06 fevereiro 2008

O Gangster

American Gangster – Ridley Scott – 2007 (Cinemas)

Frank Lucas (Denzel Washington – cada dia melhor) soube desde cedo o que fazer para crescer na vida. Pupilo de Bumpy Johnson (Clarence Williams III) , uma espécie de dono do Harlem, o bairro negro nova iorquino, Lucas usou seu cérebro para ir mais longe, e foi. Ele chegou na máfia siciliana de NY traficando heroína pura do sudeste da Ásia com a ajuda das forças armadas norte-americanas em plena guerra do Vietnã.

Richie Roberts (Russell Crowe) soube desde cedo que na policia de Nova Iorque ninguém era inocente, seus colegas ajudavam traficantes e ganhavam por fora, mas Roberts não pensou duas vezes em devolver 2 milhões de dólares mesmo sabendo que aquele dinheiro iria parar em bolsos desonestos.

Esses dois personagens mudaram a cidade conhecida como a Big Apple. E juntos.

Baseado no artigo de Mark Jacobson, apresentado ao verdadeiro Frank Lucas pelo autor Nicholas Pileggi, aquele que escreveu somente Cassino e Os Bons Companheiros, o filme explora sutilmente os clássicos da máfia, mas soube capitalizar seu lugar.

Difícil acreditar como Hollywood ainda não tinha explorado essa história antes. Fala-se que uma versão do roteiro de O Poderoso Chefão III (1990) mencionava sobre Nicky Barnes (interpretado aqui por Cuba Gooding Jr.), o gangster que comprava o produto, nomeado de blue magic, de Frank Lucas, modificava acrescentando bobagens, e o revendia. O fato é que uma boa história, um roteiro competente e um diretor de qualidade são artigos raros atualmente, portanto apreciar O Gangster é, como diria os enófilos, um excelente custo x beneficio.

15 comentários:

Otavio Almeida disse...

Po! Eu não sabia dessa história sobre O PODEROSO CHEFÃO III. Interessante...

E vc encerra o texto de forma brilhante. No fim, O GÂNGSTER talvez seja até um bom vinho, não? De repente fica ainda melhor com o tempo (o maior crítico que existe).

Abs!

Rogerio disse...

Opa, que interessante esse ponto do Nicolas Pileggi. nao sabia que tinha o dedo dele nessa historia do Lucas.
Fiquei muito surpreso com a pouca resposta que o filme teve dos criticos e da Academia.Pra mim entrava em mais categorias, mas tudo bem.
Embora tenha lá seus defeitos, como o fim acelerado e enaltecimento exagerado da figura do Lucas, a direçao do Ridley Scott achei ótima no geral.

Direçao de arte absurda, que infelizmente, não deve levar a estatueta.

Pedro Henrique disse...

O Gângster é uma boa recomendação para quem gosta do bom e velho preciosismo americano. Guardadas as devidas proporções, gostei desse longa.

Abraço!!!

Vou linkar o Museu no meu blog.

Museu do Cinema disse...

Otávio, verdade, nada como o tempo para analisar um filme.

Rogério, acho que ele enaltece sim, mas faz parte da temática.

Pedro, valeu, um abraço!

Otavio Almeida disse...

Cassiano, posso colocar o link para seu texto lá na SBBC? Que nota vc dá entre A, B, C, D e E?

Abs!

Museu do Cinema disse...

Claro Otávio, note C+.

Kamila disse...

Gostei do filme, mas não do seu final. Acho que não era necessário colocar o Frank Lucas como um "herói". Mas, de qualquer maneira, o filme explora muito bem a dinâmica estranha que se estabeleceu entre personagens tão diferentes, mas, ao mesmo tempo, tão iguais. Fiquei impressionada quando vi que o Richie se tornou advogado de defesa de Lucas.

Museu do Cinema disse...

Kamila, tem momentos em que o filme nos mostra o Frank Lucas na ceia de natal com a familia, enquanto vários drogados de seu produto estão mau.

Kamila disse...

Eu sei, me lembro dessas cenas. Mas, acho desnecessário usar o fato de que ele devolveu o dinheiro que colocou em contas estrangeiras e colaborou com a polícia para deixar o Lucas bem na fita. Como eu disse no meu texto sobre o filme, ao fazer isso, o Lucas não fez mais que sua obrigação.

Museu do Cinema disse...

Concordo Kamila, só não acho que o filme glamuriza isso. Ele nos mostra tudo, cabe a nós temos senso crítico para julgarmos sem influências.

Felipe Nobrega disse...

Achei um filmaço - quando sai da sessão tinha essa sensação: "assisti um filmaço", não sabia explicar muito bem por que, mas aí comecei a reparar que ele é grandioso no detalhe, nas pequenas nuances que Ridley Scott vai dando aos personagens.

Acho que o final foi um pouco apressado, mas enfim, achei um grande filme e uma grande atuação de Russel - que como já andei comentando, me lembrava demais Marlon Brando, em gestos, olhares, jeito de falar...

Romeika disse...

Já faz mais de um mês que esse filme estreou por aqui e ainda nao o vi. Depois da estréia brasileira, li tantos comentários negativos que me desempolguei de vez, mas o seu texto me animou de novo. Acho que devo ver pelo Denzel Washington, um ator que nunca deixa de surpreender.

Ah, passei uma corrente pra vc, Cassiano.
http://aroom-of-ones-own.blogspot.com/2008/02/ive-been-tagged.html

^^

Museu do Cinema disse...

Felipe, filmaço mesmo!

Romeika, obrigado pelas palavras! Fiquei feliz em ler.

Ramon Scheidemantel disse...

Filmão! Acho que em relação ao Oscar a grande injustiça seja a não-indicação para Melhor Diretor. O Ridley merecia.
Sei que é história real, mas fiquei frustrado com os fatos finais - aqueles que aparecem nas legendas. - Com tudo que se passou na história foi um final pouco cruel. hehe!

Romeika disse...

Cassiano, de nada!