24 Novembro 2009

E.T.: The Extra-Terrestrial

Momento Mágico: E.T.: O Extraterrestre (Steven Spielberg)

Criada pelos artistas da ILM (Industrial Light and Magic de George Lucas) a cena da bicicleta voadora na frente da lua é inesquecível, tanto no filme, como na história do cinema. A imagem é tão significativa na carreira do cineasta que o acompanha até hoje, e acabou virando o símbolo da sua produtora, a Amblin Entertainment. Dennis Muren foi o responsável pela direção da equipe de efeitos visuais da ILM.

John Williams, eterno parceiro de Steven Spielberg, teve a fantástica missão de compor a música para cenas. O problema é que ele não visualizaria tudo pronto porque os efeitos ainda não estavam prontos. O resultado é uma das composições obrigatórias da sétima arte. Cinematografia de Allen Daviau.

23 Novembro 2009

A Single Man

Gostei demais das imagens, do trailer e dos atores que fazem parte do primeiro filme do estilista John Ford como diretor. Baseado no romance de Christopher Isherwood, o filme retrata a dor de um professor universitário (Colin Firth - que dizem estar sensacional) diante da morte de seu companheiro por 16 anos (Matthew Goode), na atmosfera política carregada pela Guerra Fria, em 1962. O filme ainda tem Julianne Moore (também muito elogiada, mas aqui é ser repetitivo) e imagens que brilham e promete ser um dos filmes do ano, que ainda não tem data de lançamento.

19 Novembro 2009

Os Falsários

Die Fälscher – Stafan Ruzowitzky – 2007 (DVD)

O grande mote de Os Falsários não está em seu protagonista, o judeu especialista em falsificações Salomon Sorowitsch (Karl Markovics). Para ele a proposta dos nazistas para criar notas falsas do dinheiro inglês e depois norte-americano é uma mera utilização de seus conhecidos serviços, mas para os outros judeus não, aquele trabalho que salva suas vidas é na verdade outro tipo de morte, a morte da ética e da honra principalmente. Foi um estupro moral consentido e negociado.

Enveredando mais para o caminho do “na guerra pode-se tudo”, o diretor não evidencia o drama moral, e nos manipula para relevar o terrível pacto.

Os prisioneiros recebem melhores tratamentos, são agraciados com mesa de ping-pong, roupas dos outros judeus mortos, médico, camas limpas e material de higiene, enquanto que no muro vizinho ouve-se seus conterrâneos sofrerem maus tratos, violência e serem assassinados.

Baseado no livro de Adolf Burger, uma das personagens do filme com um pouco mais de dignidade do que os outros, Os Falsários relata a famosa operação Bernhard, quando os nazistas, no fim da guerra, resolvem utilizar alguns prisioneiros judeus com experiência em gráfica, em especial o famoso falsificador Salomon, para financiar os alemães e também desestabilizar a moeda inglesa, criando notas falsas de libras esterlinas e mais tarde dólares.

16 Novembro 2009

Woody Allen clarinete

Segunda-feira é dia de ouvir Woody Allen tocando clarinete no Cafe Carlyle em Nova York.

Allen, que aparece regularmente numa sessão jam-jazz (improvisação de jazz), com a banda Eddy Davis New Orleans, tem uma ligação muito forte com a música, principalmente o Jazz. Isso pode ser conferido em todos os seus filmes, dos quais é responsável também pela escolha da trilha sonora.

Para quem quiser aparecer, é bom fazer reservas pelos telefones T 212.744.1600 F 212.717.4682. O endereço é: 35 East 76th St., New York, NY 10021. Para nós, mortais, esse vídeo de um solo do cineastas mata um pouco a vontade. Clique aqui

10 Novembro 2009

In-Eyes

In-Eyes – Juliette Binoche – 2009 (Livro)

A atriz francesa Juliette Binoche está em Portugal, mais precisamente no Festival de Cinema de Estoril, levando uma mostra do seu trabalho como desenhista. A obra faz parte de um livro, lançado na França, onde Binoche catalogou vários desenhos dos diretores com quem trabalhou, ao lado da imagem da sua personagem. É o olhar dela para o cineasta, ao mesmo tempo que mostra o olhar do diretor para ela, sob o ponto de vista da atriz, obviamente.

