31 Março 2010

Um Sonho Possível

The Blind Side – John Lee Hancock – 2009 (Cinemas)

A diferença entre coragem e honra. 1ª parte. Ao vale da morte foram os 600. Eles chamam o estádio de vale da morte por causa dessa história. Alfred Lord Tennyson escreveu. É um poema. Avança a brigada ligeira. Isso é um ataque. Procure as armas. É o final dele. Para o vale da morte foram os 600. Avança a brigada ligeira. Algum homem resistiu? Nenhum, mesmo sabendo que era errado, ele apenas seguiam seu comandante, seu líder, seu treinador.

Existem pessoas na vida que nascem para ajudar os outros.

Baseado no livro de Michael Lewis sobre a vida da decoradora norte-americana Leigh Anne Roberts Tuohy casada com o empresário Sean, dono de mais 80 franquias de restaurantes fast-food, e sobre a adoção do casal do agora jogador da NFL, Michael Oher.

Sandra Bullock está realmente maravilhosa no papel da decoradora, o loiro lhe caiu bem, assim como a personagem. Porém o grande mérito do filme é a quase fábula da vida de Oher (Quinton Aaron), um garoto pobre, filho de mãe viciada em crack, com baixo QI, que foi adotado aos 18 anos e se transformou num astro da liga norte-americana do futebol deles.

The Charge Of The Light Brigade
by Alfred, Lord Tennyson
Memorializing Events in the Battle of Balaclava, October 25, 1854
Written 1854

Half a league half a league,
Half a league onward,
All in the valley of Death
Rode the six hundred:
'Forward, the Light Brigade!
Charge for the guns' he said:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

'Forward, the Light Brigade!'
Was there a man dismay'd ?
Not tho' the soldier knew
Some one had blunder'd:
Theirs not to make reply,
Theirs not to reason why,
Theirs but to do & die,
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon in front of them
Volley'd & thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
Boldly they rode and well,
Into the jaws of Death,
Into the mouth of Hell
Rode the six hundred.

Flash'd all their sabres bare,
Flash'd as they turn'd in air
Sabring the gunners there,
Charging an army while
All the world wonder'd:
Plunged in the battery-smoke
Right thro' the line they broke;
Cossack & Russian
Reel'd from the sabre-stroke,
Shatter'd & sunder'd.
Then they rode back, but not
Not the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon behind them
Volley'd and thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
While horse & hero fell,
They that had fought so well
Came thro' the jaws of Death,
Back from the mouth of Hell,
All that was left of them,
Left of six hundred.

When can their glory fade?
O the wild charge they made!
All the world wonder'd.
Honour the charge they made!
Honour the Light Brigade,
Noble six hundred!

30 Março 2010

A Ilha do Medo

Shutter Island – Martin Scorsese – 2010 (Cinemas)

Uma homenagem de Martin Scorsese ao cinema de Alfred Hitchcock, assim pode ser definido Shutter Island, uma compilação entre alguns do mais famosos suspenses do mestre britânico, e Cabo do Medo (1991), o mais próximo que Scorsa havia chegado do gênero.

É também necessário falar do livro de Dennis Lehane, autor de Sobre Meninos e Lobos (2003). Apesar de um pouco batida, sua obra é bem detalhada.

Mais uma parceria com Leonardo DiCaprio, Shutter Island narra a investigação de dois detetives, Teddy Daniels (Leo) e Chuck (Mark Ruffalo), na misteriosa ilha que serve de base para um hospital psiquiátrico chefiado pelo Dr. Cawley (Ben Kingsley) e Dr. Naehring (Max von Sydow) para descobrir a verdade sobre o sumiço de uma interna, Rachel Solano.

O elenco ajuda, ainda temos Emily Mortimer, a ótima Patricia Clarkson, Jackei Earle Haley e Elias Koteas, o livro é bom, a direção é reconhecida e tarimbada, mas o grau de expectativa é maior que o resultado final.

29 Março 2010

Cannes 2010

Cannes divulgou hoje o cartaz do seu 63º festival, trazendo a atriz Juliette Binoche imitando Pablo Picasso na famosa foto. A fotografia é da artista francesa Brigitte Lacombe. Mais uma vez o pessoal cria um pôster fantástico, como já vinha sendo no ano passado, com a famosa foto de homenagem a Michelangelo Antonioni, e em 2008 com o cartaz criado por David Lynch. Esse ano o jurí será presidido por Tim Burton e a película de abertura será Robin Hood de Ridley Scott. Aguardaremos agora a seleção de filmes, que se vier um pouquinho só parecida com a do ano passado será maravilhosa.

