21 dezembro 2008

Gomorra

As máfias na Itália são divididas por nome, cidade e modus operandi. A cosa nostra talvez seja a mais conhecida, de origem siciliana se espalhou pelos Estados Unidos. A ´Ndrangheta, a menos famosa, é da Calábria e são mais ruralistas. Sacra corona unita é de Apúlia, e Camorra, que é a única que nasceu no centro urbano, especificamente Nápoli, fecha as organizações criminosas da velha bota. Em comum, apenas a nacionalidade.Gomorra – Matteo Garrone – 2008 (Cinemas)

A luz azulada e os óculos de proteção nos mostram que estamos numa clínica de bronzeamento artificial. Alguns homens estão nas suas cabines verticais, enquanto um outro faz as unhas ao que parece ser todos conhecidos. Um deles parece estranho, sorriso falso e procurando identificar onde cada um está. Três outros homens entram e, se juntando ao estranho, matam todos com tiros na cabeça. A guerra começou.Gomorra, segundo o catolicismo, foi a cidade destruída por Deus por causa dos pecados cometidos pelos seus moradores. O título não abrange toda a cidade de Nápoles, mas um enorme conglomerado de prédios onde se abriga a camorra, a máfia mais violenta da Itália. É nela que a câmera neo-realista de Matteo Garrone destilará seus planos abertos para mostrar ao mundo, assim como o livro de Roberto Saviano, e o nosso Cidade de Deus (2002), que a violência atingiu seu ápice.

Esse elevado estágio é caracterizado sublimemente nas personagens de Marco e Ciro, interpretados pelos homônimos Marco Macor e Ciro Petrone, dois adolescentes sem noção que vivem suas vidas como se fossem estrelas do cinema policial de hollywood. Eles são independentes da camorra, mas são frutos de sua violência, assim como todos no filme. A camorra como organização parece mais com nosso crime tupiniquim, por isso a desproporcionalidade com qualquer comparação com os filmes de máfia norte-americanos.Prole do neo-realismo italiano, Matteo Garrone foi o nome certo para transpor às telas o polêmico livro de Saviano, autor jurado de morte pelos camorristas. Correto e possuidor de uma caligrafia singular, Garrone parece querer mostrar ao mundo, de forma crua e real, os pecados que nos cerca diariamente, evidenciado nas personagens do empresário Franco (Toni Servillo) e no menino Totó (Salvatore Abruzzese).

(Gostaria de parabenizar o Unibanco pelo novo, e belíssimo, espaço de cultura na cidade de Salvador. O novo cinema Glauber Rocha vem honrar o nome do cineasta e trazer novas opções de filmes para o público soteropolitano).

6 comentários:

Vinícius P. disse...

Todo mundo tá falando tão bem desse filme que não há como deixar de vê-lo nos próximos dias. Já estou ansioso...

Vinícius P. disse...

Todo mundo tá falando tão bem desse filme que não há como deixar de vê-lo nos próximos dias. Já estou ansioso...

Kau disse...

Cassiano, é magnífico não? Fiquei absurdamente chocado quando assisti! Tudo beira a perfeição e ousadia é a palavra que define o roteiro.

Abraços!

Kamila disse...

Estou doida para ver este filme, mas não sei quando ele passará em Natal. Infelizmente, não temos um espaço de cultura como este que o Unibanco patrocinou em Salvador.

Museu do Cinema disse...

Kau, é muito bom sim!

Olho de Lince disse...

Excelente filme este, já estreado em Portugal há alguns meses. Gostei bastante.