02 dezembro 2009

SM-Rechter

SM-Rechter – Erik Lamens – 2009

Imaginem um local escuro, com paredes cimentadas e de tijolos aparente. O clima sombrio é ajudado pela luz fraca e os poucos móveis. Calabouço seria a primeira palavra. Alguns objetos sexuais são vistos, nas paredes as algemas lembram uma prisão do século passado. Agora imaginem um casal heterossexual com seus 40 e poucos anos. Ele, um juiz ilibado, ela, uma artista plástica. Além dos mais de 15 anos de matrimônio, uma filha adolescente bem educada.

Obviamente que em nossas cabeças essas duas imagens não combinam. O problema é esse, nossa cabeça!

Há alguns muitos anos atrás conta-se a história de que um Homem, vendo uma prostituta ser linchada, tomou sua frente e gritou aos transeuntes desequilibrados: "atirem a primeira pedra quem for puro". Todos abaixaram as armas e as cabeças.

Em 1997 a Bélgica foi tomada pelo escândalo sexual envolvendo o casal Koen e Magda e a prática do sadomasoquismo, que já foi divulgado pelo cinema em obras como O Porteiro da Noite (1974), Saló (1976), e mais recentemente, Contos Proibidos do Marques de Sade (2000) e Mata-me de Prazer (2002), porém nunca tão direto e ilustrativo. O caso foi verídico e o filme reconta tudo de maneira acertada e altiva.A atriz belga Veerle Dobbelaere, que lembra muito a Juliette Binoche, dá show interpretando Magda De Herdt, sua ida da depressão para o masoquismo e depois lutando por sua família com coragem e força é digna de menção, sem falar na entrega do seu corpo a arte, essencial na profissão de ator, mas poucas vezes vista, principalmente no nosso universo.

Não sei se o filme foi lançado em DVD, e não acredito que virá a ser, mas ele pode ser facilmente baixado pela internet, mas quero deixar claro que não estou incentivando a pirataria, porém as chances das empresas de distribuição lançar esse filme é mínima, pois todos nós as conhecemos.

4 comentários:

Vinícius P. disse...

Realmente é complicado um filme desse tipo ser lançado por aqui. Se chega é direto em DVD e sem muito destaque...

Cintia Carvalho disse...

OI!

Poxa, uma pena este tipo de filme não chegar até nós.

Gostei demais do tema e da forma como a narrativa se desenvolve. Da forma como vc escreveu dá uma baita vontade de ver. Fiquei tão curiosa pela história que fui pesquisar na net sobre ele e encontrei outros textos falando sobre ele.
Inclusive, achei um site onde posso baixá-lo. Como não tenho como baixar, vou pedir para um amigo.

Uma ótima dica!!

Um abraço e um ótimo final de semana.

cinefilapornatureza disse...

Acho que eu nunca vi um filme belga na minha vida. A questão da distribuição é um ponto importante.

Mônica Lobo disse...

Baixei e assisti. Excelente discussão. A gente fica o tempo todo se perguntando se faria o mesmo, como reagiria diante disso e, mais importante, até que ponto somos preconceituosos e temos poeira debaixo do nosso próprio tapete...