07 junho 2010

O Grito

Il Grido – Michelangelo Antonioni – 1957 (DVD)

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Um grito ecoa da tela. Uma mulher desesperada solta o barulho com o rosto atônito. Seus olhos olham para cima e parecem seguir algo que cai em sua frente. Suas mãos denunciam o desespero que o som já proporciona. A câmera continua imóvel focalizando aquela mulher, quer dizer, focalizando O Grito.

O Grito foi o primeiro sucesso de Michelangelo Antonioni. Ainda guarda resquícios do cinema conhecido como neo-realismo italiano, e pelo qual Antonioni começou a seguir nos seus primeiros passos, mas rapidamente criou identidade e personalidade própria fugindo do movimento e ao mesmo tempo criando um outro, o seu.Foi também a primeira oportunidade que o cineasta teve de dirigir atores de Hollywood, mesmo sem serem grandes estrelas do cinemão norte-americano, Steve Cochran e Betsy Blair eram famosos o bastante para serem considerados estrelas internacionais. Betsy então era casada com Gene Kelly. O Grito marca o encontro de Michelangelo com a sua eterna musa Monica Vitti, que trabalha aqui como dubladora da atriz norte-americana Dorian Gray, que tem um papel de destaque como Virginia, dona do posto de gasolina na estrada com quem Aldo mantém um relacionamento.

A película narra o fim do caso extraconjugal de Aldo (Cochran) e Irma (Alida Valli) quando ela descobre a morte do marido. Para Aldo é a oportunidade de finalmente casar com ela e legitimar a relação que já rendeu uma filha. Porém Irma confessa que ama outro homem, e Aldo resolve partir com a filha numa viagem pelo interior da Itália num típico road-movie.O belíssimo preto e branco do filme, que foi bastante elogiado e premiado na época, é de Gianni Di Venanzo, que trabalhou com Antonioni na maioria de seus filmes em P&B.

O Grito consegue expor de maneira clara os sentimentos de uma personagem que vaga sem objetivo na vida, ao mesmo tempo consegue fazer dela, a personagem, uma pessoa sem muitas aspirações, criando uma dualidade que culmina na cena final e numa grande interrogação quanto à sua verdade, e para mim é nisso que faz de O Grito ser uma obra-prima. Reparem nas imagens que ilustram esse post, são enquadramentos perfeitos e momentos congelados vívidos por interpretações.

Numa cena, Aldo explica a prostituta Andriela (Lynn Shaw) como conheceu sua amada e se apaixonou por ela. Andriela então fica indignada e pergunta como acaba? O que acontece?

4 comentários:

cinefilapornatureza disse...

Esse parece ser um filme bem interessante.

cinefilapornatureza disse...

Esse parece ser um filme bem interessante.

cinefilapornatureza disse...

Esse parece ser um filme bem interessante.

Camila Fink disse...

Este filme é muito interessante. Para pensar o neorealismo e a continuidade da obra de Antonioni. A cena que você destacou é realmente marcante.