28 janeiro 2008

Fargo

Há alguns meses, a população do município de Fargo chocou-se com um dos acontecimentos mais assustadores que se tem notícia. Um seqüestro que acabou com a morte da vitima e dos responsáveis pelo cárcere, teve um aspecto grotesco pela participação do marido da seqüestrada, um pacato senhor, vendedor de automóveis, e responsável pela administração da revendedora do sogro.

Robert Wilson, 52 anos, era casado com Natalie Wilson, e pai de Jason, 12. Era tido como um homem normal, apesar dos problemas cotidianos com os funcionários e clientes, sua incompetência era notória, mas não chegava a prejudicar os negócios. Genro de Constantin Boustrow, famoso empresário local, e que sabia da inabilidade de Wilson, que era um vendedor de carros. Robert Wilson guardou calado muitos sapos durante a vida, e aliado ao seu desejo de reconhecimento profissional e, principalmente, financeiro, resolveu bolar um plano de seqüestro de sua própria cônjuge para tirar dinheiro do sogro.

Notícia extraída do jornal High Plains Reader do dia 25 de março de 1987.

Localizada na região do Red River Valley, com uma população em torno dos 91.000 habitantes, economicamente voltada para a agricultura, Fargo é a maior cidade do Estado da Dakota do Norte.

Fargo – Joel e Ethan Coen – 1996 (DVD)

Os eventos descritos no filme ocorreram em Minnesota em 1987. A pedido dos sobreviventes, os nomes foram trocados. Por respeito aos mortos, o resto foi contado exatamente como aconteceu.

Jerry Lundegaard é interpretado por William H. Macy, no primeiro papel que lhe trouxe reconhecimento na carreira, um ator excepcional. A maneira como interpreta o incompetente, calculista e mercenário Jerry é visceral. A cena onde ensaia a ligação pro sogro para informar do seqüestro da filha está no rol das melhores do cinema.

Através de um mecânico da oficina da revendedora onde trabalha, Jerry consegue contactar Carl e Gaear para realizarem o seqüestro, vividos pelos excelentes Steve Buscemi e Peter Stormare, respectivamente, os dois sujeitos formam uma dupla nada convencional, enquanto o primeiro é falante e nervoso, o segundo é calado e frio.

Marge Gunderson, vivida pela maravilhosa e excelente atriz Frances McDormand, esposa do cineasta Joel Coen, é uma policial detetive local. Grávida de 7 meses, ela sustenta a casa enquanto resolve um caso que viria a chocar a cidade.

O filme é pontuado pela excepcional trilha sonora composta por Carter Burwell, uma música original, melancólica e que tem uma crescente forte e impactante. Uma das mais belas da história do cinema norte-americano. Roger Deakins, constante colaborador dos Coen, assina a fotografia, que nos deixa com a sensação de frio o filme todo, e consegue captar toda a essência da trama em cima do clima de inverno intenso. Mais uma obra-prima dos cineastas mais inventivos de Hollywood. Yeah.

9 comentários:

Vinícius P. disse...

Podem falar o que quiser, mas para mim essa é a obra-prima dos Coen, não tenho dúvidas. É melhor realizado do que qualquer outro filme da dupla, sem falar da atuação soberba da McDormand.

Marfil disse...

Tenho uma dívida com o cinema... Não vi FARGO ainda...

Alex Gonçalves disse...

Cassiano, não sei enquanto a você, mas ainda que os Irmãos Coen tiveram como proposta injetar humor em "Fargo", não consegui rir em momento algum. Mas não posso negar que "Fargo" é um dos meus filmes prediletos. Recordo-me o quanto aquele momento onde a personagem de Frances McDormand fala sobre a vida humana quando captura o Steve Buscemi me marcou, e olha que só tinha uns doze, treze anos ao ver o filme.

Museu do Cinema disse...

É isso ai Vinicius.

Marfil, resolva sua divida e veja esse filme. É simples.

Alex, eu entendo o humor negro dos Irmãos Coen como algo da natureza humana, por mais sérios que somos, e ai entra o tom do filme, sempre tem uma pisada de bola, um tropeço para nos fazer rir.

Otavio Almeida disse...

Cassiano, com um pensamento crítico, digo que FARGO é o melhor filme dos irmãos Coen. Nada a ver perder o Oscar de Melhor Filme para O PACIENTE INGLÊS...

Mas meu coração gosta mais de ARIZONA NUNCA MAIS.

Entende?

Abs!

Rogerio disse...

Meu preferido do Coen, uma obra prima geniosa.
Grande Filme, grand post.

Museu do Cinema disse...

Sim Otávio, entendido, quer saber o meu preferido?

Obrigado Rogério!

Ramon Scheidemantel disse...

Trecho escrito antes de ler a resenha:

Magnífico!
Que trilha musical! Acho que ela é responsável por metade do mérito do filme. hehe!
A obra é contundente porque é baseada em fatos reais...

Trecho escrito após sua resenha:

...senão seria somente mais um filme com quesitos técnicos impecáveis.
O Steve Buscemi está demais no filme. Estou acompanhando ele no série Preason Break, mas nem dá para comparar as personagens.
Enfim, Cassiano, acho que o único ponto que você tocou na resenha que eu havia gostado mas não cheguei a refletir foi o da fotografia; estupenda!
Com certeza Fargo está entre meus preferidos dos Coen.

Ótima resenha!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Ramon.