22 setembro 2008

Violência Gratuita

Funny Games U.S. – Michael Haneke – 2007 (Cinemas)

Porque você só não nos mata logo?
Você está se esquecendo da importância do entretenimento.


Ann, George e Georgie (Naomi Watts, Tim Roth e o pequeno Devon Gearhart) formam a família tradicional do novo século. Imbuídos de passarem um final de semana tranqüilo na casa do lago, eles são surpreendidos pelos jovens Paul e Peter (Michael Pitt e Brady Corbet) e um jogo sádico.

Refilmagem, quadro a quadro, do cult austríaco homônimo de 1997, também dirigido por Haneke, Violência Gratuita é um ensaio sobre a violência de cada um de nós. O que nos levou a assistirmos a esse filme, e o que nos levou a irmos até o final dessa experiência, mesmo quando, em vários momentos, o cineasta nos faz essa pergunta através do excelente ator Michael Pitt, que interpreta um dos sádicos.

Assim como já tinha feito com Caché (2005), o diretor alemão abusa da metalinguagem para criar seu estudo apontador e provocador. Confesso que sou muito curioso sobre o cinema de Michael Haneke, algo me provoca a ver suas películas e continua me atraindo. Um triângulo das bermudas para um pescador, ou seja, algo novo num território conhecidíssimo.

O debate principal – a violência de nossa sociedade –, é exposta de uma forma que nos coloca no centro do questionamento. Pois, se usamos a violência como ferramenta para educar, Paul e Peter são dois frutos de nossas metodologias.

Haneke usa todos os elementos principais do cinema (som, edição, fotografia, interpretação e roteiro) para algo maior, o próprio filme. A utilização em nenhum momento é um experimento, eles têm um propósito muito claro e definido, no mínimo na cabeça do cineasta. É algo utilizado para definir um gênero.

Então, porque o cineasta não fez logo um suspense?
Você está se esquecendo da importância do entretenimento novamente.

12 comentários:

Kamila disse...

Não assisti ainda ao longa original, mas tenho curiosidade de ver este remake. Dizem que assistir a este filme é uma experiência bastante incômoda.

Ibertson Medeiros disse...

Quero muito ver esse filme, mas queria ver primeiro o original.

Denis Torres disse...

O longa original é ótimo. Como se saiu esse remake?

Ramon disse...

Ainda não consegui assistir Cache, mas desde que vi o trailer também fiquei intrigado com a obra. Esse Funny Games deve seguir a mesma linha.
Abs!

Sérgio Déda disse...

Estou ansioso para conferir este filme... Gosto muito do Haneke...

vlws

Rogerio disse...

Esse dificilmente estréia por aqui, eh uma pena.

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, tive a ótima oportunidade de encontrar três filmes de Michael Haneke na minha cidade: "Violência Gratuita", "A Professora de Piano" e "Caché". Dentre os três, "A Professora de Piano" é de longe o melhor. Mas foi perturbador assistir a versão original de "Funny Games". É um filme excelente, mas requer certa coragem do espectador (a cena do controle remoto definitivamente não é fácil).

A refilmagem eu queria muito que fosse exibido nos cinemas andreenses, mas é verdade que fiquei um pouco decepcionado no período onde foi confirmado que este filme de 2007 é uma refilmagem quadro a quadro.

Marcus Vinícius disse...

Eu não vi o original, mas o remake eu achei muito bom. Fiquei meio sem o que pensar no final, sem reação. Achei simplesmente genial a parte que eles rebobinam.

Vamos nós, contra tudo e contra todos de novo. A retomada será em cima das coloridas. Já a derrota... bem, aí acho que fica muito foda, nem tanto pelos pontos e mais pela moral.

Saudações!

Pedro Henrique disse...

Esse deve ser foda. Quero ver, só espero que venha para o cinema da cidade do líder do brasileiro!

Denis Torres disse...

Pedro, quando esse filme chegar por aí o Brasileirão terá um novo líder, rsrs. E infelizmente parece que será o Palmeiras. Abs.

Vinícius P. disse...

Ainda não vi o original, mas tenho muita curiosidade em relação a essa nova versão, especialmente por ser do Haneke e ter a bela Naomi Watts como protagonista. Abs!

Museu do Cinema disse...

Alex, o filme é ótimo!