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Mostrando postagens de março, 2011

Parábola do Mês

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E a morte devolveu esses tesouros por uma música. O rouxinol cantou. Cantou no cemitério da igreja, onde rosas brancas crescem, onde as flores antigas deixam doce o ar, onde a grama é sempre verde, molhada com as lágrimas de quem ainda vive. A morte ansiava por seu jardim. Pela janela, uma neblina fria e cinzenta como a morte partiu. “Obrigado, obrigado”, disse o imperador. "Passarinho do céu conheço-o há tempo. Uma vez o bani da minha terra, e ainda assim você afugentou o mal da minha cama, e a morte do meu coração. Como posso recompesá-lo?" “Você já me retribuiu”, disse o rouxinol. "Eu trouxe lágrimas a seus olhos quando cantei para você. Para o coração do cantor, isso é mais valioso que qualquer pedra preciosa. Agora durma e cresça renovado e forte enquanto eu canto”. Ele cantou até o imperador cair num profundo e renovador sono, um doce e suave descanso. * Extraída do filme Em  um Mundo Melhor (2010) de Susanne Bier, interpretada pelo talentoso garoto...

Cópia Fiel

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Copie Conforme – Abbas Kiarostami – 2010 (Cinemas) Juliette Binoche resplandece em Cópia fiel , novo filme do diretor iraniano Abbas Kiarostami . A película   constrói um admirável jogo de verdades e mentiras de um casal, formado por Juliette Binoche e o cantor lírico britânico William Shimell, estreando no cinema. A verdadeira natureza do relacionamento desses dois é uma das chaves da descoberta da história, cheia de camadas, climas e evocações. Filmado em belíssimos cenários da Toscana, o filme é uma joia intimista, pulsante nos rostos de seus atores e em que o uso do discurso amoroso – oscilando entre o inglês, o francês e o italiano – é movido pelas chamas, ora amortecidas, ora vibrantes, da maturidade. Sem querer estragar o jogo da narrativa, o relacionamento entre os dois atravessa vários climas, da tentativa de sedução ao compartilhamento de lembranças e sensações. É como se estes dois tivessem vivido algumas vidas diferentes e, em algumas, se encontrado, no...

Partir

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Partir – Catherine Corsini – 2009 (DVD) O verbo partir tanto em francês como em português tem o mesmo significado, e incrivelmente foi reprisado pelos tradutores brasileiros. Dizem que em Portugal o filme chama-se Ir Embora. Perdoem-me a piada sem graça. Dizem que alguns poucos vinhos ficam melhores com o tempo. Kristin Scott Thomas aos 50 anos nunca esteve tão bela. Interpretando Suzanne, a esposa entediada e carente que se apaixona por um empregado, Kristin segura o filme através de sua plástica e de seu talento – principalmente na segunda parte do filme. A cineasta francesa não traz nada de novo ao gênero e se apóia no carisma da atriz inglesa que fala francês fluentemente. É verdade que aqui ela quebra um pouco a imagem aristocrática que Kristin possui, mas a preguiça da diretora em fazer de uma história batida algo novo revela-se como ponto fraco do filme.

O Homem que não Amava as Mulheres

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Män Som Hatar Kvinnor – Niels Arden Oplev – 2009 (DVD) Um pacote pardo amarrado de corda diagonalmente e paralelamente é cuidadosamente aberto por um senhor usando luvas branca e um pequeno canivete. Lentamente ele tira um quadro de dentro do envelope e põe-se a analisá-lo. É uma obra em relevo de folhas secas. O senhor agora volta à atenção ao pacote, em especial ao carimbo do remetente onde se lê Hong Kong. Agora ele senta na confortável da cadeira de seu opulento escritório e, enquanto a câmera se afasta dos intensos closes, chora um choro convulsivo. O cinema sueco para mim se resumia a Ingmar Bergman , portanto minha ignorância em relação às produções desse país se dissipou. Porém como tudo na vida existe o lado bom e o ruim... O bom é que na Suécia se faz filmes de qualidade técnica e que não se resume a ótica existencialista de Bergman, a ruim é que a influência do cinema norte-americano também globalizou a cultura deles. Baseado no livro de sucesso mundial Millenium, na ...

O Vencedor

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The Fighter – David O. Russel – 2010 (Cinemas) Os dois boxeadores travam uma luta franca, aberta, o público em pé grita pelo knock out, os corpos ao mesmo tempo em que seguem firme são maleáveis ao ponto de uma dança, as cordas ajudam a se manterem no ringue, de repente um deles cai. E cai justamente Sugar Ray Leonard. Um golpe? Um empurrão? Um tropeço? Essa luta é o elemento principal de O Vencedor , mas não esperem vê-la no película. É a luta pela qual Dick Eklund Ward (Christian Bale) parou no tempo, seu momento de glória que permanece viva. O Vencedor é um filme de boxe sem boxe, ou melhor dizendo, com cenas ridiculamente filmadas. Propositalmente o cineasta evidencia o outro lado das lutas, o que está por trás dela, a família Ward.