04 fevereiro 2010

Guerra ao Terror

The Hurt Locker – Kathryn Bigelow – 2008 (DVD)

O calor da batalha é um vício freqüente, potente e letal, na guerra é uma droga.
- Chris Hedges


Kathryn Bigelow comunga com Barack Obama da mesma opinião, eles são favoráveis ao envio de mais soldados para o Iraque. Acham que só assim teremos paz por aquelas bandas. O problema é que eles “esquecem” de que não há mais inimigos no país. O problema do Iraque agora é problema dos iraquianos. Mas esse não é o grande defeito de Guerra ao Terror, pelo contrário, esse é o único ponto positivo do longa, corretamente lançado apenas em DVD, porque ao colocar essa discussão, Bigelow mostra a opinião da maioria da nação norte-americana, discutir é bem vindo e oportuno.

Guerra ao Terror, a tradução é tão boa quanto o filme, não tem profundidade, se alimenta das cenas nervosas de desarmar bombas que, de tão repetitivas tornam-se clichês, alias o que a diretora foge o tempo todo, mas acaba se tornando presa de sua própria armadilha. A ex-esposa do trilionário James Cameron mostra logo de inicio seu horror com clichês. Ela escala atores famosos só para matá-los em seguida.

Inteiramente filmado na Jordânia, a produção foi impedida de gravar no Iraque pelo exército norte-americano, segundo James Cameron é o Platoon (1986) da Guerra do Iraque, é dele a idéia de colocar a ex-mulher para dirigir esse filme, portando Cameron é o grande nome do Oscar. Possui a maior quantidade de prêmios por um filme, Titanic (1997), e na edição atual, os dois filmes que mais possuem indicações, nove ao todo, são Guerra ao Terror e Avatar. Mr. Oscar James Cameron, nada mais apropriado para um prêmio tão comercial.

Guerra ao Terror foi cortado dos lançamentos comerciais do cinema de 2008/09 por não ter apelo comercial para distribuição. Foi lançado diretamente em DVD atrás dos aficionados por filmes de guerra. É uma produção que se não desembarcar-se aqui não sentiríamos falta nenhuma.

20 comentários:

cinefilapornatureza disse...

Cassiano, mas "Guerra ao Terror" vai ser lançado nos cinemas amanhã, justamente no fervor de suas 9 indicações ao Oscar. A distribuidora nacional viu a merda que fez.

Museu do Cinema disse...

Ah Kamila, nesse caso quem fez merda foi a academia, e de novo!

Rogerio disse...

Cassiano, peguei esses dias esse filme.Realmente ainda procuro qualidades que justifiquem tanta indicacao. Sinceramente nao entendi nada, será que tenho que ver de novo?

O filme tem boa fotografia e a direçao da Bigelow é de qualidade. Aliás o filme tem um ritmo lento e estranho de agradar a maioria.Acho dificil empurrar p/ o grande público.

Engraçado esse lance dos famosos nesse filme né.

Queo ver só oque vai rolar dia 07.

Ramon disse...

É exatamente o que penso. Ninguém deu a mínimo para o filme. Agora ele ganha um aura mágica por ter recebido as indicações. Balela!

Gostei da colocação piadística do Mr. Oscar James Camerom. Mas é triste isso!

Abs!

Museu do Cinema disse...

Rogério e Ramon, vejamos pelo lado bom, esse filme servirá para mostrar qual o poder do Oscar.

Eles ressucitaram um filme ruim, vamos ver se ele vira bom.

Drogaria Santo André disse...

Eu ainda não vi o filme e esse texto foi "rabugento", rs. Faço o download assim que o modem voltar a funcionar. Será que leva o Oscar???

Otavio disse...

Não concordo, mas confesso que tua análise está sensacional! Por isso que sou teu fã!

Abs! Bom final de semana!

intratecal disse...

Um filme de guerra não precisa ser profundo pra ser bom. Guerra ao Terror não é um Apocalypse Now ou Além da Linha Vermelha, mas é excelente no que se propõe. É um filme de guerra repleto de suspense e tensão por todos os lados, e a Bigelow passou isso tudo de uma maneira muito satisfatória.

Rogerio disse...

Pois eh, vai ser curioso oque acontecerá se o filme ganhar.

Ygor Moretti Fiorante disse...

o melhor é poder acompanhar os indicados e ter opiniao sobre eles.