A lista de cineastas inclui Jean-Luc Godard, Krzysztof Kieslowski, Abel Ferrara, Michael Haneke, Anthony Minghella, John Boorman, André Téchiné, Hou Hsiao-hsien, Abbas Kiarostami, dentre outros. O nome da mostra e da publicação se chama “In-Eyes”. As fotos abaixo são, respectivamente: Haneke com Binoche, do filme Código Desconhecido (2000), Abel Ferrara e Binoche em Maria (2008), e Anthony Minguella, que a dirigiu em O Paciente Inglês (1996).

05 Novembro 2009

Pornô+Chanchadas

Chanchada era um tipo de filme mal feito, sem qualidade técnica e visual e onde a comédia rasgada prevalecia. Predominava-se um humor ingênuo, burlesco, de caráter popular. O cinema da chanchada era tipicamente carioca, e ajudou ainda mais a celebrar a fama de malandro do povo do Rio de Janeiro. Alguns críticos datam o movimento no ínicio do século XX, outros adotam a filmografia da Atlântida como marcos iniciais e finais da Chanchada. Seguindo essa informação temos Carnaval no Fogo (1949) como a primeira chanchada e Garotas e Samba (1957) como último.

A Atlântida foi constituída por alguns intelectuais cariocas que sonhavam com um modelo de cinema nacional sério e rentável. Eles vinham de um grande sucesso, Moleque Tião (1943), um melodrama sobre a vida do ator Grande Otelo, que atuava como ele mesmo. Depois vieram dois fracassos consecutivos, e os executivos da Atlântida resolveram apelar para o musical, que vinha crescendo com a Cinédia e a Sonofilmes.

O primeiro musical carnavalesco foi Tristezas Não Pagam Dívidas (1943), com Oscarito e Jayme Costa no elenco. Um estrondoso sucesso, fazendo a companhia repetir a dose de trechos cômicos (livremente inspirados em peças teatrais), muita música, e um fiapo de roteiro. A dupla Oscarito e Grande Otelo virou celebridade. Com uma química ímpar, a dupla arrastou multidões ao cinema. Os dois filmaram a maioria dos carnavalescos da Atlântida, Oscarito no primeiro papel, e o grande Grande Otelo como faxineiro, secretário, uma escada para o sucesso do amigo. O filme mais completo dessa fase foi Este Mundo É Um Pandeiro (1947), de Watson Macedo.

As pornochanchadas vieram em seguida, aumentando o erotismo e colocando uma boa dose de nudez gratuita. David Cardoso reinou e fez fortuna com o gênero. Mais tarde o genial escritor Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico, colocou mais lenha na fogueira com as adaptações de suas obras cults, A Dama do Lotação (1978), Bonitinha, mas Ordinária (1980) e Perdoa-me por me traíres (1983). Era também a época da ditadura e da censura, muitas obras acabavam incompreensíveis devido aos cortes, e a exploração da sensualidade era a forma de fazer um cinema para o povo, cada vez mais levado à cultura norte-americana.

Enquanto as estrelas globais iam desfilando seus corpos nus ao grande diretor da época, Walter Hugo Khoury, que juntamente a Arnaldo Jabor passaram sem arranhões dessa fase. Era na boca do lixo onde a maioria dos filmes do movimento era feito. Reduto dos bordeis e das prostitutas de São Paulo.

Alguns cineastas nacionais ficaram estigmatizados pelo período, como o próprio Hugo Khoury de Amor Estranho Amor (1979) famoso pelas cenas quentes com Xuxa, Braz Chediak de Navalha na Carne (1970) e Neville D’Almeida de Rio Babilônia (1982), uma espécie de Cidade de Deus (2002) erótico. Foi o movimento mais popular do cinema brasileiro, e foi também o maior sucesso de público. A Dama do Lotação (1978) também dirigido por Neville é a quarta maior bilheteria da história do país.