29 Dezembro 2010

Tetro

Tetro – Francis Ford Coppola – 2009 (Cinemas)

NO SUELTES LA SOGA QUE ME ATA A TU ALMA

A primeira cena após os créditos iniciais do filme capturam um fenômeno conhecido como fototaxia. É quando as mariposas, atraídas pela luz branca das lâmpadas se batem no vidro provocando um conhecido barulho. Tetro (Vicent Gallo), a personagem principal, observa detalhada e estranhamente aquilo.

Poucos cineastas atualmente tem coragem e respaldo financeiro para fazerem um filme em preto e branco. Coppola, por incrível que pareça, só realizou o filme por causa de sua segunda profissão, produtor de vinhos. Resultado: a distribuição foi afetada e o filme chega com quase 2 anos de atraso em pouquíssimos e ótimos cinemas.

Tetro é um projeto pessoal do cineasta que dirigiu, escreveu, financiou e levou a produção para Buenos Aires, ao bairro Boca na capital argentina. Deixou a direção de fotografia com o romeno Mihai Malaimare Jr. e realizou seu trabalho mais artístico e comercial dentro de sua famosa filmografia.

NÃO SOLTE A CORDA QUE ME AMARRA A SUA ALMA

18 Dezembro 2010

Tropa de Elite 2

Elite Squad 2 – José Padilha – Cinemas (2010)

“É na hora da morte que a gente entende a vida”.

Capitão Nascimento era mesmo um fascista.

Quem me disse isso foi o próprio em Tropa de Elite 2.

Enquanto o roteiro possui brilhantismos como na personagem de Milhem Cortaz, Capitão Fábio, que possui dívida de gratidão com Nascimento e percebe que ele é fichinha dentro da corrupção na polícia, ou na personagem de André Mattos, Fortunato, um apresentador de programas sensacionalistas gordo, alguém?, que depois de virar político bate de acordo com seus interesses corruptos, ou ainda no professor de história que trava uma batalha com Nascimento na vida pessoal e profissional. Por outro lado o roteiro evidencia a fraqueza do herói nacional Capitão Nascimento, “o personagem mais popular do cinema nacional desde a retomada”.

Eu era um dos que acreditava e defendia que Capitão Nascimento não era fascista. Tudo que ele teorizava nas suas famosas frases, eram idéias fatídicas do problema das drogas. Quando ele vociferava que o consumidor de drogas é cúmplice do marginal, o que há de fascismo nisso? Mas parece que o cineasta sentiu as críticas.

O roteiro de Bráulio Mantovani e do próprio Padilha acerta nas personagens que não mudam e erram feio nas que mudam, Nascimento e Mathias. E o pior, talvez tenham mudado pela opinião pública.

Pensei até em analisar o filme não como uma seqüência de Tropa de Elite, e acho que seria um filmão.

A Rede Social

The Social Network – David Fincher – 2010 (Cinemas)

“as coisas na internet não são escritas a lápis, elas são eternas, não dá para apagá-las depois”.

Um brasileiro é o responsável direto pelo provável vencedor do Oscar 2010. Não estamos falando de José Padilha e nem de Fernando Meirelles, dois dos mais próximos a estatueta dourada, falamos de Eduardo Saverin, a fonte de informação de Ben Mazrich, escritor do livro Bilionários por Acaso, adaptado para o cinema no filme A Rede Social.

Eduardo era, ou é, amigo de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), o nerd dono do facebook, na época em que estudavam em Harvard. Enquanto Zuckerberg estava na fossa pelo pé na bunda da namorada e por não ser aceito nas grandes fraternidades (leia festas) do campus, Eduardo era o elo de ligação de Zuck com o que ele sempre quis ser, mas nunca conseguiu. Mas tudo isso é ficção, o verdadeiro Mark vive ainda hoje com a namorada que conheceu nas festas de Harvard, Priscila Chan.

Primeiro é preciso deixar claro que tanto Mark Zuckerberg como o filme em si são produtos de nossa atual sociedade e onde chegamos, ou seja, pensar nesse filme/personagem há 30 anos seria algo impossível e não por causa da tecnologia. O livro é ruim porque é muito especulativo, e aqui tá a grande sacada de David Fincher, fazer do filme o embate jurídico que todos nós acompanhamos, enquanto surgem explicações do fenômeno facebook, porém deixando em segundo plano a moral e a ética de Zuckerberg, uma personagem cheio de erros e acertos, afinal você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos.