excelente Ulrich Mühe) vai do desconhecido tentando se adaptar, a revolta querendo transformar, a indiferença e aceitação do sistema.

O clima frio e o uso da narração por cima dos acontecimentos dá ao filme uma versão em película do livro. Nota-se a mão de Michael Haneke com os cortes secos, as imagens paradas, e as colocações da câmera já típica de seu cinema.

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05 Maio 2011

Michael Haneke

“É um dever da arte formular perguntas, não de fornecer respostas. E se você quiser uma resposta clara, eu ignoro”.

O trânsito caótico prevê-se o acontecimento de algo grave. Uma aglomeração ao lado de dois carros aparentemente batidos é a explicação. Em frente aos automóveis, duas senhoras discutem e se empurram, alguns curiosos apenas olham, 2 transeuntes tentam acalmá-las afastando-as uma da outra. O desfecho é quase certo e é por isso que tanta gente está ali. Num momento de distração dos fortes rapazes, as duas velhas se engalfinham rolando pelo chão.

A violência é inerente ao homem. Ela é uma ferramenta de educação. É um instinto animal que nós, apesar de termos inteligência, possuímos. A violência atraí nossos olhares, a violência nos é instintiva.

O psicólogo e filósofo Michael Haneke é professor na Academia de Cinema de Viena, na Áustria, onde leciona duas vezes por semana e reside com sua esposa Susanne, com quem tem 4 filhos. Nascido em Munique na Alemanha em 23 de março de 1942, filho do ator e diretor alemão Fritz Haneke e da atriz Beatrix Degenschild, Michael começou no cinema como crítico e depois editor e dramaturgo de televisão. Em 1973 dirigiu seu primeiro filme para TV chamado ...Und was Kommt Danach?

Suas películas trazem a violência como trama principal. Câmeras estáticas e cortes abruptos usando fundo preto são marcas de seu cinema. Sua grife emprega o suspense de forma a adiar a iminência de uma tragédia, também faz do espectador uma vítima cooptando-o a julgar os envolvidos.

Haneke é o mais novo membro da sala vip do museu. Na sua retrospectiva farão parte os filmes: O Castelo (1997), Violência Gratuita (1997), Código Desconhecido (2000), A Professora de Piano (2001), Caché (2005) Violência Gratuita U.S (2007) e A Fita Branca (2009).

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