02 abril 2012

L’Apollonide

L’Apollonide - Souvenirs de la maison close – Bertrand Bonello – 2011 (Cinemas)

Quantos anos você tem?
Dezesseis.
Porque você veio aqui?
Para ser independente e livre.
Para ser livre? Estamos em uma casa de tolerância. A liberdade está fora, não aqui.

Rodado quase inteiramente numa casa que serve como cenário para um bordel, L’Apollonide mostra a vida de prostitutas em Paris no final do século 19. Além das belas tomadas e reconstituição de época, o filme é cru e ao mesmo tempo temperado de poesia.

Eu sou o cliente, eu paguei, eu digo quando parar.

Algumas personagens se destacam do grupo das prostitutas como, por exemplo Madeleine (Alice Barnole), sua resignação, antes pelo fato de ser prostituta e não ter escolhas, e depois, já desfigurada por um cliente e transformada em A Mulher que Ri, mostra o talento da atriz em interpretar um mesmo sentimento de maneira completamente diferente.

Essas qualidades, juntamente com um cineasta seguro e ambientado ao tema, Bertrand Bonello dirigiu Tiresia (2003), fazem de L’Apollonide um filme cult, carregado de apelos cinematográficos e com uma trilha sonora sensacional que ressucita o grande Lee Moses.

3 comentários:

Kamila disse...

Segundo bom texto que leio sobre esse filme, que me parece ser bem interessante, apesar de tratar de um tema um tanto trivial.

Museu do Cinema disse...

Exatamente Kamila, assunto trivial transformado em um belo filme.

Luís disse...

Confesso que seu texto me inspirou a conhecer o filme pela frase profesirda pelo cliente e também pela citação ao filme Tiresia, que há muito quero ver.