17 janeiro 2007

Era Uma Vez na América

Once Upon a Time in America – Sergio Leone – 1984 (DVD)

Caros amigos, convido a todos a viajar comigo nos primeiros 10 minutos de Era uma Vez na América.

CRÉDITOS INICIAIS, LETRAS BRANCAS, FUNDO PRETO.
Um filme de Sergio Leone, estrelando Robert De Niro. Era Uma Vez na América. Também estrelando James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, Danny Aiello, William Forsythe, James Russo, Jennifer Connelly, Burt Young como Joe, Tuesday Weld e Treat Williams como Jimmy O’Donnell. Música composta e dirigida por Ennio Morricone.

INTERNA. NOITE. QUARTO ESCURO.
No final dos créditos ouvimos alguns passos do que aparenta ser de sapatos feminino. Depois o barulho de uma maçaneta, e o que era escuro começa a clarear, percebemos então, que o “fundo preto” dos créditos era na verdade um quarto escuro que agora se revela com a abertura da porta e os primeiros sinais de luz invadindo o ambiente. A silhueta de uma mulher elegantemente vestida. A câmara focaliza todo o quarto vazio e arrumado. Volta à mulher, vemos agora seu rosto, loira, lábios vermelhos e de chapéu ela parece conhecer o ambiente. Desconfia de que tem alguém na casa. Vai até a cabeceira da cama e tenta ligar o abajur que não funciona, automaticamente ela gira a lâmpada dentro do objeto e, para seu estranhamento, a luz acende. Ela enxerga marcas redondas no lençol branco. Puxando a fronha percebe que as marcas fazem um contorno de um corpo humano. O som do vidro de um porta-retrato de Noodles (Robert De Niro) se quebrando invade o ambiente, e o susto da mulher a faz soltar um grito e virar-se. Um homem armado, que usou o revolver para quebrar o porta-retrato, aparece. E ele não está sozinho. Na verdade são três homens nada amigáveis. – Onde ele está? Onde ele se escondeu? Pergunta apontando a foto do porta-retrato quebrado. – Não sei. Eu o estou procurando desde ontem. Um tapa a faz cair na cama. – Vou perguntar pela última vez. Onde ele está? Enquanto isso seu colega põe o silenciador na arma. – Eu não sei. O que vai fazer com ele? Levantando-se. Barulho! A arma está pronta. Um tiro acerta seu coração e ela cai novamente na cama. Ela ainda está viva. Outro tiro acerta o outro lado do peito, mortalmente. – Fique aqui, caso aquele delator apareça. – Ok.

INTERNA. NOITE. QUARTO.
O rosto de Fat Moe (Larry Rapp) totalmente ensangüentado aparece no exato momento em que leva um soco do que parece ser uma surra. Ele está amarrado numa bola para boxeador. Novo soco, desta vez em seu estômago. – A quem está protegendo, seu imbecil? Um alcagüete, que deda os próprios amigos. Uma joelhada na barriga. – Eles também eram seus amigos! Olha para o colega que o acompanha na sessão tortura. – Entendi. Quer acabar como aquela vaca, não é? Novo tiro e a bola de boxe se esvazia. A arma vai parar na boca de Fat Moe, gatilho puxado. – Chun Lao’s. Teatro chinês. Moe não agüentou. Seu corpo é largado no chão, ainda amarrado. – Fique aqui com esse bosta.

INTERNA. NOITE. CHUN LAO’S – TEATRO CHINÊS.
Em meio a uma orgia de pessoas tomando ópio, um simpático velhinho chinês leva algo para Noodles, que deitado, parece viajar nas ilusões opionianas. O velho pede a um chinês mais jovem que prepare outro cachimbo, enquanto acorda Noodles para que beba o liquido. Ele bebe e tem alguns segundos de prazer, mas logo recobra sua mente e procura pelo jornal deixado ao seu lado, segura-o e lê: CONTRABANDISTAS PEGOS PELA FEDERAL. TRÊS MORTOS. As fotos são de Max (James Woods), Cockeye (William Forsythe) e Patsy (James Hayden). Noodles deita a cabeça novamente, mas é despertado pelo barulho de um telefone tocando. Sua cabeça dói, o jovem chinês vai ao seu socorro com o cachimbo pronto. O telefone continua a tocar. Noodles puxa o ópio com sofreguidão e o chinês faz uma massagem em suas pernas. O telefone toca. Noodles relaxa. O telefone toca. Close numa chama de um candeeiro. O telefone tocando.

