17 fevereiro 2009

Milk

Milk – Gus Van Sant – 2008 (Cinemas)

Meu nome é Harvey Milk e estou aqui para recrutá-los.

Gus Van Sant se tornou uma espécie de Spike Lee dos gays. Não teria outro nome mais indicado para dirigir a verdadeira história de Harvey Milk, um ativista gay que se torna o primeiro homossexual assumido a ter um cargo eletivo nos EUA. Através do roteiro do jovem Dustin Lance Black, da comentada série da HBO, Big Love (2006), Vant Sant reconstrói a revolução sexual na cidade de São Francisco da década de 70 no epicentro do distrito de Castro, e da loja homônima de equipamento de fotografias pertencente a Milk.

A interpretação de Sean Penn é digna de aplausos, como não deveria deixar de ser, mas o principal trunfo da película são os coadjuvantes, no melhor elenco do ano disparado. Josh Brolin e James Franco são perfeitos em seus papéis, enquanto que Diego Luna e Emile Hirsch mantêm o altíssimo nível imposto por Penn. Só acho que Sean Penn tem em mãos uma personagem riquíssima, onde não desafia seu reconhecido talento.

Devo comentar também sobre a fotografia do filme, mais uma vez Harris Savides entrega um trabalho primoroso, a exemplo de Zodíaco (2007). Não foi a toa que sua capacidade técnica chamou a atenção de Martin Scorsese e Woody Allen.

Milk não recorre a sentimentalismos ou pieguices, é direto e autêntico, muitas vezes recorrendo às próprias encenações da vida real, que choca muito mais do que a melhor interpretação artística. É uma película que cai como uma luva ao atual momento político norte-americano, que mostra ao mundo que, apesar das barbaridades cometidas, são pioneiros em lutas contra o preconceito, enquanto outras nações preferem o tapete como a melhor saída.

5 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, gosto do Gus Van Sant de filmes como "Drugstore Cawboy" e "Encontrando Forrester", mas admito que os pontos do cineasta comigo ficaram negativos por causa de "Last Days", um dos filmes mais pavorosos que já tive a oportunidade (desgosto) de assistir. E dizem que o diretor repete a dose em "Paranoid Park". Mas em "Milk - A Voz da Igualdade" Gus parece retornar aos velhos tempos, realizando um longa que não seja vazio em todos os aspectos. Eu vejo o mais breve possível.

Kamila disse...

Adorei o texto, Cassiano. E eu quero ver muito "Milk". Pena que continuamos de fora do circuito dos bons lançamentos deste período...

Ramon disse...

Como um forte concorrente ao Oscar, me desiludi um pouco com Milk. Mas as atuações de Sean Penn, Diego Luna e Emile Hirsch são surpreendentes.
Acho que você gostou mais da obra do que eu.


Também estou com a resenha do filme publicada no blog.

Abs!

Vinícius P. disse...

"Milk não recorre a sentimentalismos ou pieguices, é direto e autêntico" na verdade o que mais me agradou no filme foi justamente isso, a forma como a história foi mostrada me surpreendeu e certamente esse é um dos melhores do ano.

Sérgio Déda disse...

´´Milk não recorre a sentimentalismos ou pieguices, é direto e autêntico, muitas vezes recorrendo às próprias encenações da vida real, que choca muito mais do que a melhor interpretação artística.``
Perfeita sua interpretação do longa. Acho um filme excelente e merecedor de seus prêmios e nomeações.