18 fevereiro 2008

Entrevista: Paul Thomas Anderson

Desculpem pessoal, mas tá dificil sair disso. Quem ainda não viu o filme, melhor nem ler. Achei que deveria compartihar com vocês essa entrevista que Paul Thomas Anderson deu para o site AV Club.
Quando foi seu primeiro encontro com o livro de Upton Sinclair?

Eu estava em Londres, em Covent Garden, e é impossível deixar passar. O título está nesse enorme letreiro vermelho com uma marca de exclamação. Oil! Essa foi a primeira vez que vi, ou ouvi. Eu nunca tinha lido Upton Sinclair. Eu nunca li The Jungle no colegial ou algo parecido. Mas é muito legal escrever.

Você o descreveu como um filme de terror. Você ainda sente dessa forma?

Eu sinto dessa forma em “Qual a melhor forma para ver essa história?” Sempre vem em sua mente formas ridículas de descrever, isso por qualquer razão que permita a comunicação com os outros, como, “Temos que pensar nesse filme como uma luta de boxe entre esses dois caras, e ataca isso como uma história de terror.” Essas são somente formas de descrever o que devem ser as ordens. Elas vêm facilmente, essas descrições.

Você escreveu a parte de Daniel Day Lewis. Você já o havia encontrado antes?

Não.

Então, enviar para ele um roteiro escrito pela metade foi um tiro no escuro?

Mais ou menos, mas tínhamos um amigo em comum que me fez saber como Daniel se sentia em relação à Embriagado de Amor (2002), que foi que ele estava incrivelmente lisonjeado. Então me muni disso para obter uma injeção de confiança. Sem isso não sei o que teria feito. Quero dizer, sim, eu teria me arriscado. Mas foi muito legal ter esse tipo de encorajamento para pensar, “Bem, ele gostou disso”.

Várias pessoas verão esse como um filme de mensagem porque o nome de Upton Sinclair está nele, mas por outras razões também. Você estava pensando sobre o capitalismo selvagem dos dias de hoje e o fanatismo religioso enquanto estava escrevendo e filmando?

Eu estava pensando que é melhor tomarmos muito cuidado para não fazermos isso. E o que eu quero dizer com isso é o que eu disse mais cedo, que comecemos a ver o filme como um filme de terror e uma luta de boxe. Você sabe que está começando a ver um filme sobre um prospector de petróleo independente e um cara que lidera uma igreja. Os riscos que você corre são grandes, longos discursos que colaborarão em “paralelizar” ou “alegorizar” se existirem essas palavras. [risadas] Nós pensamos, “Vamos ser cuidadosos” Isso é bem escorregadio, não é?

Claro, mas você sabe que está lá. Você deixou um pedacinho disso para evitar que as comportas se abrissem?

Eu suponho que é exatamente isso. É tão engraçado, porque idealisticamente, uma vez que você está sob a pele desses homens, tudo isso vai por água abaixo.

Existe um pedacinho de você que espera que as pessoas enxerguem uma mensagem anti-capitalista?

Eu espero que o filme traga paz ao oriente médio? Se pudermos ajudar nem que seja um pouquinho. Somos apenas um filme. [risadas]

Seus filmes sempre são muito certinhos. Eles podem parecer amplos, mas eles são muito claros. O pensamento de vários filmes independentes é ser ambíguo, talvez para seu próprio bem.

Eu tomo isso como o mais alto elogio, realmente. Obrigado. Eu realmente agradeço. Poderíamos ter chamado o filme de “Terá o final moralmente ambíguo”. [risadas] É muito legal você dizer isso. Obrigado.

O filme é dedicado a Robert Altman. Sua experiência trabalhando com ele em Praire Home Companion (2006) foi o que você esperava? Você o conhecia um pouco, não é?

Eu o conhecia muito bem, mais ou menos uns 10 anos, mas eu passei a conhecê-lo melhor nos últimos 3 ou 4 anos. Eu tinha que assistir Bob comandar esse filme, e eu vi como ele era bom em escapar de perguntas, da melhor forma. Ele era realmente muito bom em não se comprometer muito cedo. Ele não impõe sua vontade muito cedo. Ele amava trabalhar com as pessoas. Ele amava vê-las. Ele dá tempo para as coisas acontecerem, para crescer ou fenecer, e vê-lo fazer isso é uma grande lição de paciência. Porque ao final do dia, ele convidava todo mundo a trabalhar nesse filme, mas ele terminava conseguindo exatamente o que ele queria, e todos se sentiam como se tivessem feito parte disso, porque eles tinham. Eles realmente fizeram o filme com Bob. Como ele fez isso é uma lição para mim.

É algo que você acha que copiou? Parece que Sangue Negro colaborou muito com Daniel.