EXTERNA. NOITE CHUVOSA. ACIDENTE NA RUA.
Close reverso de uma lâmpada de um lustre que vai lentamente mostrando todo o ambiente. Telefone tocando. Bombeiros tentam apagar o fogo de um caminhão carregado de caixas espalhadas pelo chão, ao fundo a multidão assiste sob uma forte chuva. Telefone continua a tocar. Três corpos são perfilados no asfalto. Patsy é o primeiro Telefone toca. Noodles aparece no meio da multidão curiosa avistando o corpo de Cockeye. Telefone tocando. O terceiro corpo, carbonizado, parece ser o de Max. Noodles desconfia. Telefone toca. A policia identifica os três corpos como sendo mesmo o de Patsy, Cockeye e Max. Telefone continua a tocar.

INTERNA. NOITE. BAR.
O telefone tocando se mistura a um jazz fúnebre que traz o caixão da lei seca. Os clientes do bar jogam flores no caixão que é carregado e desfila pelo bar. Champagne. Max, Cockeye e Patsy brindam. Telefone toca. Carol (Tuesday Weld) observa e bebe sua taça. O jazz agora é festivo e Noodles beija uma garota loira elegante de boca vermelha, ela parece resignada. Telefone toca e Noodles vai a algum lugar. Passando por todo o salão ele entra no escritório, observado por Max. Close num telefone preto. Telefone continua tocando. Noodles o pega. Telefone continua a tocar. Noodles então faz uma ligação.

INTERNA. NOITE. POLICIA.
Sargento P. Halloran informa a placa da mesa em frente a um telefone preto. Telefone tocando. Uma mão atende.

INTERNA. NOITE. CHUN LAO’S – TEATRO CHINÊS.
Uma zoada incômoda interrompe o som do telefone tocando e Noodles é despertado pelo barulho. Sua cabeça dói, o jovem chinês vai ao seu socorro com o cachimbo pronto.

21 comentários:

Anônimo disse...

Seus posts são ótimos! Sou fã!

Obrigada pelos parabéns! E, quanto ao filme das 4 amigas, continuo achando que não vale a pena alugar (tendo outros tantos filmes maravilhosos que queremos ver), mas vale pela esperiência, se estiver passando na TV e você estiver com tempo livre. Os diálogos são bem legais.

Beijo!

Diário de Dois Cinéfilos disse...

Opa cara. Passando pra conhecer o blog. Tah muito bom viu? Parabéns!!
Fiquei bem curioso em relação ao filme que tu resenhou.
Abraço

Museu do Cinema disse...

Vou esperar e olhar atentamente, se foi na Globo Carla, é bem provavel eles repetirem. Obrigado!

Museu do Cinema disse...

Seja bem vindo do diário de dois cinéfilos, vale a pena vc ver Era Uma Vez na América, acho ele item obrigatório.

Túlio Moreira disse...

Convite aceito!

Cassiano, já tinha te falado que gosto muito de quando vc descreve cenas - de forma precisa e requintada. Esse texto é daqueles que todo cinéfilo deve copiar e guardar sempre. Parabéns!

Ab!

Otavio Almeida disse...

Cassiano, a cena da Jennifer Connelly dançando com o menino espiando pelo buraquinho é a coisa mais bonita desse mundo!!! Ou será aquela cena com outro menino preferindo o doce à menina?

FILMAÇO!!

Museu do Cinema disse...

