28 novembro 2006

Fonte da Vida

The Fountain – Darren Aronofsky – 2006 (Cinema)

E assim o Senhor Deus expulsou Adão e Eva do jardim do Éden e plantou uma espada em fogo para proteger a árvore da vida”. Gênesis 3:24.

Dr. Creo (Hugh Jackman) é um neurocirurgião que procura desesperadamente a cura para o câncer. Sua busca tem uma razão, a doença de sua esposa, Izzy (Rachel Weisz), uma escritora que, perto da morte, está terminando um livro sobre a busca do homem à vida eterna na Espanha imperial.

No laboratório, presidido pela Dra. Lillian (Ellen Burstyn), Dr. Creo e sua equipe testam drogas em macacos. Um experimento (uma mistura com árvores da América do sul), faz o macaco rejuvenecer rapidamente, mas seus resultados são descartados pelo médico porque o tumor continua progredindo.

Termine!

O filme é interpretativo, fico espantado de ver várias críticas iguais sobre ele. Talvez dessa interpretação venha seu maior problema. Estamos acostumados a ver filmes auto-interpretativos, mastigados mesmo, e assistir a um filme que nos coloque para pensar é complicado. Aqui vai a minha interpretação:

Passado em três épocas distintas, que em nenhum momento é informada, mas fica claro, o presente é a luta do médico para curar sua esposa, sua obstinação na procura o faz se afastar dela, que escreve um livro. O livro, que no filme é o passado, conta à história da rainha da Espanha que manda um pequeno exército para a nova Espanha (América do Sul) juntamente a um padre para encontrar a árvore da vida, escondida pela civilização Maia. Até aqui temos um filme, o futuro é que é a parte interpretativa do filme, e aconselho a só ler depois de ver o filme.
Dr. Creo, enclausurado numa bolha gigante com a árvore da vida ao centro, vaga pelo espaço. Atormentado pelo fantasma da esposa, que repete para ele terminar, o Dr. Creo se utiliza da árvore da vida. Seu descaso com a esposa no passado o colocou numa órbita de loucura que só ele mesmo pode tira-lo. É nessa situação que ele passa a perceber que a morte é algo natural, que ele não tem, nem nunca terá o poder da vida, mas teve e perdeu o poder de viver, principalmente os pequenos e mais simples ao lado da esposa. No momento que ele percebe isso, ele termina o livro da esposa, quando o conquistador bebe da árvore da vida e morre, virando vida em plantas.
Isso explica também o Gênesis do início do filme. Deus, percebendo a falta de inteligência humana para lidar com a fonte da vida, acaba por protege-la para não trazer problemas.

As cenas e imagens do filme impressionam, o cuidado com a produção (arte, cenários e figurinos, maquiagem e fotografia) é digna de reconhecimentos. Outra parte excelente da pelicula é a maravilhosa trilha, que pontua todo o filme, composta por Clint Mansell, colaborador do cineasta, e executada pela banda escocesa Mogwai.

4 comentários:

Kamila disse...

Cassiano, parei de ler seu post na parte em que você começa a oferecer a sua interpretação sobre este filme, pois, como eu ainda não o vi, quero ter surpresas. Mas, apesar de ter ressalvas em relação a este filme, que me parece confuso, tenho que confessar que fico intrigada com ele na medida em que leio as reações aos filmes. A maioria das pessoas têm uma sensação quando termina a sessão e, depois de refletir sobre o filme e sua história, mudam para melhor a sua opinião sobre ele.

Cheguei até a ler um post de um cara que disse que precisava pensar muito no filme antes de escrever qualquer coisa a respeito dele. E ele continua sem escrever até agora sobre o que viu....

Museu do Cinema disse...

É verdade Kamila, o filme nos coloca a pensar já que o final é aberto a interpretações, mas o que mais me intriga e coloquei isso no meu post é que muita gente tem contado a mesma história, inclusive com períodos do passado e futuro iguais, isso não tem no filme.

E outras coisas mais que se contar estraga a surpresa! Mas o filme é ótimo, e nos deixa a sensação de que cinema pode e deve ser mais que puro entretenimento! Esses filmes estão nos dando preguiça de pensar.

Túlio Moreira disse...

cara, esse filme tem que chegar logo em Goiânia! (ou, no mínimo, chegar a Goiânia...)

Assim que o assistir comento seu post. Ah, vai ter coluna nessa semana? abraço forte!

Museu do Cinema disse...

Aguardarei seu comentário então, e espero que essa semana chegue por ai.

Quanto a coluna amanhã te mando.