26 dezembro 2015

Mia Madre

Mia Madre - Nanni Moretti - 2015  (Cinemas)

O cinema também pode ser um ótimo analista.

Em 2010, enquanto finalizava seu filme Habemus Papam (2011), onde satirizava justamente o aspecto emocional do Papa, o cineasta Nanni Moretti passava por um momento delicado de sua vida real. Sua mãe, Agata, estava hospitalizada. O roteiro de Mia Madre é justamente esse, só muda a protagonista, entrando a musa do diretor Marguerita Buy (interpretando Marguerita). Nanni, que costuma protagonizar suas películas, dessa vez ganha um papel secundário como irmão da diretora de cinema.

Além de receber uma salva de palmas durante um pouco menos de 8 minutos no Festival de Cannes, Mia Madre foi escolhido um dos filmes do ano segundo a bíblia da 7ª arte, Cahiers du Cinéma.

Nanni Moretti repete o resultado do trabalho de sua grande obra-prima O Quarto do Filho (2001). Sua sensibilidade, seu detalhismo, seus nuances de psicologia transformam sua película em algo belo, rico. Seus flashbacks servem como terapia não só para ele - o protagonista que prefere as sombras do holofote - como para nós, os espectadores que acham que Moretti faz algo pessoal inaplicável ao resto da humanidade.

Ada (a ótima Giulia Lazzarini) dirigi lentamente seu pequeno carro de 14 anos. Numa espaçosa vaga tenta manobrar para estaciona-lo quando é interrompida por uma nervosa e incrédula filha. Tentando explicar que estava cansada, e que por isso recorreu ao uso do automóvel, Ada discute com a filha sua capacidade de ainda poder realizar pequenos trajetos. Sua filha não a ouve e rasgando sua carteira, ainda válida, toma o volante do carro engata a ré e, mirando o muro, joga o carro contra ele, repetidas vezes. Numa outra cena podemos ver Marguerita ensinando pacientemente sua filha a andar de moto.

Mia Madre ainda vem com um bônus especial chamado John Turturro, incrível como um ator tarimbado, seletivo consegue em poucas cenas demonstrar um amadorismo (do termo amar) impressionante. Sua cena dançando com a figurinista é sensacional, impossível separar o real da ficção.

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