Tive muitas colaborações no passado – alguns atores e o staff têm trabalhado juntos há anos – e parecia que estávamos trabalhando em sincronia. Talvez tenha sido porque não tenhamos feito um filme juntos há algum tempo. Estávamos tão felizes em estarmos trabalhando juntos novamente, e trabalhar com algumas pessoas novas, como Daniel, e [produtor de design] Jack Fisk, e Jonny Greenwood. Nós realmente gostamos de fazer o filme. Eu ouso dizer que vários de nós gostaríamos de ainda estar filmando, e sentimos o seu final.

Isso lhe incentivará a mergulhar em outro filme mais rápido?

De maneira ideal. É algo que estamos todos conversando. Tiraremos um tempo e conversaremos sobre o que queremos no ano novo. Isso requer que eu escreva algo e achar algum tempo para fazer isso. Tenho esperança que não leve muito tempo.

23 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, como vai?
"Sangue Negro" passou longe dos cinemas da minha cidade e tive que apelar para uma cópia em DVD. Estou com dois filmes locados para conferir e depois verei o filme do P. T. Anderson. Volto por aqui para ler a entrevista.

Abraço!

Museu do Cinema disse...

É Alex, no seu caso nada mais razoavel do que recorrer a pirataria.

Rogerio disse...

Bom, apesar da curiosidade, vou seguir teu conselho e nem ler a entrevista.
To achando que terei que apelar p/ o piratão tb (embora até assim tá duro).Nao posso começar a noite de 24/02 sem Sangue Negro no curriculo.

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, pelo menos a cópia que consegui está excelente, tanto nas imagens e som quanto na sincronia das legendas. Ou o Cinemark e Playarte de Santo André tomam vergonha na cara ou terei de apelar sempre para este recurso.

Rogerio, espero que tenha sorte e consiga conferir antes do Oscar.

Abraços!

Museu do Cinema disse...

Rogerio, com certeza, assistir o Oscar sem ver Sangue Negro é demais!

Alex, esses piratas estão cada vez mais especialistas, qualquer dia estarão melhores que os originais.

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, para se ter uma idéia, consegui conferir "Garçonete" e "O Preço da Coragem" em cópias piratas. Mas não numa versão qualquer, e sim uma cópia do DVD internacional, com acesso aos extras e tudo mais. Agora deixa eu parar por aqui porque corro o risco de ser denunciado, rs.

Kamila disse...

Cassiano, ótima a entrevista. E eu continuo no aguardo da estréia de "Sangue Negro" por aqui...

Museu do Cinema disse...

Alex, cuidado mesmo, vi num dvd pirata que pirataria é crime.

Kamila, eu avisei que não era para ler...

Alex Gonçalves disse...

"Vi num dvd pirata que pirataria é crime."

Eheheheheh...

Até a próxima!

Otavio Almeida disse...

Legal! Não precisa se desculpar por continuar comentando SANGUE NEGRO.

Acho que a discussão não acaba tão cedo entre os cinéfilos que gostaram do filme.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Pois é Otávio, agora que ele tá começando a esfriar para mim, nos primeiros dias foi dificil pensar em outro filme.

Kamila disse...

Cassiano, ler a entrevista não é problema. Geralmente, quando assisto a um filme, tento deixar de fora qualquer opinião prévia que tinha lido sobre ele.

Ramon Scheidemantel disse...

Caramba!
Parabéns!
Vai ser impossível se aproximar da tua paixão pela obra ao escrever a resenha. Hehe! Mas vou tentar.

Gostei do Paul, parece mais autêntico e humilde, que os Coen.

Museu do Cinema disse...

Kamila, o problema não é a opinião, é que ele revela algumas coisas que pode estragar.

Ramon, obrigado, acho que quem gosta desse filme, gosta muito, não tem meio-termo.

Pedro Henrique disse...

Não li a entrevista, amanha vou ver o filme, depois vou ler.

Abraço!!!

Museu do Cinema disse...

Abraço Pedro.

Otavio Almeida disse...

Cassiano, pensei numa loucura: A forma como o Paul Thomas Anderson filma a cena final naquele cenário... não te lembra (de alguma forma) aquele cenário do Jack Nicholson escrevendo o livro em O ILUMINADO? O enquadramento, sei lá...

Bom... Me ocorreu isso.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Mas claro Otávio, falei isso na minha resenha!!!

Sem falarmos na música.

Otavio Almeida disse...

Sim. Vc comparou a Kubrick, mas não citou essa cena de O ILUMINADO. Que bom que concorda. Achei que havia ficado louco.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Falei da obra de Kubrick em geral, O Iluminado, 2001 e Barry Lyndon principalmente.

Ainda mais depois da música clássica né?

Eu devo rever Sangue Negro hj e tirar mais detalhes.

Otavio Almeida disse...

Acho que vou ver de novo neste fim de semana também.

Abs!

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, caso leio este comentário antes do final da tarde de domingo, gostaria de participar do Bolão do Oscar que formei no Cine Resenhas?

As regras estão linkadas no post "Informações". Valeu!

Museu do Cinema disse...

Vou lá fazer minhas apostas Alex. Obrigado pelo convite!

Abs