29 janeiro 2008

O Grande Lebowski

The Big Lebowski – Irmãos Coen – 1998 (DVD)

“Um dia alguém mais esparto que eu disse: ‘Um dia agüentamos a barra e outro dia, a barra cai em cima da gente'.”

Numa das cenas hilariantes de O Grande Lebowski, O Cara (Jeff Bridges) recebe dois policiais em sua casa para informar do roubo de seu veículo. Os oficiais lhe fazem perguntas, e O Cara (The Dude) parece andar em ovos, em certo momento ele diz que o tapete também lhe fora robado, e o policial lhe pergunta se o tapete também estava no carro, e ele lhe diz que não, que estava ali na casa, quando no mesmo momento sua secretária eletrônica atende a ligação de Maude Lebowski (Julianne Moore) informando que havia levado seu tapete, o policial então lhe diz: “Oh! Acho que podemos arquivar o caso do tapete”.

Dizem que a certa altura das filmagens, o ator Sam Elliott, que interpreta o narrador do filme, virou para os Irmãos Coen e perguntou o que ele fazia ali, visto que a sua personagem não agregava nada a história, incrédulos, os talentosos irmãos lhe responderam: “Não poderemos lhe responder, porque nós também não sabemos”. E é justamente aqui a genialidade do filme, porque a narração de Sam se não é fundamental, é engraçada demais. O filme tem ainda dois dos melhores atores da atualidade, na minha opinião, e que sou fã, Philip Seymour Hoffman e Peter Stormare, mas quem rouba a cena, e na melhor interpretação de sua longa carreira é Jeff Bridges.

O Cara, como ele mesmo gosta de ser chamado, poderia ser um sujeito normal, o problema é que o mundo conspira negativamente. Por exemplo, para evitar mais arrombamentos em sua residência, ele trata de cravar, com muitos pregos, um pedaço de madeira no chão em frente à porta, colocando depois uma cadeira entre a porta e a madeira, o problema é que a porta abre justamente para o outro lado.

Baseado livremente na obra do escritor estadunidense Raymond Chandler, conhecido pelos seus mistérios de detetive, O Grande Lebowski ganhou o prestígio dos cinéfilos e o repúdio dos críticos, contando a história de um sujeito boa praça, vagabundo, maconheiro, jogador de boliche, pacifista que se prende nos anos 70 e que tem o estranho hábito de descansar ouvindo, numa fita K7 em seu walkman, o som de strikes de boliche e da banda Creedence Clearwater Revival. Na trilha do filme, Nina SimoneI Got It Bad And That Ain't Good, Kenny Rogers And The First EditionJust Dropped In (To See What Condition My Condition Was In), a sensacional Hotel California, famosa na voz do The Eagles, e aqui com o inconfundível som flamenco do Gipsy Kings, e Bob Dylan com The Man in Me.

Aprenda a preparar um White Russian, o drink preferido do Cara: 5 partes de vodka, 2 partes de licor de café e 3 partes de creme ou leite, misture tudo e sirva com gelo.

Crítica publicada em 01 de maio de 2007.

8 comentários:

Otavio Almeida disse...

Depois de FARGO, acho que não entendi muito o caminho trilhado pelos Coen... Não sou fã de O GRANDE LEBOWSKI. Mas reconheço que o filme tem qualidades.

Abs!

Rogerio disse...

Nao consegui entrar no clima das piadas desse filme.Pra mim, "O Cara" é forçadamente idiota demais. Com exceçao de algums cenas e dialogos como do tapete que até tem seu valor, o resto do filme se arrasta de uma forma irritante.
Mas entendo e respeito as qualidades dele, por vc apontadas. Só que pra mim, nao colou.

Rogerio disse...

ahhh, gostei do drink. Vou tentar fazer nesse Carnaval.

Museu do Cinema disse...

Otávio, ainda bem que reconhece q tem qualidade.

Rogério, O Cara não tem nada de idiota, afinal idiota é quem faz idiotices.

Ramon Scheidemantel disse...

Cassiano... só conferi algumas cenas deste filme, e nem elas nem sua resenha me convecem a conferir o filme inteiro.
Já o Fargo, vou assistir em 20 minutos. Amanhã lerei sua resenha e comentarei.

Abraço!

givaldo disse...

Oi..sou nova aqui, mas não resisti a fazer um comentário sobre esse maravilhoso filme, dos maravilhosos irmãos Coen. Como podem observar sou fã da dupla, e me rendo, deliciada, a seus inúmeros talentos. O Grande Lebowski está entre os meus filmes favoritos, engraçadissímo e contudente.

Abs

Anônimo disse...

É um filme com humor inteligente e por causa disso infelizmente nem todo mundo conseque enteder ...
Adorei o filme e bolo de riz com o discurso que o gordão faz quando vai jogar as cinzas do amigo na praia

Frederico disse...

Cara, simplesmente esse é um dos melhores filmes que eu já vi na minha vida!

Essa parte, pra mim, é uma das mais engraçadas do filme. Alguém lembra? Sei esse diálogo de cor, entre o Cara e o Jesus Quintana (personagem de John Turturro):

Jesus Quintana: You ready to be fucked, man? I see you rolled your way into the semis. Dios mio, man. Liam and me, we're gonna fuck you up.

The Dude: Yeah, well, you know, that's just, like, your opinion, man.

Jesus Quintana: Let me tell you something, pendejo. You pull any of your crazy shit with us, you flash a piece out on the lanes, I'll take it away from you, stick it up your ass and pull the fucking trigger 'til it goes "click."

The Dude: Jesus.

Jesus Quintana: You said it, man. Nobody fucks with the Jesus.

Walter Sobchak: Eight-year-olds, Dude.

Jesus Quintana: Nobody fucks with the Jesus!