14 Junho 2011

Violência Gratuita U.S

Funny Games U.S – Michael Haneke – 2000 (DVD)

- Quando Kelvin supera a força da gravidade acontece que um universo é real, mas o outro é ficção.
- Como pode?
- Era uma espécie de modelo de projeção do ciberespaço.
- Ok, e cadê seu herói? Realidade ou ficção?
- Mas a ficção é real não é?
- Como assim?
- Por quê?
- Bem, a gente a vê nos filmes, certo?
- Claro.
- Ela é tão real quanto à realidade que vemos.

Ann, George e Georgie (Naomi Watts, Tim Roth e o pequeno Devon Gearhart) formam a família tradicional do novo século. Imbuídos de passarem um final de semana tranqüilo na casa do lago, eles são surpreendidos pelos jovens Paul e Peter (Michael Pitt e Brady Corbet) e um jogo sádico.

Refilmagem, quadro a quadro, do cult austríaco homônimo de 1997, também dirigido por Haneke, Violência Gratuita é um ensaio sobre a violência. Assemelha-se com Laranja Mecânica (1971) no quesito da violência, do jogo sádico, até nos figurinos, mas ao contrário do clássico de Stanley Kubrick, o filme faz o espectador interagir e o põe dentro da tela.

O diretor alemão usa a metalinguagem para criar seu estudo apontador e provocador. A curiosidade sobre o cinema de Michael Haneke transborda nessa película, assim como vários outros de sua filmografia, esse é mais um exemplar que não sairá de nossas mentes nem tão cedo. O debate principal – a violência de nossa sociedade –, é exposta de uma forma que nos coloca no centro do questionamento. Pois, se usamos a violência como ferramenta para educar, Paul e Peter são dois frutos de nossas metodologias.

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09 Junho 2011

Caché

Caché – Michael Haneke – 2005 (DVD)

Cachê é um dispositivo de acesso rápido, interno a um sistema, que serve de intermediário entre um operador de um processo e o dispositivo de armazenamento ao qual esse operador recorre. A vantagem principal na utilização dele consiste em evitar o acesso ao dispositivo de armazenamento, que pode ser mais demorado.

No filme homônimo de Michael Haneke, a palavra se refere à imagem, principalmente àquela que buscamos na nossa memória.

Essa explicação, ao contrário do que eu acreditava, nada tem a ver com o filme, porque caché, em bom francês, significa oculto, porém do mesmo jeito que viajei na interpretação, me serve como exemplo para decifrar o filme. A procura da resposta às vezes nos leva a uma caminho, não diria errado, mas indesejado, as vezes baseado em nossa cultura, nossas experiências. Afinal, como já dizia Paul Thomas Anderson, “o passado já era para nós, mas não nós para o passado”.

Vencedor do prêmio do júri ecumênico de melhor filme e de melhor diretor do Festival de Cannes de 2005, Caché é exatamente sobre isso, sobre o que guardamos em nossa memória, e sobre o que fica oculto em nossas lembranças.

O cineasta alemão constrói um processo de insinuações que nos leva a um final menos explicativo e mais crítico. Suas imagens são elaboradas para sugerirem algo que pode ou não ser aquilo sugerido, e as interpretações também funcionam como um jogo de suspense onde ninguém é inocente. É um filme que nos põe a pensar. Haneke mostra uma criatividade no mínimo original no uso dos créditos iniciais.

Várias interpretações pipocam na internet, uma delas é a de que os vídeos seriam mandados por Haneke a seus personagens para criar uma trama. Noutra, eles seriam materializações do inconsciente de Georges. Outra, e essa baseado na cena final, é de que o filho do casal estaria por trás de tudo.

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08 Junho 2011

Caché #1

Essa imagem acima faz parte de um vídeo enviado ao crítico literário Georges Laurent. O VHS foi cuidadosamente envelopado num papel pardo sem remetente, a única coisa que contém no vídeo é a imagem estática gravada por horas. Essa imagem é a fachada da casa de Georges, onde ele mora com a esposa Anne, e o filho adolescente Pierrot...

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03 Junho 2011

A Professora de Piano

La Pianiste – Michael Haneke – 2001 (DVD)

- Boa noite, filha.
- Boa noite, mãe.
- Já voltou? Que bom! Não pode ir já para a cama.
- Deixe-me mamãe, por favor, estou cansada.
- Acredito que esteja. O seu último aluno já saiu há umas três horas. Posso saber onde andou esse tempo todo?
- Por favor, mãe.
- Não vai ao quarto antes de me responder!

Sexo e violência são assuntos distintos e opostos. Há quem discorde dessa sentença. Michael Haneke por exemplo. A Professora de Piano é sobre sexo, sobre perversões, mas é sobre violência essencialmente, às vezes física, mas na maioria das vezes, uma violência psíquica.

Erika (Isabelle Huppert) é uma professora de piano de um prestigioso conservatório. Fria, arrogante e boçal, trata os alunos com duras e insensíveis críticas, sua vida pessoal não destoa da profissional. Solteira, ela mora com a mãe que a trata como uma adolescente, vide diálogo acima. Seu desequilíbrio deságua no sexo e é canalizado para as perversões. Walter (Benoît Magimel) é o novo aluno de piano. Talentoso, chama a atenção da professora, e Walter passa a nutrir por Erika sentimentos carnais e românticos.

Haneke costura o tema com frieza e sem pudor, com a característica de seus roteiros, esse baseado no livro do também austríaco Elfriede Jelinek. Os cortes bruscos e as câmeras estáticas fazem muitas vezes que as ações dos atores nos peguem de surpresa. Huppert e Magimel dão show.

A Professora de Piano é uma obra-prima não comercial que necessita de tempo para ser digerida. É um filme obrigatório em qualquer estudo de psicologia que envolva sexo. É também um marco do cinema sobre o tema.

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