17 abril 2008

Paranoid Park

Paranoid Park – Gus Van Sant – 2007 (Cinemas)

Escolhido como melhor filme de 2007 pela revista francesa Cahiers du Cinema, e laureado no Festival de Cannes com o prêmio do 60o aniversário, Paranoid Park tem no seu diretor, o norte-americano Gus Van Sant, seu maior trunfo e também seus deslizes.

Optando por contar a história do livro homônimo do escritor Blake Nelson sem estruturas de tempo, Van Sant consegue arrancar do jovem e estreante Gabe Nevins uma interpretação que lhe ajudará bastante no decorrer da película, sem falar que essa decisão de fragmentar o tempo, trouxe vida à história, que não passaria de um conto.

Ao mesmo tempo, o diretor de Gênio Indomável (1997) parece ainda um jovem estreante atrás das câmeras. Com uma indicação ao Oscar de direção pelo filme com Matt Damon, uma Palma de Ouro como melhor diretor por Elephant (2003), e com uma filmografia que inclui o genial Um Sonho sem Limites (1995), o cineasta se metamorfoseia constantemente, sendo impossível perceber traços que associem um filme seu ao outro.

Paranoid Park serve como um experimento de imagens lentas e documentais para contar a história do skatista adolescente Alex (Gabe Nevins) que se vê envolvido no assassinato de um segurança perto do parque do título, um lugar que é o point de skate na cidade.

Misturando o clássico ao moderno na trilha sonora, Van Sant erra ao não explorar melhor essa interatividade com a música de Nino Rota, das trilhas de Amarcord (1973) e de Julieta e os Espíritos (1965), The Revolts e Beethoven. Pelo menos ele aprendeu a utilizar música nos seus filmes, o problema será saber se esse avanço ficará para os próximos também.

17 comentários:

Vinícius P. disse...

Bem, eu achei maravilhoso, só não melhor que "Elefante" - obra-prima dessa década. Tem sim um ou outro deslize, mas no geral é um tipo de cinema pouco visto atualmente.

Vulgo Dudu disse...

Acho que a música em Paranoid Park se encaixa perfeitamente nas cenas, suprimindo até mesmo a necessidade daquela enxurrada de diálogos - coisa que o diretor já mostrou não ser necessária quando se sabe contar uma história.

Acho o filme perfeito! Uma preciosidade em meio a tanto lixo que produzem atualmente.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Vinicius, eu dividiria ele em 50% de acertos e 50% de erros.

Dudu, o filme deveria utilizar mais as músicas, ainda mais a seleção musical que foi feita, quanto a perfeição ele tá muito longe disso.

Otavio Almeida disse...

Outro que ainda não vi, Cassiano. E vi ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO numa sessão para convidados no Shopping Eldorado, em SP.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Então seria uma pré-estreia? Essa semana chega nos cinemas?

Otavio Almeida disse...

Cassiano, eu trabalho numa assessoria de imprensa e estou nos mailings de algumas distribuidoras, além da revista SET, que promove algumas prés.

Sou convidado para algumas sessões especiais. Mas ninguém falou sobre a data de estréia. Às vezes, demora.

Assisti a SENHORES DO CRIME, por exemplo, um mês antes da estréia.

Outro dia, a Paramount fez uma cabine de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA para a imprensa. Não consegui ir por causa do trabalho, mas alguns jornalistas que estiveram lá, não sabem ainda se os 3 filmes da série serão relançados antes de INDY IV. Entendeu?

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO é excelente! Acho que você vai gostar. Mas pode ser que chegue aos cinemas em maio ou direto em DVD. Vai entender o mercado...

Abs!

Museu do Cinema disse...

Perfeito Otávio, é que geralmente essas pré-estreias são para os jornalistas começarem a passar informações do filme para o grande público, e se o filme não vai estrear num futuro proximo, o significado se perde, sem falar no custo que é se ter uma cópia de um filme desse rolando por ai.

Mas te confesso que meu interesse é justamente esse. Se essa cópia tá rolando por ai, deve ter algo na internet já, e agora entro eu...

Obs. Já sabia dessa sua ligação com o pessoal da SET, alias, bem que vc, como cinéfilo que é, poderia dar umas dicas lá pros caras, parece que ninguém por lá mais entende de cinema. Abs

Otavio Almeida disse...

Deve estar disponível na internet. É que te confesso que nem sei baixar filmes. No máximo, vejo séries dessa forma porque um amigo, mestre nisso, sempre me passa os DVDs das séries que eu gosto. Mas filmes... sei lá... ainda prefiro ver no cinema. Entende?

Eu, por exemplo, que perdi a pré de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA, estou louco pra saber se o filme será relançado para o público. Mas... enfim... rolam esses gastos, como vc bem disse. Mas neste "mercado", vale tudo pra agradar os jornalistas, sabe?

Quanto a SET, eu tenho amigos lá. Mas eu vivo reclamando com eles sobre o que andam escrevendo. Pode acreditar.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Otávio, nada melhor que o cinema com certeza, o problema é esperar chegar e nem chegar, ai tenho que "apelar" mesmo para a internet.

Acredito que vc reclame mesmo, pq o negocio lá tá feio, eu me lembro que comprava SET desde o numero 3, e deixei de comprar há anos.

Kamila disse...

Cassiano, adorei seu texto e acho que você foi perfeito em todas as suas colocações.

"Paranoid Park" se beneficia muito das decisões narrativas tomadas pelo Van Sant. Ele foi muito feliz nessa obra.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, acho que a média da resposta que tenho lido sobre o filme é bem essa, ele tem essa acertada decisão do cineasta, mas que acaba empacando na sua "crise existencial de diretor de segundo time".

Marcus Vinícius disse...

To com ele aqui, mas ainda não vi. O Elefante eu achei interessante, mas no Last Days eu dormi no meio.

Amigo, to achando que sou pé-frio mesmo, foi só botar as patas em Porto Alegre e o time desandou de um jeito... hehehehe. Operação Vassoura na Azenha, antes que seja tarde.

Abraçoos!

Museu do Cinema disse...

Então és tu Marcus???

Pedro Henrique disse...

Tenho que ver esse filme de uma vez. Tá todo mundo comentando...
Belo texto Cassiano

Marcus Vinícius disse...

=D

Ramon Scheidemantel disse...

Vou conferir de certeza mais essa obra do Gus.
Eu gostei do Elefante, e espero que ao tenho ao menos alguns elementos usado nesse filme.

Abraço... e cadê o Memorabilia?

Museu do Cinema disse...

Pedro, obrigado.

Ramon, ai vai o sexto!