02 janeiro 2011

Baarìa

Pietro, Pietro, Pietrozino, brincando de rodar o peão
Vai pegar cigarros para ganhar 20 liras
E vai voando, voando, voando.

Do alto se enxerga melhor, do alto a visão é mais bela
A cor creme da areia parece branco
E Bagheria é perfeita com suas vidas e vielas.

Baarìa – Giuseppe Tornatore – 2009 (Cinemas)

Giuseppe Tornatore é um poeta. Talvez os maiores poemas em homenagens ao cinema, a mulher, e aos pais foram feitos por ele, mas com a mais absoluta certeza, e quem me conhece sabe que odeio fazer afirmações como essa, o maior poema já feito para a cidade de Bagheria é dele, já que dura cerca de 2 horas e meia. Porém a certeza mais certa, desculpem a insistência do pleonasmo, é que Baarìa é o mais belo poema que a pequena cidade siciliana terá.

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Assistir filmes dos grandes diretores do cinema é como ir ver um jogo de futebol de um grande craque, ai você adiciona Ennio Morricone e só vem a minha cabeça Pelé e Garrincha. Assim funciona o filme, enquanto Tornatore nos mostra imagens perfeitas como a da mãe, seus filhos e a avó se deitando no chão da sala visto por cima num perfeito quadrado, Morricone põe a orquestra para tocar mais uma melodia que entra por nossos ouvidos e permanece em nossos corações para sempre.

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Baarìa que significa a porta do vento em árabe, e é como os moradores chamam a cidade de Bagheria, é cinema na sua essência mais profunda, numa cena um garoto troca figurinhas por pedaços de película, coloca-as contra o sol e vai adivinhando o filme pela cena impressa ali. É incrível a capacidade do diretor italiano em construir poesia com imagens. Eu que já achei que ele tinha feito de tudo com Cinema Paradiso (1988), voltei-me a surpreender e emocionar-me. Giuseppe Tornatore fez um filme maravilhoso, belo e simples, e quando achamos que acabou, as lágrimas escorrem do rosto feito cachoeira.

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Eu quero o seu cavalo: Ola, não ouve? Acrescentou Orlando, e com furor se moveu. Trazia um bastão nodoso, espesso e forte, aquele pastor consigo, e o paladino o abateu. A raiva e a ira ultrapassaram os modos do conde e pareceu mais soberbo do que nunca fosse. Na cabeça do pastor um punho acerta que rompe o osso, e morto cai por terra. Monta o cavalo, e por diversa aleia vai percorrendo, e a muitos lhe saqueia. Não agrada o cavalo nem o feno nem aveia, tanto que em poucos dias resta fraco, mas não é que Orlando a pé siga andando pois condução quer obter matando, e quantas achou, tantas em uso pegou porque os seus proprietários assassinou.

Piada interna de cinéfilos; a mosca do filme é interpretada por Moscata Ziu, em sua filmografia o clássico Era uma Vez no Oeste (1968).

2 comentários:

Kamila disse...

Quero muito ver "Baaria" e este teu texto, de certa, forma também faz poesia com as palavras, assim como Tornatore faz com as imagens. :)

Película Criativa disse...

Ainda não vi Baaria, mas estou com altas expectativas. Mas depois de ler o seu texto, acho que não vou me decepcionar com o filme.