Gostei bastante de Guerra ao terror, mas onde se encaixam as 9 indicações???

Clarisse disse...

Não ví o filme, confesso.
Mas sua crítica pareceu rancorosa... acho difícil que um filme sem qualidade alguma tenha recebido tantas críticas positivas em jornais e blogs web afora se fosse assim tão insosso. Mas gosto é gosto, enfim.
Mas me incomodou o tom machista na crítica. Dá uma olhada e vê se você não tirou completamente o mérito da diretora, a primeira mulher a ser indicada ao oscar nessa categoria. E não foi só porque não gostou do filme, porque a seu ver James Cameron, ex-marido, é quem deve levar o crédito por tudo, já que foi dele a "idéia" de colocar a Kathryn Bigelow para dirigir. Quer dizer, então, que a direção dela não tem valor, só a idéia dele em escalar a ex-esposa para essa função?
Pensa de novo aí.

Museu do Cinema disse...

Clarisse, não tem como ser rancoroso com o cinema. Muito menos machista.

Acho maravilhoso ter uma mulher indicada ao Oscar, apesar desse prêmio ser desvalorizado a cada ano, além dela ser linda.

Mas não é pq o filme foi indicado, e é dirigido por mulher que ele é bom. Se fossemos criar premiações para os excluidos assim iriamos acabar na lama. Talento não tem cor, credo ou sexo. Vide Sofia Coppola, péssima atriz, ótima cineasta. Liliana Cavani, tb, enfim.

Alias, seu grau de pré-conceito com meu texto foi tanto que nem leu direito. Eu elogiei a diretora, o mérito do filme, que é pouco na verdade, é totalmente dela. E se falo do Cameron é pq é verdade, ai não tem como não comentar. E temos que dá o crédito a ele pela visão que teve que a ex-mulher seria a pessoal ideal para aquele roteiro (segundo a academia).

Tenho certeza que vc irá adorar o filme, seu pré-julgamento diz isso. E isso acontece muito. Infelizmente não aconteceu comigo. Mas tá no texto pq não gostei dele, e nada tem a ver com o fato da diretora ser mulher.

Leia de novo aí.

Museu do Cinema disse...

Ah, só mais uma coisa Clarisse, numa coisa vc tá correta. Aqui no blog costumo nadar contra a maré sim. Confesso que até me deixou feliz saber do fato que a imprensa anda elogiando o filme, sinceramente não sabia.

Sinto-me muito a vontade nessa posição, pq uma das coisas que me fez falar de cinema aqui foi isso, estava cansado de ler sempre as mesmas coisas, quando um elogia, os outros vão atrás. Aqui pode até acontecer isso, mas na maioria das vezes não.

Trato cinema como paixão, não como sustento de vida.

Clarisse disse...

Não tem como não ser machista com cinema? Sério que vc acha isso?

Enfim, reli e não achei onde vc dá mérito a ela pela direção. Na verdade o valor dela parece estar em fazer algo sem querer, que foi dar voz a opinião da maioria dos americanos. E tudo bem vc não achar que ela seja uma boa diretora, aonde eu disse que ser mulher diretamente faz com que seu trabalho seja bom? A questão que levantei foi o tratamento dado ao assunto.
E vc me desculpe, mas em seu post vc parece dar muito mais mérito a quem indicou a diretora do filme do que ao trabalho dela própria, e isso parece um tanto parcial. Tanto é que o nome dele é citando muito mais vezes. Mas tudo bem, entendo que a intenção era falar de como o James Cameron é o grande nome do oscar desse ano. Mas você vê como isso "apaga" o trabalho dela? Talvez se você deixasse mais claro que é crédito dele ter reconhecido o valor dela e a indicar para a direção, esse problema seria resolvido. Mas no seu post inicial isso não está claro, não.

Mas parece difícil ouvir críticas, não é? Eu não parti pro pessoal, nem te chamei de preconceituoso. Eu quis comentar sobre o viés de sua análise, o que deveria contribuir para a reflexão. Provavelmente o "pense aí" foi provocativo. Mas não é pra "nadar contra a maré"?

Veja, muitas vezes as leituras machistas são extremamente sutis. Por exemplo, há razão para mencionar o fato da diretora ser "linda"? Esse tipo de comentário, por acaso, procede quando você vai se referir a um diretor? "Acho ótimo o James Cameron ser indicado ao oscar, até porque ele é lindo!".
O valor de um homem está no seu trabalho... o da mulher está em ser bela, o resto que vier é lucro.