Poxa Túlio, muito obrigado amigo, tava precisando!

espero que vc tenha guardado.

Sobre o convite, aceito por ti, como vc é um cara criativo, pode sugerir como fariamos isso.

Museu do Cinema disse...

Otávio, ou não seria a cena que Noodles (De Niro) leva Deborah (McGovern) para jantar num restaurante aberto só para os dois ao som de Amapola?

Ou também a cena que Noodles telefona para Joe no seu bar e diz q voltou do telefone publico do lado e só vemos a cena não ouvimos nada? e a camera sobe para mostrar Noodles ligando?

Ou não seria o filme todo?

Escolhi a cena inicial, pq sou fã de Brian De Palma. Explico, De Palma e Leone tem a genialidade em fazer filmes com cenas iniciais magnificas.

Museu do Cinema disse...

PESSOAL TINHA UM ERRO NO TEXTO QUE JÁ CORRIGI, A PERSONAGEM NÃO ERA JOE E SIM FAT MOE, IGUALMENTE É O MEU COMENTÁRIO PARA VOCÊ OTÁVIO. EM VEZ DE JOE, LEIA MOE.

DESCULPEM.

Anônimo disse...

"Vou esperar e olhar atentamente, se foi na Globo Carla, é bem provavel eles repetirem. Obrigado!"


Foi na HBO. A casa dos meus pais tem TV a cabo (já a minha...). Heheheh

Beijo!

Museu do Cinema disse...

Então na HBO eles repetem mesmo.

Túlio Moreira disse...

Cassiano, cinéfilos-que-viajam-juntos em filmes como Era uma vez na América é simplesmente "curta a sessão".

abraço!

(ah, do De Palma, eu já queria assegurar Dublê de Corpo, esse eu faço questão, ok?!)

Alex Gonçalves disse...

Poxa, Cassiano!
È incrível a sua capacidade para descrever cenas com tanta emoção e perfeição!
Como havia dito em um comentário já passado sobre o mesmo filme, a sua sugestão para ver ao filme foi muito boa para mim, pois gostei muito da obra.
Até a próxima!

Museu do Cinema disse...

Túlio, adoro o Dublê de Corpo, mas como vc falou primeiro, tá no direito!

Alex, obrigado pelos elogios. Valeu mesmo! Aguardo sua crítica hein, não esqueci!

Kamila disse...
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Kamila disse...

Cassiano, que descrição. Fiquei com muita vontade de conferir o filme. Aliás, dar dicas de filmes interessantes é uma coisa na qual você é expert!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, mas esse filme eu garanto mesmo, assino em baixo, em cima, onde vc quiser.

bjs

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, tenho tantas resenhas quase finalizadas para postar que acredito que Era Uma Vez na América ficará só em uma das futuras seções do "Do Fundo do Baú". Mas pode apostar que um dia você verá a minha humilde impressão sobre a obra, assim como o recente Álibi.
Abraços!

Ailton de Oliveira disse...

Era uma vez na América... uma história, um faz-de-conta, uma alucinação?
Só sei que é um dos maiores filmes de todos os tempos. Bate O Poderoso Chefão feacil. Polêmica no ar? heheeh
Lembro quando vi "Era uma vez..." lea pelos idos do final dos anos 80 acho, na antiga Sala da Cinemateca, na Fradique Coutinho, onde hoje é a Sala Uol. Versão com legendas em espanhol, vinda da cinemateca do Uruguai...
Inesquecível.
Até hoje entre os meus 10+ tranquilo.

Museu do Cinema disse...

Ola Ailton, Era Uma Vez... tá na lista dos melhores filmes da humanidade, sem duvidas, só não acho que bata O Poderoso Chefão, são semelhantes.

Vc é um sortudo, viu Era Uma Vez...nos cinemas, que inveja.

Ailton de Oliveira disse...

Ta bom vai, "Eram uma vez..." e "O Poderoso Chefão" estão alí, pau a pau... hehehe