20 Março 2010

Simplesmente Complicado

It’s Complicated – Nancy Meyers – 2009 (Cinemas)

A cineasta norte-americana que não ganhou o Oscar, mas é mais talentosa do que quem está com a estatueta, Nancy Meyers, chegou ao alvo de sua carreira, penso eu. Tratando de romance-comédia-leve com pessoas de 50 a 60 anos, e sem se levar a sério, ela é mestra. Foi assim com Alguém tem que Ceder (2003) e repete agora com sua nova película que reúne um elenco que já vale o ingresso, Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin.

Se em Alguém tem que Ceder (2003) ela deixava o filme nas mãos seguras de Jack, afinal ela não é boba, aqui ela escolhe Meryl Streep, a Jack Nicholson de saias como alguém já disse, para capitanear sua obra. Porém, colocou do lado da rainha norte-americana dois pesos-pesados (sem trocadilhos com Alec, por favor).

Mas é justamente o mais pesado dos dois que rouba o filme, Alec Baldwin vive a melhor fase de sua carreira de altos e baixos. É um ator carismático, que se entrega e dá vida a personagem. Os momentos mais engraçados de Simplesmente Complicado tem sua gorda (foi sem querer) participação.

A divorciada Jane (Streep) ainda tenta se recuperar da separação de seu ex, Jake (Baldwin) que a trocou por uma linda mulher mais jovem, Agness (Lake Bell), enquanto conhece o arquiteto também divorciado Adam (Martin).

17 Março 2010

Cenas de um Casamento

Scener ur ett Äktenskap – Ingmar Bergman – 1973 (DVD)

CENA 1. INTERNA. RESIDÊNCIA/ENTREVISTA
Após as fotos do casal com as duas filhas, e do casal a sós, começa uma entrevista sobre a relação deles, como vocês se descreveriam, pergunta a repórter. O marido não mede nas palavras, inteligente, jovial, sexy e bem-sucedido, raciocínio de alcance global, educado e sociável, amigo, esportivo, bom pai, bom filho e um amante fantástico. A esposa fica sem graça, diz que está feliz, não é auto-confiante como Johan, o marido, mas tem 10 anos de casada e duas filhas. Ela tem um corpo lindo, diz Johan. Ele tem 42 anos, ela 35, são burgueses, Johan é professor de psicotecnologia, Marianne é advogada.

CENA 2. INTERNA. RESIDÊNCIA DO CASAL. CLOSE NO LUSTRE DE CRISTAIS E ENVOLTO DE CASTIÇAIS.
Johan e Marianne estão na mesa de jantar com outro casal amigo, a conversa é animada e estão na sobremesa do que parece ter sido um bom jantar. Johan lê a matéria da entrevista que foi publicada numa revista. Parecem ser íntimos dos amigos. O casal convidado começa a dar indiretas um ao outro, ao que parece uma brincadeira, mas há algo de errado na relação deles, deixando os anfitriões numa saia justa. Vamos tomar um café na sala de estar, interrompe Johan. Porém a situação continua a mesma, o divórcio parece inevitável, e o agradável jantar se torna um pesadelo quando a convidada joga bebida no rosto do marido após agressões verbais.

Originalmente produzido como uma série de TV de 6 episódios: Inocência e Pânico; A Arte de encobrir; Paula; Vale das Lágrimas; Analfabetismo, e No meio da noite numa casa escura em algum lugar do mundo, foi um enorme sucesso na Suécia. E segundo Ingmar Bergman aumentou substancialmente a taxa de divorcio no país e dobrou a procura de casais por conselheiros matrimoniais. Analfabetismo, para o cineasta significa que nunca fomos ensinados a amar, por isso somos analfabetos emocionais.

Liv Ullmann, no auge da beleza loira e alva, se recusou a aceitar a oferta de Bergman de ter participação no lucro do filme, quis um salário ao contrário do resto do elenco. O estrondoso sucesso da película fez Ullmann reconhecer depois que esse é um dos fatos que mais se arrepende na vida.

Cenas de um Casamento possui a atmosfera de uma peça teatral com tomadas longas, muitos closes e cores que demonstram sentimentos. Os atores ajudaram na criação das personagens e no desenvolvimento deles, muito das cenas longas era feita no intuito de propor ao ator ir mais fundo na psicologia da personagem. Liv Ullmann, sensacional, interpreta a retraída Marianne e Erland Josephson, muito bom, no papel do boçal Johan.

09 Março 2010

Comentários Oscar 2010

Venceu a melhor. Obviamente que não, até porque isso não é o Oscar, a melhor festa do cinema mundial.

O que me incomoda no prêmio é esse tom que alguns críticos querem dar. Venceu, é o melhor filme do ano. Me incomoda também o esquecimento de quem foi o melhor.