Bom, espero que leve meus comentários, assim como o dos demais acima, como contribuição ao debate. E sem ficar na defensiva, também.

Museu do Cinema disse...

Clarisse, não sei pq tanto drama, tanto pré-julgamento = preconceito, num filme que vc nem viu e já discorda do meu texto.

Claro que o debate é bem vindo, mas em nenhum momento lhe agredi, pelo contrário, tenho respeito por vc ler meu blog.

Não tem como EU ser machista e rancoroso com o cinema, pois ele é minha paixão, eu sempre falo por MIM, não tem como falar por ninguém.

Já reli meu texto 5 vezes, fora as que li antes de publica-lo, não entendo seu julgamento.

A cineasta é linda, isso é machismo? Então sou machista!

A cineasta é fraca, isso é machismo? Então sou machista!

Vc me chama de machista e rancoroso e fica chateada por te chamar de pré-conceituosa por estar defendendo algo que nem viu, e ainda sou eu que não aceito críticas? Ora Clarisse, só estar aqui te respondendo mostra que adoro críticas quando bem feita. Sejamos menos pessoais.

"...tornam-se clichês, alias o que a diretora foge o tempo todo, mas acaba se tornando presa de sua própria armadilha. A ex-esposa do trilionário James Cameron mostra logo de inicio seu horror com clichês." Vc leu isso? Se isso não é elogio...

Chamar o George Clooney de charmoso é feminismo então? Pois se vc lê minha crítica sobre Amor sem Escalas vai encontrar o elogio lá. Não posso fazer nada se a Kathryn é bonita e o George é charmoso.

Se vale de alguma coisa, pode ter certeza que em nenhum momento me passou pela cabeça ser machista, ou isso faz parte de minha personalidade. Infelizmente temos poucos exemplos de mulheres cineastas em relação ao número de homens, talvez se fosse o contrário vc não teria enxergado machismo em meu texto.

Clarisse disse...

Oiii!
eu não estou defendendo o filme, vc ainda não entendeu isso? em momento algum eu falei do filme em si.
chamar um homem de charmoso é feminismo? então vc não sabe o que é feminismo. até aí, tranquilo.
mas juro que não sei onde vc viu drama em um comentário de análise textual... pq é isso que eu fiz desde o início, analisar o discurso que vc usou no post e nos comentários. por exemplo, aqui "Não tem como EU ser machista e rancoroso com o cinema" vc foi claro, mas antes vc não foi. e universalizando o discurso, a interpretação muda, ou não?
mas vai dizer q vc não consegue perceber q comentar atributos físicos de uma pessoa quando se está tratando diretamente de sua qualidade profissional é algo que acontece muito mais com mulheres que com homens, e que isso é um traço sutil de machismo, e foi exatamente isso o que eu falei? ressaltar essas questões é fazer drama?
acho que vc q não está me entendendo, e eu estou me esforçando para ser o mais clara e direta possível.

Pedro Henrique disse...

Eu gosto do filme. Não vejo um grande filme, mas um bom drama sobre o (terrível) estado das coisas.

Museu do Cinema disse...

Bom Clarisse, não estou entendendo mesmo, mas agora tá melhor que mudou o tom.

Se vc pudesse colher no meu post os momentos em que fui machista ficaria mais claro.

www.cineresenhas.com disse...

Interessante a discussão com o Cassiano e a visitante Clarisse, rs.

Alex (www.cineresenhas.com)

Nilo Jorge disse...

Olá amigos.
Não achei o filme ruim. Talvez não seja um blockbuster, o que é incompatível com 09 indicações da Academia, mas possui uma direção sensível e com toques sutis porém, em minha humilde opnião, muito bons. É bem verdade que o tormento psicológico dos soldados em guerra não é uma novidade na telona e já foi bem documentado em grandes filmes como Além da Linha Vermelha, mas "The Hurt Lock" não é um filme sobre soldados...é um filme que tenta fazer com que o público AMERICANO (que de fato tem seus amigos e parentes no iraque) sintam como é a rotina daquele grupo... o calor, a desidratação, o tormento, o medo, a tensão. Enfim, fora isso, clichês como o soldado carregando o menino ensanguentado e o médico alienado explodindo são dispensáveis...