19 agosto 2008

O Tesouro de Sierra Madre

The Treasure of Sierra Madre – John Huston – 1948 (DVD)

O TESOURO QUE VOCÊ PENSA QUE NÃO VALE A PENA ACHAR, SÓ ELE É O VERDADEIRO TESOURO QUE VOCÊ DESEJA TODA A VIDA.

B. TRAVEN

O Oscar de 1949 foi muito importante para Hollywood, não por ter sido o primeiro a ser ganho por pai e filho, o pai como ator coadjuvante, e o filho como roteirista e diretor, mas por ter sido o primeiro a preterir o melhor filme por outro menos qualificado. Falo da obra-prima O Tesouro de Sierra Madre, que perdeu a estatueta para Hamlet (1948) de Laurence Olivier. Isso viria a se repetir mais de um cinqüentenário depois, “e eu quero pensar que fora apenas uma coincidência”, pois, durante as filmagens de Sangue Negro (2007), Paul Thomas Anderson ia dormir todas as noites sob as luzes do televisor que mostrava o épico de John Huston, e foi o grande influenciador no longa de PTA.

Mas a produção de O Tesouro de Sierra Madre já merecia a estatueta por si só. Era o final da 2a Guerra Mundial e a indústria de cinema norte-americana começava a influenciar e ganhar o mundo. Os estúdios de Burbank, na Califórnia, era o local de onde estas produções saiam, e o capitalismo ia se instaurando no mundo com a volúpia usual, porém, um livro em especial, de um escritor estadunidense recluso e complicado, exilado por conta própria no México, batia no novo sistema de forma contudente. Huston, um roteirista de mão cheia ficou fascinado pela história e escalado para dirigir o longa.

Uma de suas primeiras exigências foi a de filmar tudo em locações no México, coisa incomum naquela época, ainda mais sabendo da falta de estrutura do país, depois quis escalar seu amigo Humphrey Bogart para o papel principal e seu pai, Walter Huston, para coadjuvante, por último exigiu que queria conversar com o autor do livro.Certa manhã, já em solo mexicano, no seu quarto do hotel, John Huston acorda com a presença de um tal de Hal Croves, tradutor do Sr. B. Traven, que passa a ser supervisor do filme. Após algumas semanas de filmagens, a presença e a interferência constante de Croves passa a intrigar os atores, que especulam que o estranho homem seja o recluso escritor. Até hoje ninguém sabe.

O livro é uma obra totalmente socialista que mostra o capitalismo como algo que incentiva a ganância e os atritos de uma sociedade. B. Traven buscou no México fugir do crescente capitalismo selvagem norte-americano. Vender seu livro para uma indústria yankee era o mesmo que suicídio intelectual. Ai entra John Huston, com sua inteligência e mostrando conhecimento do assunto, ele convenceu o autor e o deixou tranqüilo sobre a adaptação da obra.O resultado disso tudo é que nenhuma lista onde tenha os melhores filmes da humanidade terá importância, se não tiver O Tesouro de Sierra Madre nela. O filme é uma sucessão de fatos inusitados que se juntaram perfeitamente, desde a escolha de se filmar no México, a presença do autor no set. John Huston foi o grande responsável pela película e esse é o seu grande filme, que para sempre será lembrado.

Fred C. Dobbs (Humphrey Bogart) é um dos milhares de norte-americanos que foram ao México buscando oportunidade de ganhar dinheiro fácil. Iludido, Dobbs passa a mendigar de seus compatriotas. O problema é que ele só encontra o mesmo homem de terno branco (John Huston) para pedir. O segundo a quem ele pede dinheiro lhe oferece um emprego, e lá conhece Bob Curtin (o ótimo Tim Holt). Enganados, e sem dinheiro, os dois vão a um dormitório público, e lá ouvem do prospector Howard (o pai do diretor, Walter Huston – magistral) onde fazer fortuna naquela cidade.

A busca do tesouro, assim como diz o autor, fica óbvia na metade, do pouco mais de 2 horas do longa, o verdadeiro tesouro não fica datado, nunca perde a crítica, e depois que você o encontra nunca mais será roubado, porque ele fica com você, em sua mente. Nunca um nome de filme foi tão correto.

11 comentários:

Rogerio disse...

Cassiano, belíssima pesquisa sobre o filme. Se influenciou PTA, dispensa comentários.
Putz, acho que tem na locadora que frequento. Nunca tinha me atrevido a pegar. Assim que o vir comento aqui.

Museu do Cinema disse...

Sim Rogério, alugar vai depender de vc claro, mas ele foi lançado numa edição luxuosa.

Kamila disse...

Cassiano, nunca assisti ao filme, mas adorei o texto! Depois de lê-lo, tenho que ver "O Tesouro de Sierra Madre".

Museu do Cinema disse...

Bom Kamila, a dica tá feita.

Marcus Vinícius disse...

Un clássico que tenho que ver também.

Poxa, tem que mandar embora esse Roth, faz 7 rodadas que ele tá na mesma posição e provavelmente continuará nela até o fim do campeonato. =D
Em breve de volta a 'velha lida campeira'.

Abraços, té!!

Ramon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ramon disse...

Dica anotadassa! Comentasse tudo que precisava para fazer deste filme uma prioridade dentre os clássicos que quero assistir; Falou em Sangue Negro, falou com Ramon. hehe!

Abs!

Pedro Henrique disse...

Da lenda Huston eu prefiro Relíquia Macabra, mas "O Tesouro de Sierra Madre" é outro fantástico exemplar de John Huston.

Abraço!!!

Museu do Cinema disse...

Pessoal, corram para ver esse filme, é um achado, não sabia que não tinham visto! Eu assino em baixo, quem não gostar pode me cobrar depois.

Vulgo Dudu disse...

Olha que coincidência: estou com esse filme aqui em casa há um bom tempo, emprestado de um amigo meu...

Vou conferir e depois volto aqui pra dizer o que achei.

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Conferi! Belo filme. E pensar que Huston amargaria uma decepção astronômica logo em seguida..
Abs!