O Oscar criou uma identificação, um selo, uma marca. Quando pegamos um filme que vem com a famosa escrita “vencedor do Oscar de Melhor Filme”, já sabemos o que esperar dele. Será um Shakespeare Apaixonado (1998), será um Senhor dos Anéis (2003), será um Crash (2006). Será um Guerra ao Terror. Porém não será um Sangue Negro (2007), não será um Laranja Mecânica (1971), e não será um Bastardos Inglórios (2009).

Invariavelmente o prêmio não é concedido ao melhor filme do ano, ele é dado por reparação, ou vocês acham Os Infiltrados (2006) o melhor do Scorsese? Ele é dado para tentar conquistar adolescentes, O Senhor dos Anéis (2003), ou ele é dado para uma mulher, que em 82 anos de festa nunca receberam nada.

Ao contrário da festa do ano passado, não gostei desse ano, me deu sono, só acordei quando deram o melhor filme estrangeiro ao argentino. Os apresentadores foram ótimos, mas faltou dinâmica a festa. Gostei da homenagem a John Hugues, e foi imperdoável o esquecimento de Farraw Fawcet no in memoriam.

07 Março 2010

Oscar 2010

And the Oscar goes to...

Esse é o ano do Oscar. Temos 10 filmes indicados, poucas pessoas sabem de todos, mas todos sabem quem é o favorito. Sem essa de Guerra ao Terror, o filme marketing do milênio que prova o poder de uma campanha bem feita. A indústria cinematográfica começa a entender e ser como a indústria fonográfica, infelizmente. Mas esse ano temos o Sr. Oscar James Cameron, um cara que nasceu pro prêmio. Sabe como fazer um filme para agradar bilhões, e sabe criar o esquema certo para faturar. Avatar é a barbada do ano. Um ano estranho, mas que tem no filme dos azuis, a cara da estatueta.

Guerra ao Terror é a piada interna do ano. Imagino o quanto duas ou três pessoas estão rindo de nós. Preciosa é o independente do ano. Ganha a simpatia dos que torcem pelos menos privilegiados, e é o melhor exemplar nessa categoria no Oscar. Amor sem Escalas é o clássico norte-americano de 2010, mais idiotizado e simples, mas faz sua parte. Por último temos o filme que de cada 10 pessoas, as 10 sabem que é o melhor do ano, Bastardos Inglórios. Ai, você me pergunta, ué, e porque ele não vence? Porque isso é a academia, e isso não tem como negar. Não é o melhor o que importa, é a festa.

Me desculpem os outros 5 indicados, mas se estamos sendo sinceros esse ano, caiam na real, vocês não disputam nada. Falando em sinceridade, 2010 também vem mostrar que as canções estão sendo despejadas da festa. Me deixa muito feliz a indicação do melhor filme do ano, e mais ainda seu favoritismo nas duas categorias indicadas.

The White Ribbon.

04 Março 2010

8½ – Federico Fellini – 1963 (DVD)

Diz à lenda que, quando Diomedes (o cantor) morreu, todos pássaros se reuniram e cantaram um coro fúnebre que o acompanhou até a sepultura.

ASA NISI MASA

Desafio alguém a achar uma crítica negativa do filme por ai. é unanimidade, é idolatrado por muitos críticos e amado por uma geração cinéfila, mas o filme não é isso tudo. É bom, obviamente, mas ta longe de ser unânime, e muito distante de ser a melhor obra do cineasta.

EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS
Fora da Igreja não Há Salvação

Nasceu de uma crise criativa e poderia dizer até existencial de Fellini. Foi homenageado por diversos cineastas. Virou um musical da Broadway que o elevou a um altar onde não era para estar. É sim um exemplo de fotografia, de Gianni Di Venanzo, e trilha sonora, Nino Rota. Porém é arrastado e se apóia mais na forma do que no conteúdo, mesmo assim é um Fellini e está repleto de referencial para cinéfilos, como por exemplo o andar de Guido no hotel, virando o pé direito enquanto caminha, ou seu óculos que virou moda instantaneamente.EXTRA ECCLESIAM NEMO SALVATUR
Fora da Igreja ninguém se salva

O filme é uma biografia de um dos mais importantes cineastas da humanidade. Está tudo lá, sua infância dolorosa, a igreja julgadora e repressora, e as mulheres-atrizes-amantes de sua vida, especialmente a esposa Giulietta Masina, interpretada pela francesa Anouk Aimée.

SALUS EXTRA ECCLESIAM NOM EST
Não há salvação fora da Igreja

O título se refere ao número de produções realizadas até então por Federico Fellini. Sete filmes entre longas-metragens e curtas, e um dirigido pela metade com Alberto Lattuada, o meio.

A felicidade consiste em poder dizer a verdade sem nunca fazer ninguém sofrer.