10 setembro 2010

Zabriskie Point

Zabriskie Point – Michelangelo Antonioni – 1970 (DVD)

ZABRISKIE POINT

“esta é uma área de descanço de lagos antigos depositados há 5 ou 10 milhões de
anos. Estes jazidos foram formados e feitos, empurrados por forças terrestres e
erodidos pelo vento e a água. Contém borato e gesso. Os montes amarelos são
chamados de Manly Beacon.”

Apesar das críticas negativas, de exaltados ensaios sobre a atuação amadora da dupla de protagonistas, e do anuncio público de fracasso feito pela Metro-Goldwyn-Mayer – que havia contratado o talentoso cineasta italiano para dirigir três filmes para o estúdio – Zabriskie Point é um tratado sobre o movimento hippie, seus desdobramentos, e suas conseqüências na sociedade.Configurado em cima do chamado cinema-verdade (cinéma-verité), Antonioni escalou o elenco com a maioria de atores amadores, a exemplo do casal principal, Mark Frechette e Daria Halprin. Frechette doou tudo que recebeu com o filme pra uma comunidade de Boston dedicada a astrologia, depois participou de alguns filmes b italianos e foi detido por assalto a banco. Na prisão, condenado há 15 anos, morreu de forma acidental. Daria, que foi descoberta por Michelangelo Antonioni num documentário underground chamado Revolution (1968), manteve uma relação rápida com Frechette após as filmagens, depois casou e divorciou-se do ator Dennis Hopper, com quem tem 1 filho. Afastou-se do cinema e hoje trabalha com terapia e educação pela arte.

Pelo menos numa cena os detratores da película foram unânimes em reconhecê-la como uma preciosidade psicodélica, é a orgia no deserto encenada pela companhia open theatre, onde vários casais nus fazem sexo cobertos de areia. A narrativa mistura revolução juvenil, panteras negras, filosofia hippie, psicodelismo e capitalismo. Tudo isso passa pelo casal Mark e Daria (seus nomes reais foram utilizados nas personagens, mais um dogma do cinéma-verité). Mark participa do encontro dos estudantes, discute e sai da reunião. Mais tarde ele é visto, e suspeito de atirar num policial, durante o confronto com a policia na revolta estudantil. Daria trabalha na imobiliária Sunnydunes Enterprises. O encontro dos dois é carregado de lirismo e sub referências.

A sensacional trilha sonora psicodélica reúne os grandes nomes da música a época, Pink Floyd, The Grateful Dead, Patti Page, John Fahey e Kaleidoscope. Dizem que Antonioni deu vários palpites nas composições de Roger Waters. Falam também que o cineasta rejeitou a composição L’America de Jim Morrison do The Doors.

O hoje astro Harrison Ford teve suas cenas excluídas na sala de montagem, mas fãs do ator perceberam que na cena da cadeia é possível vê-lo encostado na parede preta perto da porta. O final imaginado por Michelangelo Antonioni era num avião que escreveria a frase no céu, “FUCK YOU, AMERICA”, mas obviamente o presidente da MGM vetou. Ficou o recado.
Zabriskie Point não possui a alma de Antonioni, até pelos problemas com os produtores, censura norte-americana, e pelo tema polêmico, afinal falar contra capitalismo na terra do tio Sam é como detratar o futebol por aqui, mas é sem duvida um filme acima da média, e gosto muito de ler artigos em que o colocam como obra-prima. É por isso que Michelangelo Antonioni era gênio, mesmo quando errava era brilhante.

6 comentários:

cinefilapornatureza disse...

Ah, não conheço o filme, mas sou familiarizada com a música do Pink Floyd que faz parte da trilha do filme. Uma curiosidade: "Us and Them" foi composta para este filme, não foi selecionada pelo Antonioni, e entrou no "The Dark Side of the Moon". Que beleza, né??? :)

Museu do Cinema disse...

Pois é Kamila, eu acho que a ideia de ter grandes artistas participando da trilha foi ideia dos produtores e isso deixou Antonioni meio p... da vida.

Pedro Henrique disse...

Mestre, você falando de Antonioni aqui é um luxo. Lá em Gramado esse ano fiz vários "takes" da placa que ele tem no Palácio dos Festivais, quando lá esteve, há alguns anos.

Amanhã entra no blog a crítica de Baarìa, se queiser ler.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Off course caro Pedro!

depois quero ver esses takes!

Estive há tanto tempo em Gramado q nem era gente ainda, e sabia quem era o verdadeiro mestre!

Z disse...

zabriskie é meu antonioni preferido. mesmo sendo o mais americanizado, o mais "não" antonioni de todos. foi um jeito diferente de mostrar a contracultura.

Livia disse...

Alguém conhece um site para download do filme ou que dê para ver online?