27 abril 2009

Che Parte I – O Argentino

Che: Part One – Steven Soderbergh – 2008 (Cinemas)

Sim, nós temos executado. Nós executamos, e nós continuaremos a executar.

Se Diários de Motocicleta (2004) do brasileiro Walter Salles pecou pelas tintas suaves e medrosas, e por um protagonista sem porte físico, Che – O Argentino tratou logo de humanizar e dar aspectos reais ao guerrilheiro mais conhecido do mundo. A começar por um protagonista de corpo e alma, Benicio Del Toro. O ator traz a melhor interpretação de sua carreira que, aliás, é feita de atuações magníficas.

Steven Soderbergh que consegue balancear sua filmografia entre o comercial e o artístico usou as memórias de Ernesto ‘Che’ Guevara, “Remanescentes da Guerra Revolucionária Cubana”, para documentar em película a lenda de Che que encanta 9 entre 10 universitários brasileiros. Seu mérito está em traçar um perfil muito próximo a realidade, sem arranhar a imagem do guerrilheiro argentino que pôs as mãos em armas por Cuba.

Dividido em duas partes, a primeira, Che – O Argentino, se passa nos anos em que Ernesto Guevara conhece o advogado Fidel Castro (o bom ator Demián Bichir), que prepara uma revolução para tirar do poder o general Fulgêncio Batista. Exilados no México, sem estrutura, um pequeno grupo de algumas dezenas de pessoas partem de barco a Cuba para iniciar La revolución, entre eles o jovem Raúl Castro (Rodrigo Santoro), irmão de Fidel e atual mandante da ilha.

Paralelamente a isso, o filme salta no tempo, em flashbacks constantes, para mostrar uma entrevista que Guevara deu a uma jornalista norte-americana na época em que foi ao Estados Unidos discursar na ONU, em Nova Iorque, já após a revolução cubana.Soderbergh acerta no ritmo lento, na escolha do elenco, nos fotogramas documental das entrevistas à jornalista estadunidense, que muitas vezes nos pega de surpresa em achar que são imagens reais do guerrilheiro, e nas locações no México e na Costa Rica, já que fora impedido de filmar em Cuba. Ignorado pelo circuito comercial impresso, a película merece ser vista não só pelo aspecto da cultura histórica, mas também pela qualidade do cineasta que está por trás dela.

10 comentários:

Caio disse...

É, dizem que o filme peca um pouco como 'filme'.

O segundo tem data de estréia, alguém sabe?

Caio disse...

Ops! hehe

Ramon disse...

Não gostei. Achei tendenciosa e pouco imparcial. As histórias sobre as atrocidades que Che cometia são tão famosas quanto os ator heróicos do guerrilheiro. Mas nesta obra praticamente ignorado.
Mas concordo em relação ao Benício Del Toro. Ele é ótimo e está perfeito.

Pena isso: http://www.youtube.com/watch?v=IZGTV6FbBXM

Vinícius P. disse...

Esse eu tenho mais curiosidade de ver por causa do Benicio Del Toro do que por qualquer outra coisa...

nitzombies disse...

- Alguma dúvida que o Benicio Del Toro é um EXCELENTE ator? Que interpretação!!!

- Gostei muito do filme e to ansioso pela segunda parte.

- Você acha que Diários de Motocicleta pode ser encarada como um tipo de prequel de Che?

abraços!

Kamila disse...

É justamente pelas razões citadas na última parte do seu post que quero conferir este projeto do Steven Soderbergh.

Pedro Henrique disse...

Me parece que o filme foi ofensivo demais para os direitistas, quero muito assistir!

Otavio Almeida disse...

Quero assistir! Deve ser muito bom. No mínimo, obrigatório.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Obrigatório com certeza Otávio!

analu disse...

Fantástico este filme, Del Toro está muito bem têm traços, marcantes, bruscos, como de Che, sua interpretação é indescritível. Gosto das imagens do filme e das fotos do blog, gosto também de Diário de Motocicleta, acha que retrata um Che mais romântico, e Del Toro faz um guerrilheiro. Muito bom seu texto e imagens.

Um beijo