09 março 2009

Austrália

Australia – Baz Luhrmann – 2008 (Cinemas)

O avô me ensinou a lição mais importante de todas. Contar história.

O épico Austrália se divide em três atos: Musicais hollywoodianos, Baz Luhrmann, e Nicole Kidman.

O Mágico de Oz. Na festa de entrega do Oscar, o apresentador Hugh Jackman não cansava de repetir: “os musicais não acabaram”, como se tivesse sido obrigado a entoar aquela frase. Porém, quem conhece um pouco do cinema norte-americano sabe que os musicais nunca irão se acabar, eles podem sim sofrer alterações que, aliás, já sofreram, mas é um gênero, como o policial, tipicamente estadunidenses, que tem seus altos e baixos. Ao contrário dos movimentos, que tem seu final, ou sua finalidade, o musical sempre vai ter espaço, e principalmente talentos para se produzir filmes deste gênero. Austrália não é um musical ao pé da palavra, mas é sim feito de música. E como épico que se assume, não sobrevive sem alguns acordes nas suas cenas grandiosas.Mark Anthony. Eu sou fã do cinema de Luhrmann. Dito isso, já se pode concluir que gosto de exageradas cenas com multidão de figurantes, planos abertos, interpretações musicadas, cenários clássicos, figurinos elegantes e abusando dos bordados, e edições rápidas de câmeras nervosas. Mark Anthony Luhrmann, ou Baz Luhrmann é isso, nenhuma cena de seus filmes escapam dessas alegorias e seus roteiros trazem um profundo conhecimento de cinema. Austrália é um filme história. É passado num momento histórico desse pitoresco país, mas é cinema. É cinema de Baz Luhrmann, portanto oferece os reconhecidos ingredientes com pinceladas fortes de cores.

Botox. Lady Sarah Ashley é interpretada pela atriz fetiche do cineasta, Nicole Kidman. A ex-senhora Tom Cruise está à vontade no papel, talvez disso venha à crítica negativa à sua interpretação, reconhecida até pela própria, mas acho uma performance bastante elogiável, sem amarras, sem trejeitos catedráticos, mostrando seus pontos fracos, e uma aplicação errônea de botox nos lábios (quem sabe até não foi para caracterização da personagem!?!). Kidman aceitou o papel sem ler o roteiro, o que demonstra sua confiança no diretor. Quando é assim, todos os pecados são perdoáveis.

Austrália tem um pecado. Marketing. E talvez suas quase 3 horas de duração – são 2 horas e 40 minutos. Porém é um filme belíssimo, contado através dos olhos de uma criança aborígene, interpretado por um dos casais mais charmosos do cinema mundial, dirigido pelo maior mestre vivo do gênero musical/épico, e com um roteiro que prende sua atenção do inicio ao fim.Uma homenagem ao verdadeiro espírito do cinemão norte-americano, uma homenagem ao mestres-dos-mestres, Ennio Morricone/Sergio Leone, com a “harmônica”, e uma homenagem, e aqui lê-se também declaração de amor, ao seu país de origem, Austrália.

Vou te cantar pra mim.

Somewhere, over the rainbow, skies are blue. And the dreams that you dare to dream. Really do come true.

4 comentários:

Kau Oliveira disse...

Cassiano, eu ADORO os exageros visuais de Baz. Austrália é um deslumbre em termos técnicos (direção de arte, fotografia e trilha impressionantes!!!!!). Mas peca, e muito, no roteiro e na vontade desesperada do diretor de querer lançar um épico.

Abs!

Alex Gonçalves disse...

Cassiano eu não gostei do filme. Dói dizer isto (Nicole Kidman é a minha paixão eterna), mas não desceu. Gostei muito do entusiasmo presente em seu texto falando sobre o filme e é curioso que você o tenha encarado como um filme que precisa da música para se mover, o que não deixa de ser verdade. Mas não vejo química entre Hugh e Nicole, acho até risível os toques místicos do roteiro, é constrangedor a forma como o vilão do filme é desenvolvido e por ai vai...

Vinícius P. disse...

É mesmo um filme belíssimo, mas na minha opinião só visualmente. É cansativo, tem uns 300 finais diferentes e me deu sono.

Marcus Vinícius disse...

Olhe, não to muito afim de assistir esse filme, talvez em dvd. Não faz meu estilo não.

E quinta o Roth cai. Pelo bem do Grêmio, eu acredito.

Abss!!