17 janeiro 2009

O Curioso Caso de Benjamim Button

The Curious Case of Benjamim Button – David Fincher – 2008 (Cinemas)

O Monsier Gateau foi chamado para fazer o relógio da estação de Nova Orleans. Cego e devotado à família, o Sr. Bolo, como era conhecido, se dedicou exclusivamente à confecção do novo modelo que iria enfeitar a grande estação. Porém, era época da I Guerra Mundial, e seu jovem filho, Martin, partiu em nome da pátria. Meses depois ele voltava e o Monsier Gateau e sua esposa foram recepcioná-lo. Voltava dentro de uma caixa de madeira e nunca mais o Sr. Bolo foi o mesmo. Ainda assim, ele se enfurnou na sua fábrica afim de terminar o relógio que se comprometera a fazer. Dias depois foi à inauguração na estação. Muitas personalidades apareceram e o Monsier Gateau fez questão dele mesmo apresentar sua obra ao público. Atônitos a beleza do novo objeto, muitos não se concentraram no óbvio, até que um observador gritou da platéia: Ele está andando para trás. Foi então que o Sr. Bolo começou a falar: Ele anda para trás com o propósito de voltarmos no tempo, quando nossos filhos eram vivos e não havia a guerra.

Na retrospectiva que fiz aqui sobre a carreira do cineasta David Fincher, comentei que poderia parecer precoce sua escolha, O Curioso Caso de Benjamim Button é a prova cabal para muitos críticos que nada entendem de cinema, mas muito entendem de jornali$mo. Nessa revisita, comentei também do lado noir de Fincher. E aqui entra o romance de Benjamim (Brad Pitt mostrando que ao lado do diretor e amigo é um ator completo) e Elizabeth Abbott (a ótima Tilda Swinton provando que eu tinha razão dizendo que ela não mereceu o Oscar que ganhou). As cenas do casal, no hotel russo, beiram o noir, da fotografia às interpretações, passando pelo suspense sugerido.

Nos quesitos técnicos, a fotografia de Claudio Miranda, que não é brasileiro, é sublime. Camera man das outras películas do cineasta, Claudio subiu um estágio e mostrou estar pronto, é um nome a ser guardado. Outra qualidade do filme é a trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat, minimalista e cuidadosa, ela ajuda a dar um toque especial na narração de Pitt. O roteiro do quase-primeiro-escalão Eric Roth anda em paralelo ao seu grande trabalho anterior Forrest Gump (1994). Rivalizará entre qual será sua obra-prima. Agora, a parte mais importante do filme é mesmo a maquiagem. A equipe de make-up já entra no patamar das grandes obras produzidas pelo cinema norte-americano.

Baseado livremente no conto de F. Scott Fitzgerald, que você lê aqui, Benjamim Button é uma obra-prima perfeita e completa sobre nossa condição como humanos. De forma leve, às vezes com humor, outras com dramaticidade e ainda com incrível sensibilidade ao teor do maravilhoso conto, o filme é uma dádiva à vida. A história do bebê que nasce velho e vai rejuvenescendo com o passar dos anos, ganhou contornos do cinemão de hollywood dos anos 50 e 60, aquele cinema que fez o mundo se apaixonar, aquele cinema que fez o mundo admirar, e principalmente, aquele cinema que fez o mundo ser melhor. São cineastas como David Fincher, que receberam o cetro mágico dessa época, que provam que hollywood não morreu, apesar de muitos (produtores, diretores e, primordialmente, jornalistas) tentarem seu assassinato diariamente.

Eu já te falei que fui atingido por um raio 7 vezes?

10 comentários:

Denis Torres disse...

O filme é ótimo e espero que tenha destino melhor nas premiações, pois merece muito. Assim que comecei a assistir este filme me lembrei do formato de Forrest Gump em algumas partes, mas o formato aqui é crível e não há forçação de barra. Quando vi o nome do roteirista Eric Roth nos créditos entendi o porque. Brad Pitt está bem, mas não está sensacional e como disse no meu blog, se ele fosse um pouco melhor na sua atuação levaria o Oscar facilmente. Abs.

Sérgio Déda disse...

Comentei no meu blog que Benjamin Button é um filme que resgata a poesia e o lirismo do cinema americano. Um filme quase perfeito no seu conjunto.

Abraços!

Kamila disse...

Eu adorei o filme. Achei uma obra muito bonita e íntima. Concordo com os aspectos técnicos citados em seu texto. "Benjamin Button" é a prova de que Fincher é um dos grandes diretores da atualidade.

Kau Oliveira disse...

Cassiano, eu choro fácil. Vendo ''Ben Button'' eu chorava de emoção belas belas cenas, e de alegria em ver algo tão bem feito. Sem dúvida, nasce um clássico!

Abraços.

Museu do Cinema disse...

Kamila, todos nós sabiamos disso não?

Kau, tb chorei muito. E o melhor é que não foram choros forçados pelo diretor.

Ramon disse...

Grande filme! Em breve publico a resenha, aí conversamos.

Abs!

Carla Martins disse...

Ameiiiiiiiiii o filme. É Oscar na certa!

Aqui há um vídeo com a explicação sobre como o filme foi feito. Ge-ni-al!
http://open.salon.com/content.php?cid=88405

Beijo!

Taylor de Freitas disse...

O filme por si mesmo, dispensa comentários. Fiquem atento as metáforas que ele cria. O terremoto, as tempestades, os raios, principalmente o beija-flor. Esta simples ave sintetiza o filme na sua essência, na sua mensagem.

Anônimo disse...

Eu acho que neste filme tudo está matemáticamente medido para tornar uma a história aceitável( alguém que nasce velho é adotado por uma jovem de cor, passa a viver num asilo para velhos, rejuvenesce, torna-se marinheiro e amante de uma inglêsa casada, etc...), e parecer que você está acompanhando uma realidade. Ao contrário do que disseram, a atuação de Brad Pit é perfeita, às vezes você se sente inserido na trama. Esse filme vai fazer brotar os seus sentimentos mais profundos, por mais escondidos que eles estejam.

Jene disse...

parece mentira: certi dia um amigo me indicou o filme, desde então comecei a procurar, e o mais interessante é que faço curso para cuidadora de idosos no Hospital Naval de Recife e minha professora indicou o filme para que assistissemos e fizessemos uma crítica sobre o processo do envelhecimento, isso me deixou muito feliz pois pude desenvolver muito bem meu trabalho depois de assistir por diversas vezes ao filme. Indico para todos, é um filme excelente!!!
Jene Kelly- Olinda Pe.